Rio -  Muiito além dos festejos, o Natal tem um significado especial para voluntários que se dedicam a transformar vidas nesta data. Inspirados na magia do Papai Noel, tornam real o personagem, combatendo tristezas de crianças e famílias carentes. Ceias comunitárias, distribuição de brinquedos e doação de roupas são algumas das ações que levam esperança e ensinam maneiras novas de celebrar.
Pela primeira vez, moradores do Jardim Gramacho, em Caxias, tiveram ontem ceiacomunitária, organizada pelo pastor Anderson Leite, presidente da ONG I de Missões — há seis anos no local. Ele arrecadou mil brinquedos e, para o jantar, contou com doação de cestas básicas de um grande banco e voluntários.
“Apesar do fechamento do lixão, as crianças de Gramacho ainda vivem de forma degradante. É o primeiro de muitos anos que passo o Natal com elas e minha família”, disse Anderson, que ensina judô (equipe Umbra) e jiu-jitsu (Davi Vieira) na ONG.
O casal Marta e Alan Herburgo alegra as comunidades do Grajaú | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
O casal Marta e Alan Herburgo alegra as comunidades do Grajaú | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
A vontade de ver sorrisos nas crianças é o que faz a recepcionista Marta, de 47, e o marido, Alan Herburgo, da mesma idade, celebrarem o Natal há sete anos em comunidades do Grajaú. Eles fazem ceia no dia 24 e Alan encarna o papel do bom velhinho, entregando pipas e bonecas. “É muito gratificante ver um sorriso na criança. O pouco que posso dar, já me sinto bem. Levo meus três filhos para cearem com eles também”, disse Marta, com doações de amigos e comerciantes do bairro.
Já o grupo beneficente Teresa D'ávila mobiliza mais de 100 voluntários, sempre no dia 25, para distribuição de brinquedos e mantimentos na Mangueira, Muquiço e CCPL, na Zona Norte. “Há 10 anos fazemos isso. Nossa meta é montar dois mil kits e arrecadar 100 brinquedos. Ano passado, contamos com 180 voluntários. É maravilhoso levar alegria”, explica Deuza Nogueira, voluntária do projeto.
Para psicóloga, crianças precisam da magia de Natal
A psicóloga Luana Flores, especializada em clínica com crianças, explica que, nesta época, as pessoas tendem a se sentir mais solidárias: “As reflexões da época e a valorização da família nas confraternizações, levam alguns a oferecer ajuda aos menos favorecidos”, diz.
Coordenadora da ONG Projeto Girassol — que oferece atendimento a crianças em três escolas públicas no Rio —, ela destaca que ser voluntário não ajuda só quem precisa.
Os ‘papais-noéis’ que vão às ruas trazem de volta a fantasia e a esperança, essenciais à criança, segundo ela. Essa empatia, que sensibiliza as pessoas, favorece quem ajuda. “Ser voluntário pode significar uma coisa diferente, mas a verdade é que fazer o bem faz bem. Seja durante o ano, ou apenas no Natal.”