Rio -  Poucas pessoas sabem que, se não fosse por Luiz Gonzaga, o sanfoneiro e cantor Dominguinhos iria adotar Neném do Acordeom como nome artístico. Essa e outras histórias estão reunidas no documentário ‘Dominguinhos Canta e Conta Luiz Gonzaga’, que terá sua primeira versão lançada gratuitamente na Internet na próxima quinta-feira, dia do centenário de Gonzagão.
As histórias vivenciadas ao lado do Rei do Baião | Foto: Divulgação
As histórias vivenciadas ao lado do Rei do Baião | Foto: Divulgação
“Ele foi como um pai para mim. Eu o conheci em 1949, tinha apenas 9 anos e tocava pandeiro. Depois que assisti a um show dele mudei para a sanfona. Quando tinha 16 anos e estava começando na música, nós dois morávamos no Rio e ficamos muito amigos, eu não saía da casa dele. No dia em que ele ia me apresentar para a imprensa, me chamou e disse que Neném do Acordeom não era nome de músico. Resolveu então que eu me chamaria Dominguinhos, em homenagem a Domingos do Ambrósio, um dos mestres musicais dele”, relata Dominguinhos.
O documentário dirigido por Wagner Malagrine e Mauricio Machado é um autêntico road movie. O primeiro encontro dos documentaristas com Dominguinhos aconteceu em Recife. De lá, o músico embarcou em uma caravana junto com os cineastas até Garanhuns, em Pernambuco, sua cidade natal e também onde conheceu Luiz Gonzaga. “Aproveitamos o fato de ele não gostar de avião e, durante a viagem de carro, ele contou histórias e cantou músicas de Gonzaga em vários lugares, como no picadeiro de um circo”, conta Wagner.
O filme é só mais uma das reverências ao centenário do Rei do Baião que acontecem em todo o País. Dominguinhos mesmo vai cantar músicas do Velho Lua no dia 13, em show na cidade de Exu, no Pernambuco, onde Gonzagão nasceu. “Estamos falando de gênios: um, o criador, que fez uma revolução cultural, divulgando o Nordeste para todo o Brasil. Outro, o seguidor Dominguinhos, tão mestre quanto Gonzaga, aprendeu e ensinou, e demonstra no filme que o baião não é apenas um ritmo, mas uma forma de manifestação cultural valiosíssima”, avalia Wagner, que lança em 2013, a versão em DVD do documentário.