segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Dieta rica em gordura enfraquece sistema de recompensa do cérebro

Dieta rica em gordura enfraquece sistema de recompensa do cérebro

Pesquisador brasileiro acredita que descoberta de falha no sistema de comunicação entre estômago e cérebro pode dar novas perspectivas para a perda de peso

IG
São Paulo - O paradoxo de que quanto mais se come, mais fome se sente acaba de ganhar uma explicação científica e que pode ser repetida por qualquer um que tenha dificuldade em manter o regime. Isto porque o pesquisador brasileiro Ivan de Araújo conseguiu provar que uma dieta rica em gordura enfraquece o sistema de recompensa do cérebro, aniquilando quase que de vez a sensação de saciedade mesmo quando a barriga está cheia.
O resultado desta “falha” no sistema de comunicação entre estômago e cérebro é a alimentação compulsiva. “No estudo, descobrimos que camundongos obesos se tornam menos sensíveis a ingestão de caloria e que esta deficiência está ligada a fisiologia do trato gastrointestinal”, disse ao iG Ivan de Araújo, pesquisador do departamento de Psiquiatria da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, e autor do estudo publicado nesta quinta-feira (15) no periódico científico Science .
Alimentação compulsiva prejudica sistema de comunicação entre cérebro e estômago
Foto:  iG
A equipe de Araújo notou que animais com dieta rica em gordura apresentavam baixo índice de um lipídio chamado OEA no aparelho digestivo. Este lipídio tem a função de levar para o cérebro a mensagem de saciedade quando há quantidade suficiente de alimento no estômago. Como resultado da baixa de OEA no estômago, os animais estudados não liberaram dopamina, neurotransmissor associado ao sistema de recompensa no cérebro.
De acordo com Araújo, ainda é preciso fazer testes clínicos, mas a baixa nos lipídeos OEA pode explicar a dificuldade de muitas pessoas em manter uma dieta de baixa caloria por um longo tempo. A descoberta também pode levar a criação de uma nova droga que ajude pessoas com alto consumo de alimentos gordurosos a manterem regimes.
Até agora, a pesquisa em camundongos se mostrou satisfatória. Após a suplementação de OEA, os animais passam a escolher alimentos com menos gordura quando era dada a opção. “Os camundongos aderiram a uma dieta rica em calorias porque não tinham a sensação de recompensa enviada pelo cérebro. Porém quando administramos OEA em animais obesos, era praticamente recuperado o sistema de resposta”, disse Araújo.
Araújo afirma que a “falha de comunicação” entre estômago e cérebro tenha surgido como uma vantagem adaptativa quando humanos e outros animais passavam por alternância entre períodos de alimentação farta e escassez.
É neurológico, não tem a ver com paladar
No estudo, os camundongos eram alimentados por dutos que levavam a comida diretamente para o estômago. Desta forma, os pesquisadores conseguiram eliminar no experimento questões relacionadas com o paladar por alimentos mais ricos em gordura e estudar apenas as respostas do sistema de recompensa. “Assim, a única forma de o animal se dar por satisfeito era entender que havia certa quantidade de caloria no trato gastrointestinal”, disse Araújo.
Isto porque o pesquisador não descarta que outros mecanismos fisiológicos, como por exemplo, o tamanho do estômago, sirvam para enviar sinais ao cérebro sobre a sensação de saciedade. “O lipídio e outros mecanismos trabalham no sentido do trato gastrointestinal para haver este alerta”, disse Araújo.
Agora a equipe de Araújo quer testar os efeitos da aplicação de OEA no trato digestivo de humanos obesos e também testar os níveis de OEA em pacientes humanos que passaram por cirurgia de redução de estomago. “Queremos saber se a compulsão por comida em humanos obesos pode ser revertida com a suplementação de OEA e se a mudança comportamental após a cirurgia de redução de estômago altera o índice do lipídio”, disse.
    Tags: Dieta , Rica , Gordura , enfraquece , sistema

    Papa Francisco: 'fé e violência são incompatíveis'

    Papa Francisco: 'fé e violência são incompatíveis'

    Antes da oração, o papa declarou que 'o Evangelho não autoriza em absoluto o uso da força para defender a fé'

