sábado, 10 de agosto de 2013

Manifestantes protestam contra lei antigay na Rússia

Manifestantes protestam contra lei antigay na Rússia

Ato foi em Londres, perto da residência do premiê David Cameron

O DIA
Londres (Inglaterra) - Centenas de pessoas protestaram ontem em Londres contra uma lei russa antipropaganda gay, que atraiu a condenação internacional antes do início do Campeonato Mundial de Atletismo em Moscou. Reunidos na capital britânica, perto da residência do primeiro-ministro, David Cameron, e do Ministério das Relações Exteriores, os manifestantes pediram ao governo inglês que pressione a Rússia para revogar a lei. 

Com cartazes, bandeiras de arco-íris e gritando palavras de ordem como “Amo a Rússia. Odeio a Homofobia”, os manifestantes pediam mudanças na política russa, que tem atraído críticas de líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. 

Os críticos da legislação antipropaganda dizem que ela efetivamente proíbe todas as manifestações em prol dos direitos dos homossexuais e poderia ser usada para processar qualquer um que expresse apoio aos gays. A lei, bem como a proibição da adoção de crianças por casais do mesmo sexo, faz parte de um rumo mais conservador adotado no último ano pelo presidente Vladimir Putin sobre questões sociais.
    Tags: Gay , Londres , Protesto

    Visita surpresa no Vaticano

    Visita surpresa no Vaticano

    Sem avisar, Papa Francisco aparece em área industrial e cumprimenta trabalhadores

    O DIA
    Cidade do Vaticano - O estilo simples e descontraído do Papa Francisco de se aproximar das pessoas — uma das marcas da sua visita ao Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude, no mês passado — continua surpreendendo católicos em todo o mundo. Na última sexta-feira, Jorge Mario Bergoglio protagonizou dois desses momentos, que tornam seu pontificado mais humano. 

    Por volta das 9h, o Papa visitou de surpresa a pequena área industrial da Cidade do Vaticano. Lá, saudou carpinteiros e operários com afagos, apertos de mão e o largo sorriso, também uma de suas marcas registradas. “Ele chegou de improviso, sem que ninguém tivesse nos avisado. Imagine como ficamos atônitos”, contou um dos carpinteiros ao jornal ‘L’Osservatore Romano’, que registrou o encontro inesperado. 

    O Papa chegou com um carro normal, com placa italiana, acompanhado pelo monsenhor Fabián Pedacchio Leaniz. A visita surpreendeu até mesmo os jornalistas, que trabalham ao lado da área industrial do Vaticano e correram até as janelas para aplaudir o pontífice, que retribuiu o carinho com um aceno.
    OFICINA DE FERREIROS 
    O Papa Francisco entrou primeiro na carpintaria, entreteve-se em volta dos balcões com os empregados que o fitavam com olhos arregalados. Depois foi à oficina dos ferreiros e à central térmica, onde ouviu com interesse as explicações de um trabalhador do turno matutino, apertou a mão dos outros três que saíram, admirados, por detrás das grandes turbinas da central e depois de alguns passos, chegou à oficina hidráulica. Tudo isso em pouco menos de 20 minutos.

    Um tempo breve, mas suficiente para conhecer pessoalmente um ângulo pouco visível mas importante do mundo vaticano, cujas estruturas remontam aos primeiros anos do Pontificado de Pio XI. 

    O Papa Francisco também havia surpreendido ao telefonar pessoalmente para consolar um cidadão italiano, que escreveu uma mensagem para o pontífice no Facebook, lamentando a morte do irmão. “Foi uma emoção única”, descreveu Michel Ferri.
      Tags: Vaticano , Papa , Francisco

      Moto especial levará vacina a lugares de difícil acesso

      Moto especial levará vacina a lugares de difícil acesso

      Novo veículo possibilita a solução de um dos maiores desafios das equipes de saúde. No Rio, poderá ser usado em favelas

      O DIA
      Rio - Levar vacinas em condições ideais a lugares onde ambulância e carro não chegam é desafio  recorrente de equipes de saúde. A solução para o problema, porém, pode estar na ‘motonurse’ (motoenfermeira). O veículo está sendo desenvolvido no Rio de Janeiro e deve estar pronto em 2015. 

