Rio -  A eleição para a presidência da Alerj é só em fevereiro, mas os deputados Paulo Melo (atual comandante da Casa) e Domingos Brazão já estão cada um de um lado da trincheira. E mandando recado um para o outro, reeditando a ‘novela’ de 2011.

Os dois peemedebistas estiveram ontem, em audiências separadas, com o governadorSérgio Cabral. Sobre a pauta dos encontros, os dois parecem que ensaiaram, jurando que a disputa não foi assunto. Melo esteve com Cabral duas vezes. Brazão, uma.
 
Melo afirma que está “tranquilo” quanto à sua candidatura ao cargo que já ocupa e que já tem, por escrito, a promessa de voto de 52 dos 70 deputados.

“Sou candidato à reeleição. Respeito o direito de cada um de ser candidato, mas a eleição tem que se dar pelo trabalho que você realiza”, disse ontem.

Quanto a Brazão, Melo garantiu que gostaria de tê-lo a seu lado, mas que o deputado já disse que quer ser candidato. Sobre o acordo que um dia o governador comemorou ter fechado em seu partido para que Melo passasse a presidência a Brazão ao fim de dois anos — em 2013, portanto —, o presidente da Alerj agora economiza: “A política é uma ciência dinâmica.” Para o presidente da Alerj, esse acordo faz parte de um passado que ele não comenta mais.
 
Brazão discorda. De tudo. Ontem, o deputado afirmou que não é candidato e que, para ele, o acordo continua valendo. “Não fica bem a gente ficar medindo forças dentro do partido em vez de discutir o que é melhor para o Estado. Confio na palavra do governador”, provocou, numa mesma resposta, Melo e o próprio Cabral. Mas Brazão admitiu que, se, “lá na frente”, o quadro mudar, “podemos buscar outro caminho”. Que caminho? “Vai acabar tendo reunião para tratar do assunto.”

O governador, por enquanto, trata o caso como assunto do Legislativo. Da outra vez, ele só entrou em cena para acalmar Melo e Brazão em janeiro de 2011.

O acordo que nasceu para dar errado

No início de janeiro de 2011, o governador foi para o Twitter comemorar porque estava convencido de que Paulo Melo e Domingos Brazão haviam selado a paz. Significava que os dois haviam aceitado um acordo que colocaria Brazão na presidência da Alerj no início de 2013. No fim daquele mês, Melo declarou que não tinha mais acordo, e Brazão insistiu em dizer que só Cabral poderia desfazê-lo. Melo foi eleito com 66 dos 70 votos em votação que teve só a sua chapa.