    EFE
    Roma - O papa Francisco disse neste domingo, na oração do Ângelus, que "fé e violência são incompatíveis" e que "a verdadeira força do cristão é a força da verdade e do amor, que comporta renunciar a qualquer tipo de violência".
    Francisco se dirigiu a milhares de fiéis e peregrinos que lotaram a Praça de São Pedro, no Vaticano, sob sol, e vibraram com sua aparição em uma das janelas da residência pontifícia.
    Francisco se dirigiu a milhares de fiéis e peregrinos que lotaram a Praça de São Pedro
    Foto:  EFE
    Antes da oração, o papa declarou que "o Evangelho não autoriza em absoluto o uso da força para defender a fé". "Fé e violência são incompatíveis", exclamou em duas ocasiões o papa.
    Francisco declarou que "seguir Jesus comporta renunciar ao mal, ao egoísmo, escolher o bem, a verdade, a justiça, embora requeira sacrifício e renunciar aos próprios interesses".
    "E isso sim divide, nós sabemos, divide os vínculos mais estreitos", acrescentou.
    O pontífice destacou que "a fé não é algo decorativo, é força de alma", e que "a fé comporta escolher Deus como critério base da vida. Deus não é um vazio, não é neutro, é sempre positivo, depois que Deus veio ao mundo, não podemos mais agir como se Deus não o conhecêssemos".
    Após sua alocução, o papa foi amplamente aplaudido e pediu aos presentes que rezassem pelas vítimas do naufrágio ocorrido na última sexta-feira nas Filipinas, no qual morreram pelo menos 34 pessoas, e também pela delicada situação que o Egito atravessa.
      Tags: Papa , Papa Francisco , Angelus

      Paulo Sardinha: O exemplo alemão

      Paulo Sardinha: O exemplo alemão

      A Alemanha conseguiu defender-se com mais eficiência das ondas de desemprego

      O DIA
      Rio - Algumas das revoluções da Primavera Árabe em 2011 e os recentes problemas sociais em países como Portugal, Grécia, Itália e Espanha tiveram motivo em comum: a insatisfação dos jovens com as poucas perspectivas de emprego e o alto custo de vida. Não há dúvidas de que parte das manifestações por aqui nos últimos meses teve essa causa. Exemplo que vem da Alemanha, porém, pode ser muito bem aproveitado aqui como antídoto para eventual baixa na taxa de ocupação de pessoas com até 25 anos. Envolve o desapego ao diploma universitário aliado a modelo forte de ensino profissionalizante em massa.
      A Alemanha conseguiu defender-se com mais eficiência das ondas de desemprego — lá, a taxa é de 8%. Um dos segredos para este resultado foi o investimento no ensino técnico dual. Viabilizado por PPPs, ele proporciona ao estudante receber formação profissionalizante com o auxílio da escola e de empresas.
      Apenas num instituto governamental alemão há 1,4 milhão de jovens matriculados neste modelo. NoBrasil, somados estudantes das redes pública e particular, 1,3 milhão está em cursos técnicos. A população alemã tem 120 milhões a menos de pessoas que a nossa.
      No Brasil, é um desafio conhecido preencher vagas de nível técnico nas áreas de petróleo e gás, setor naval e tecnologia da informação. Estudo da CNI mostra que 72% dos ex-alunos de cursos técnicos conseguem trabalho no primeiro ano após a formatura. Assim, mais alunos no ensino técnico brasileiro evitariam gargalos em nossa economia e o desemprego entre jovens.
      A ampliação do Sisutec é bom passo nessa direção, mas a parceria com empresas pode ser ainda maior. Resta também nos adaptarmos a uma questão cultural: na Alemanha, por exemplo, o diploma universitário não tem a importância em termos de status de que dispõe no Brasil, em comparação com o técnico.
      Paulo Sardinha é presidente da ABRH-RJ

        Editorial: Por um Rio mais limpo

        Editorial: Por um Rio mais limpo

        A limpeza de uma cidade, como ocorre em países desenvolvidos, é um dos seus maiores patrimônios

