Rio -  Considerado um dos projetos sociais mais importantes do mundo do samba, a Escola de Mestre Dionisio corre o risco de terminar. Um incêndio destruiu a loja de souvenirs do sambista, localizada no setor 2 do Sambódromo, na última sexta-feira. O empreendimento, de nome "Exposição de Fantasias - Existência e Resistência Cultural", era onde Manoel Dionisio, de 76 anos, ganhava a maior parte do dinheiro necessário para tocar o projeto, responsável pela formação da maioria dos mestre-salas e porta-bandeiras do Carnaval. Em entrevista ao DIA na Folia, o sambista explicou que agora não sabe como fará para continuar.
Aos 76 anos, Mestre Dionisio toca projeto social | Foto: Divulgação
Aos 76 anos, Mestre Dionisio toca projeto social | Foto: Divulgação
O incêndio, que começou às 17h de sexta-feira, não durou muito tempo. Mestre Dionisio já tinha fechado a loja e ia para casa, quando o ligaram e informaram o que tinha acontecido."Tudo que eu investi em quatro meses, eu perdi em 10 minutos", lamentou. Ao chegar no local, Manoel se deparou com sua loja completamente destruída.

"Os bombeiros deram perda total", informou. A estrutura do prédio, localizado no setor 2, do Sambódromo, não chegou a ser abalada, mas Mestre Dionisio perdeu tudo o que estava dentro. "Tinha uma geladeira, dois aparelhos de ar-condicionado, um bebedouro, o armário onde guardava a mercadoria, uma TV plana, 15 manequins e 62 fantasias", explicou Manoel.
De todas as perdas, a que o sambista mais lamenta é a das fantasias. Segundo informou, elas é que traziam o maior lucro para a loja, pois eram muito procuradas por tuirstas que queriam, com fotos, eternizar os momentos vividos na Sapucaí.

As chamas também destruíram 60 livros que ele comercializava. Foram 35 títulos de "Delegado e Dionisio Vidas em Passos de Arte", do jornalista Sérgio Gramático Júnior e 25 obras de "O artesão da Sapucaí", de Carlos Feijó.

Dívida de R$ 10 mil com fornecedores
O sambista aguarda por uma reunião marcada para a próxima segunda-feira, 22, com o secretário municipal de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Melo, para saber a posição da Prefeitura. O incêndio lhe deixou algumas dívidas e a incerteza da continuidade do projeto desenvolvido pela escola.

Segundo informou, ele deve mais R$ 10 mil a fornecedores e, sem a loja, não sabe como fará para pagar. Como o dinheiro necessário para manter o projeto social vinha da loja, ele também não sabe como fará para pagar seus funcionários. A escola tem cinco instrutores do sexo masculino e cinco do sexo feminino, além de duas piscólogas que dão apoio aos beneficiados. Ao todo, os custos mensais do projeto somam cerca de R$ 9.600. Mestre Dionisio não paga o aluguel da loja no Sambódromo, mas arca com manutenção.
Foto: Reprodução Internet
Incêndio atinge loja no Sambódromo | Foto: Reprodução Internet
Mesmo diante dos problemas, Mestre Dionísio não desiste de lutar por seu projeto desenvolvido há mais de 20 anos. "Ontem eu fui dar entrevista a um programa de rádio e acabei dando para três. Depois da quantidade de entrevistas que dei e de pessoas que me ligaram, eu fiquei animado. Todos me diziam: 'A vida continua!'".

Neste difícil momento, o sambista pede a ajuda da população através de doações. Um movimento na Internet divulga a conta e a agência bancária da escola para doações. Pelo Banco Itaú, agência 6178 e conta-corrente 011-86-9, o interessado pode doar qualquer valor à instituição. Dúvidas podem ser tiradas pelos e-mails veronikalu@hotmail.com e mestredionisio1@ig.com.br ou pelo site.
A Escola Mestre Dionisio é responsável pela formação de grande parte dos mestres-salas e porta-bandeiras do Rio | Foto: Divulgação
A Escola Mestre Dionisio é responsável pela formação de grande parte dos mestres-salas e porta-bandeiras do Rio | Foto: Divulgação
Fundado em 17 de julho de 1990, o projeto atua na formação de casais de mestre-sala e porta-bandeira não só das escolas e blocos do Rio de Janeiro, mas de outras cidades dentro e fora do Brasil. O projeto atende crianças, adolescentes e adultos de comunidades carentes. Ao todo, a escola beneficia mais de 300 pessoas.