      A motocicleta será equipada com um compartimento traseiro que mantém vacinas e materiais, como sangue coletado para exames, refrigerados durante todo trajeto. Isso é possível graças a um sistema de refrigeração autônomo, que irá captar a energia gerada pela moto para manter a temperatura ideal.
      Compartimento traseiro conta com sistema de refrigeração especial
      Foto:  Divulgação
      O projeto é da empresa Fumajet, especializada em tecnologias para saúde, e conta com recursos financeiros da Faperj, ligada à Secretaria estadual de Ciência e Tecnologia. A ‘motonurse’ poderá ser usada em favelas, regiões com pouca urbanização, além de comunidades indígenas e ribeirinhas, onde o acesso é restrito. 

      A ideia de desenvolver a motonurse surgiu em 2012, a partir de um pedido da ONG Médicos Sem Fronteiras, conta o engenheiro mecânico e sócio da Fumajet, Marcius da Costa. “Representantes da ONG relataram que, nas missões em países africanos afetados por guerras e catástrofes naturais, uma das maiores dificuldades é o transporte adequado de vacinas.”

      Segundo Marcius, o baú refrigerado tem capacidade para mil vacinas e terá ferramentas para pequenas cirurgias, espaço para lixo hospitalar, mesa e reservatório de água limpa. “A ideia é transformar a moto em um pequeno ambulatório móvel. Qualquer governo poderá adquirir”, declara.
      A Fumajet trabalha em conjunto com técnicos do Instituto Nacional de Tecnologia. Depois de desenvolvido, o produto deve passar por testes de campo e receber a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
        Tags: Moto , Vacina , Saúde

        Dor de herói

        Dor de herói

        Pesquisa mostra, que apesar da imagem de homens destemidos, bombeiros do Rio podem sofrer com pelo menos três síndromes causadas pela pressão do trabalho. Uma delas é a fadiga da compaixão

        BEATRIZ SALOMÃO
        Rio - Bombeiros: super-heróis do mundo real, mestres em salvar vidas e presentes em situações que vão de acidente de carro a tragédias ambientais. Porém, por trás da farda e da imagem de invencíveis, há pessoas suscetíveis a sentimentos de ‘gente comum’. Pesquisa com 20 bombeiros do Rio de Janeiro revelou sinais de estresse e de transtornos mentais e comportamentais relacionados ao trabalho. 

        Participaram do estudo militares em atividade de diversas patentes e de ambos os sexos. Além do desgaste psicológico, encontrado em todos os bombeiros, foram identificados casos da Síndrome de Burnout, do transtorno de estresse pós-traumático e da fadiga da compaixão (redução desse tipo de sentimento). 

        Os dados, coletados em 2011, integram a tese de doutorado ‘A análise da relação trabalho e saúde na atividade dos bombeiros militares do Rio de Janeiro’, da psicóloga Kátia Maria Oliveira de Souza, do Instituto Fernandes Figueira, da Fiocruz. Durante as entrevistas, foram expostas fotos de bombeiros em atividade. O mecanismo gerou identificação dos profissionais e serviu de estímulo para que eles narrassem a própria trajetória. “Eles são vistos como bravos e guerreiros e a imagem de herói contribui para que as consequências do trabalho na saúde fiquem escondidas”, aponta. 

        IRRITABILIDADE, PESSIMISMO, DEPRESSÃO

        Há ligação direta entre as síndromes identificadas e o trabalho na corporação, já que profissionais das áreas de saúde, educação e serviços assistenciais compõem o grupo de risco para esse tipo de problema. Teng Chei Tung, médico do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, explica que o principal traço do Burnout é o esgotamento emocional devido ao trabalho. Os sintomas incluem irritabilidade, insatisfação com a vida, pessimismo e, em alguns casos, depressão.
        Bombeiros sofrem com síndromes, revela estudo
        Foto:  Severino Silva / Agência O Dia


        Segundo o psiquiatra, a fadiga da compaixão é um efeito do Burnout e seria uma espécie de defesa. “ No caso dos bombeiros, depois de tanto trabalhar em situações adversas, ele acaba ficando anestesiado. Não sofre tanto diante de algo ruim”. Ao contrário da Síndrome de Burnout, que é um problema de esgotamento crônico, o estresse pós-traumático consiste em uma situação de luto causada por um evento negativo, como acidente grave ou morte.

        Os sinais (apatia, depressão e isolamento social) devem permanecer por mais de seis meses. Teng ressalta que o problema causa, inclusive, alterações físicas no cérebro, como a morte de neurônios. “Em muitos casos, pessoas que sofrem com esses transtornos fazem uso de álcool e drogas para amenizar o sofrimento”, declara. Dieta saudável e equilíbrio entre lazer e trabalho ajudam a evitar os transtornos.