        O DIA
        Rio - A limpeza de uma cidade, como ocorre em países desenvolvidos, é um dos seus maiores patrimônios. Há consenso de que o melhor cartão de visita que se pode dar aos turistas é manter praças e calçadas limpas. E essa é uma tarefa de todos, população e poder público. Mas há muito o Rio de Janeiro não vem fazendo esse dever de casa. Tanto que, para manter as suas ruas livres da sujeira, sobretudo as do Centro, a autoridade pública lançou mão de lei que vai começar a multar a partir de amanhã quem for flagrado jogando lixo em logradouros públicos.
        Embora necessária, a medida já começa com uma polêmica. A da falta de lixeiras suficientes em ruas do Centro, campeãs de sujeira, como constata reportagem hoje de O DIA. O poder público faz bem em punir quem transgride a nova lei. Mas parece não colaborar ao não atender esse quesito básico, que é oferecer recipientes para acolher os resíduos descartados por transeuntes desleixados.
        A falta de educação ao atirar resíduos pelas ruas já rendeu vergonhoso título à cidade: o nono lugar, numa lista de vinte, de mais suja do planeta, segundo pesquisa do site TripAdvisor. E é no mínimo constrangedor a seus moradores e autoridades ver o Rio receber o título de Patrimônio Mundial da Cultura pela Unesco, de um lado, por suas belezas naturais e arquitetônicas, e de outro, assistir à cidade amargar o de campeã de imundície.
        Que o rigor da nova lei ajude na conscientização da população para o correto destino do lixo. Mas que o poder público faça a sua parte, ao disponibilizar lixeiras em todos os pontos da cidade. A falta não pode virar desculpa aos sujões. O Rio não merece.
          Tags: Editorial

          Fernando Scarpa: O monstro de olho verde

          Fernando Scarpa: O monstro de olho verde

          A inveja pode ser de um estilo de vida, da beleza, do carisma, do sucesso, da inteligência

          O DIA
          Rio - Um gênio apareceu para um homem sabidamente invejoso. Disse-lhe que poderia pedir o que mais desejasse possuir em sua vida, mas que haveria uma condição: seu vizinho receberia tudo que ele requisitasse em dobro. O invejoso não vacilou: imediatamente pediu ao gênio que ficasse cego de um olho! Preferia a própria destruição a ter seu vizinho possuindo mais do que ele.
          Nessa parábola, encontramos a essência deste famoso sentimento, chamado de tantos modos. Uns se referem a ele como o mal secreto, outros como inveja branca. Em ‘Otelo’, de Shakespeare, encontramos uma referência ao invejoso como o “monstro de olhos verdes”, uma associação da cor à inveja: “Estou verde de inveja!”.
          Na tentativa de se ver livre do mal-estar que é não ter o que o outro possui ou daquela vontade danada de ter o que é do outro e não seu, o invejoso opta, sem se dar conta, pela destruição do que deseja e até de si próprio, revelando incapacidade de conquistar o que vislumbra. Destruído, o objeto do desejo se acalma. Não existe mais o que desejar, está destruído o que tanto cobiça.
          Outra faceta desse movimento, encontramos no comportamento infantil. Os amigos de infância que, diante do nosso brinquedo novo, o destroem rapidamente diante do nosso olhar com a famosa fala: “Desculpe, foi sem querer!”. Quem não viveu isso?
          A inveja não se restringe aos objetos, muitos se espantam por não ter grandes posses e, ainda assim, serem objeto da inveja de alguém. Sim, a inveja pode ser de um estilo de vida, da beleza, do carisma, do sucesso, da inteligência... atributos subjetivos que não se compram e ainda assim, não escapam do desejo alheio.
          Diferentemente do ciúme, que é a posse, o amor ao objeto, a inveja se traduz exclusivamente na destruição do mesmo ou de alguém, com a única finalidade de estancar o mal-estar que é ansiar pelo o que não se tem. Isso também se traduz em comentários negativos, conspirações, manipulações e atitudes nem um pouco nobres. É bom tomar muito cuidado para quem se contam conquistas, planos, viagens, promoções... objeto destruído é igual a inveja aplacada! Não se deixe destruir!
          Fernando Scarpa é psicanalista

            Karla Rondon Prado: Civilidade até a página 2

            Karla Rondon Prado: Civilidade até a página 2

            A ‘sem-noçãozice’ está cada vez mais agravada pela sociedade do egoísmo. Perdeu-se o tato

