Homossexuais uruguaios esperarão até abril por votação sobre casamento gay
Votação do casamento gay foi adiada para abril | Foto: Reprodução Internet
"Hoje não é um bom dia para os uruguaios, para todos os uruguaios, porque o que está em jogo é que tipo de sociedade queremos", disse nesta quarta-feira a advogada Michelle Suárez, do coletivo Ovelhas Negras. Michelle, que é a primeira advogada transexual uruguaia, redigiu a maior parte do projeto de lei do casamento igualitário, que depois a governante coalizão de esquerda Frente Ampla impulsionou no Parlamento.
A ideia básica do projeto é "buscar uma sociedade mais igualitária e sem discriminação por orientação sexual", acrescentou. Para a advogada, a decisão do Senado "não é mais que uma perda de tempo" porque "em quatro meses não mudará nada no país".
Os senadores decidiram hoje por unanimidade adiar a análise e a votação do projeto de lei para a primeira sessão de abril, após o recesso parlamentar de verão, informaram à Efe fontes legislativas. O projeto, respaldado por quase todos os membros da Frente Ampla, que tem maioria em ambas câmaras, gera divergências e divisões em todos os partidos com representação parlamentar.
O Governo tentou hoje fazer pesar sua maioria e que o documento fosse aprovado, mas sem passar previamente para a análise pelas comissões especializadas como é habitual nos projetos de lei. Essa urgência governista para aprovar a lei de casamento igualitário foi rejeitada por vários legisladores opositores que acusaram os senadores da Frente Ampla de "autoritarismo" e "atropelo".
Finalmente, após um quarto intermédio e negociações no Parlamento, todos os partidos se puseram de acordo em adiar o debate e a votação pelo menos até abril. Michelle Suárez não escondeu suas reservas sobre a possibilidade que o projeto seja enviado para estudo a algumas das comissões especializadas, o que "poderia chegar a atrasar em mais de um ano sua votação".
Modificações no Código Civil
O projeto de lei do casamento igualitário inclui várias modificações no Código Civil, entre elas que, caso a iniciativa seja aprovada, "o casamento será a união permanente entre duas pessoas do mesmo ou diferente sexo".
"Estamos diante de um projeto que define mudanças substanciais no Código Civil e não pode ser votado às pressas", declarou o senador Sergio Abreu, do Partido Nacional. "Devemos atuar com absoluta seriedade, com a assessoria adequada e analisando todas as possíveis consequências", acrescentou Abreu.
Atualmente, a legislação uruguaia não permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, mas a Justiça do país reconheceu há alguns meses o casamento realizado em 2010 na Espanha entre um uruguaio e um espanhol. No entanto, posteriormente, a Procuradoria apelou da decisão.
As informações são da EFE
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