        Terapia para lidar com rotina hospitalar

        Profissionais da rede estadual de saúde, como médicos e enfermeiros, contam com tratamento psicológico. O Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, é a unidade de referência para a prevenção de estresse ligado ao trabalho. Além da terapia, há sessões de acupuntura e shiatsu.

        Segundo a Secretaria estadual de Saúde, são cerca de 500 atendimentos por mês. A equipe é composta por especialistas em psiquiatria, psicologia, cardiologia, fisiatria (medicina física e reabilitação), nutrição e fisioterapia.

        De acordo com a psicóloga da unidade, Bárbara Rocha, os profissionais que mais apresentam transtornos são os técnicos de enfermagem, seguidos por enfermeiros, médicos e assistentes sociais. “O serviço trata, principalmente, do sofrimento psíquico, ocasionado pelo dia a dia no hospital. Nas sessões, o profissional é convidado a falar sobre si mesmo e sobre o motivo do estresse”, disse.

        Os problemas mais comuns são ansiedade e depressão. Há ainda casos de dificuldade de adaptação à rotina hospitalar. “Os principais relatos estão relacionados às dificuldades de lidar com o sofrimento, com a dor e com a morte de pacientes”, descreve.

        'É PRECISO SE VER COMO SER HUMANO'
        TENENTE-CORONEL PATRÍCIA FIGUEIREDO, PSICÓLOGA DO CORPO DE BOMBEIROS
        Tenente-coronel Patrícia Figueiredo
        Foto:  Divulgação
        Em 2012, o Corpo de Bombeiros iniciou um treinamento especial com comandantes. Nada sobre salvamentos. O assunto foi como identificar alterações psíquicas relacionadas ao trabalho. Na corporação há 11 anos, a tenente-coronel Patrícia Figueiredo conta que o grande desafio é sensibilizar os bombeiros sobre a necessidade de lidar de forma ‘humana’ com a tensão.
        1. Por que iniciar o acompanhamento psicológico?
        — Temos uma realidade que envolve imprevistos e estresse. E esse estresse pode virar doença. Trata-se de um trabalho preventivo para evitar Burnout e estresse pós-traumático nos bombeiros.
        2. O que já foi feito?
        — Capacitamos comandantes para identificarem problemas psicológicos. Temos no hospital da corporação um espaço para tratar casos diagnosticados como transtornos.
        3. Que tipo de tratamento é oferecido aos profissionais?
        — Temos terapia individual e em grupo. O primeiro grupo foi formado em maio com 10 bombeiros. A maioria trabalha em resgate aéreo e rabecão, situações de grande estresse. São feitos dez encontros com duas horas cada.
        4. Quais são os resultados?
        — Há grande melhora individual e na corporação. Promovemos o bem estar do bombeiro, o que evita que haja baixa produtividade.
        5. A imagem de herói que eles têm é uma pressão extra no trabalho?
        — Sim. Eles usam farda e salvam vidas, mas por trás disso há um ser humano. É importante que eles próprios se exerguem assim.


          Editorial: Abandono na obra da mobilidade

          Editorial: Abandono na obra da mobilidade

          No BRT, muito entristece ver que dinheiro público empenhado em obra cantada como a salvação da lavoura para o transporte público está sendo desperdiçado

          O DIA
          A gestão do transporte público de uma metrópole complicada e espremida como o Rio nunca será tarefa estanque. É preciso pensar e repensar os modais, prever problemas e levantar soluções. Nenhuma sociedade terá plena mobilidade se os meios não passarem por permanente evolução. Mas o que se vê, em alguns casos, é exatamente o contrário: acomodação e abandono. Sexta-feira, O DIA mostrou a lamentável situação do BRT Transoeste no trecho final. Hoje, o jornal traz notícia no mínimo curiosa: ometrô não sabe qual a sua capacidade máxima.
          O CASO DO CORREDOR expresso de ônibus é gravíssimo. Há uma dúzia de estações largadas à própria sorte — ou ao azar de não contar com uma nesga do poder público. Quando não se deterioram, são alvo de saques, viram moradia para mendigos ou, pior, abrigo para traficantes.
          NO METRÔ , é intrigante esse ‘desconhecimento’. Capacidade máxima deveria ser dado tão básico quanto a média de passageiros. São números elementares para começar contas igualmente simples, mas inadiáveis: a expansão da rede e a ampliação da oferta. Incomoda saber que só agora, com a Linha 4 avançando até a Barra — o que trará impacto brutal no sistema —, está se buscando esse dado.
          VALE LEMBRAR que o Transoeste e a Linha 4 estão intrinsecamente ligados, pois, em algum ponto do futuro — espera-se que não seja longínquo —, os sistemas se conectarão. No BRT, muito entristece ver que dinheiro público empenhado em obra cantada como a salvação da lavoura para o transporte público está sendo desperdiçado. São erros que custam caro e mantêm o Rio no atraso.
            Tags: Editorial , BRT , Ônibus