            O DIA
            Rio - Já se vão 20 anos desde que o cineasta Joel Schumacher lançou ‘Um Dia de Fúria’, com Michael Douglas. O nome em português virou expressão. O original, ‘Falling Down’, exprime a decadência de umhomem, que em seu limite resolve deixar de lado a boa vontade com tudo que atrapalha seu caminho e que está errado, e sai atirando em geral. Não dá para negar, sem querer incitar a violência, que em alguns dias é preciso uma dose ‘extralarge’ de paciência para poder lidar com tudo o que está fora da ordem, cada vez mais, na rotina do nosso Rio de Janeiro.
            Para manter a educação, você respira mil vezes, engole sapos e deixa pra lá. “Ah, deixa pra lá, ele é grosso mesmo!”, ou “Deixa pra lá! Ela é superficial e não vai entender...” Nessa coleção de “deixa pra lá”, o saco da nossa boa vontade vai enchendo e é duro manter a sanidade, o equilíbrio, o savoir-faire (aquela expressão perfeita do francês que define a pessoa que sabe como lidar com qualquer situação sem perder o prumo). Nossa civilidade vai até a página 2.
            A ‘sem-noçãozice’ está cada vez mais agravada pela sociedade do egoísmo. Perdeu-se o tato, a ciência de que o seu limite acaba quando começa o do outro, a definição de quem somos no tempo e no espaço. E aí a gente se cala, se fecha, ou sai atirando em geral, o que também não vai resolver. E os problemas começam em pequenas ocorrências, como o motorista de ônibus que não para no ponto, a trocadora que reclama de ter que dar troco, o taxista que quer fazer um caminho em ziguezague para não ficar parado no trânsito, a atendente do restaurante a quilo que, por uma preguiça atroz, pede para marcar os oito cafés da mesa numa comanda só. “Posso?” “Não, não pode. Cada um vai pagar sua própria conta”. Todos estão sempre contando com a sua boa vontade, sem querer ceder um milímetro. “Ah, cede você?!” (charminho). Cedo não...
            Um amigo estava questionando o porquê de qualquer caixa de farmácia, supermercado, banco nunca estar prestando atenção em você e no serviço que está prestando. Estão sempre, invariavelmente, conversando com o colega do lado, te entregam o produto sem olhar para a sua cara, num total desprezo pelo consumidor que está pagando e pelo que faz. Falta de apreço ímpar. O pedreiro da obra ao lado, além de quebrar a parede por tempo fora do normal, resolve passar a ouvir música-lixo no último volume. Combate-se com música de qualidade alta. “Ei, posso abaixar? Temo estar incomodando os outros vizinhos”. “Não, não pode abaixar. Cansei de ser incomodada”. Só um dia de furiazinha, vai?!
            E-mail: karlaprado@odia.com.br

              Editorial: Persuasão do grito é nula

              Editorial: Persuasão do grito é nula

              Discussões não são vencidas pelo tom da voz, mas pelos argumentos

              O DIA
              Rio - Discussões não são vencidas pelo tom da voz, mas pelos argumentos. É possível falar baixo e ser incisivo. Analogicamente, quem berra não é ouvido. Mais do que sintetizar boas maneiras, as condutas acima resumem os alicerces dum diálogo inteligente. Que pode e deve ser usado nas passeatas — mas uma minoria vem insistindo na grosseria e na boçalidade, querendo ganhar o debate no esperneio. São as frequentes ações de vandalismo que nada contribuem para a causa — e estão angariando antipatia e medo, como O DIA mostra hoje.
              Em junho, precisamente no dia 20, a multidão que lotou o Centro do Rio foi ouvida. A magnitude do ato foi tamanha que as vozes chegaram a todos os cantos do país. Quase dois meses depois, as passeatas já não arregimentam tanta gente — o que é um erro —, mas há os bravos que se dispõem a ocupar as ruas. Estão no pleno direito. A questão é que dentre eles saem mascarados que protagonizam confrontos e paralisam bairros inteiros.
              Na semana que passou houve manifestação de vulto que não teve nem um embate sequer. Os professores, em greve desde o início do mês, foram até as sedes dos governos expor suas causas. Na paz, conquistaram a simpatia dos cariocas.
              Também nesta semana houve drástico exemplo de como a violência aniquila o discurso: no então perturbado Egito, tropas do governo massacraram partidários do presidente deposto, enterrando qualquer nesga de entendimento e jogando o país em tempos de incertezas. Para qual direção o movimento cívico do Brasil quer seguir?
                Tags: Editorial