            Augusto Ribeiro: UPPs e trabalho

            Augusto Ribeiro: UPPs e trabalho

            Garantir o acesso de todos ao emprego é assegurar a cidadania, praticada também por meio de ações empreendedoras

            O DIA
            A taxa de desemprego vem caindo nos últimos anos no Rio, e uma das razões foi a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), que têm contribuído para a geração de emprego e renda. Na Rocinha, a chegada de novos empreendimentos comerciais está facilitando a empregabilidade de moradores que antes, para garantir uma boa renda, precisavam sair da comunidade em busca de emprego. 

            O Andaraí foi mais uma favela pacificada e contemplada com as ações de empregabilidade. O Sindicato de Hotéis, Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro (SindRio) cadastrou moradores para as mais de 140 vagas de trabalho em 80 empresas ligadas à entidade. O Complexo do Alemão será a primeira comunidade do mundo a ganhar um shopping. Serão cerca de R$ 20 milhões de investimento para a construção. O empreendimento deverá gerar seis mil empregos diretos. 

            A instalação das UPPs permitiu que serviços da SMTE fossem levados aos cidadãos, facilitando o acesso destes, sendo um exemplo o Centro de Emprego, Trabalho e Renda instalado no Morro da Providência. 

            O trabalho como parte do processo de integração social foi um dos temas levantados pelo Papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude. Em suas palavras: “Do trabalho vem a dignidade da pessoa, que é o poder de ganhar o pão.”

            Garantir o acesso de todos ao emprego é assegurar a cidadania, praticada também por meio de ações empreendedoras. O sentimento de pertencimento e identificação com local em que vivemos é conquistado com a participação da população nas ações cotidianas da cidade. E o trabalho é o meio mais digno para promover plenamente esta participação. 

            Augusto Ribeiro - Secretário municipal de Trabalho e Emprego

              Tags: Augusto Ribeiro , UPP , Artigo

              Frei Betto: Contradições do Brasil

              Frei Betto: Contradições do Brasil

              'É urgente a aplicação de ao menos 10% do PIB na educação'

              O DIA
              Brasil  melhora em quantidade e tropeça em qualidade. O IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano) de 5.565 municípios brasileiros, divulgado pelo Ipea a 29 de julho, subiu 47,5% nos últimos 20 anos. Em 1991, o índice de municípios com IDH “muito baixo” era de 85,8%. Hoje, apenas 0,6%. Naquele ano, nenhum município mereceu a classificação de “muito alto”. Agora, 44 têm IDH “muito alto”. 

              Nosso país melhorou na longevidade, no crescimento da renda da população e na educação. Em 20 anos, a vida média do brasileiro passou de 64,7 anos para 73,9. A renda cresceu 14,2%. 
              Mas é bom não esquecer que nossa distribuição de renda ainda é das piores do mundo. Basta lembrar que o Brasil é a quarta maior fortuna em paraísos fiscais!

              São US$ 520 bilhões (mais de R$ 1 trilhão ou quase um trilhão do PIB brasileiro, que foi de R$ 3,6 trilhões em 2010). Tudo dinheiro sonegado. Nem tudo são rosas também em nosso IDH. Quase 30% das cidades brasileiras têm IDH “muito baixo” no quesito educação. E apenas cinco cidades merecem o índice “muito alto”. 

              A educação é o grande entrave da ‘qualidade Brasil’. Menos da metade de nossos jovens de 18 a 20 anos termina o Ensino Médio: 41% dos alunos. Há 20 anos, apenas 13% dos alunos não se diplomavam no Ensino Médio. Se 59% dos jovens não o concluem, fica difícil para o nosso país suprir seu atual déficit de profissionais qualificados, como médicos e engenheiros.

              Os problemas de nosso Ensino Médio são a falta de qualidade e o abismo entre o que se ensina e a realidade em que vivem os nossos jovens. É urgente a aplicação de ao menos 10% do PIB na educação, o incremento do ensino profissionalizante e o resgate da escola pública gratuita, em tempo integral e de qualidade.

              Frei Betto - Escritor, autor de ‘Alfabetto – autobiografia escolar’

                Tags: Frei Betto , Artigo , Brasil