Rio -  A sexta-feira de 19 de dezembro de 2008 entrou para a história do Rio. Naquele dia, nascia a primeira Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na comunidade Santa Marta. Hoje, Santa Marta não é mais uma favela isolada da cidade e dominada pelo tráfico, é parte do bairro de Botafogo. Da mesma forma que a Cidade de Deus está cada vez mais integrada a Jacarepaguá, e Pavão-Pavãozinho, Tabajaras-Cabritos e Babilônia-Chapéu Mangueira compõem os bairros de Copacabana e Leme.

A cada nova UPP, a cidade recupera parte de seu território e abrem-se novas oportunidades de vida para seus moradores. Diminui-se a cidade partida, trazendo segurança e possibilidades de desenvolvimento econômico e social para todos.

Nesses quatro anos, o projeto das UPPs cresceu e foi aprendendo com seus erros e acertos. Já temos 28 Unidades de Polícia Pacificadora com cerca de 7 mil policiais e nova mentalidade de policiamento. Nessas UPPs, há 175 comunidades pacificadas, onde moram cerca de 380 mil pessoas que voltaram a ter direitos básicos de cidadania — como o de entrar e sair de casa sem ter que pedir permissão ao traficante. Em janeiro inauguramos mais duas UPPs, Manguinhos e Jacarezinho.

Essa nova realidade promoveu a revalorização da vida humana. De janeiro a outubro de 2012, em comparação com o mesmo período em 2006, o número de homicídios dolosos caiu 36% — de 5.049 mortes em 2007, para 3.342 em 2012. Menos pessoas morrem, mais pessoas vivem melhor.

As UPPs vieram para ficar. Vamos chegar a 40 Unidades até 2014. Não é só um projeto de segurança, é uma política de Estado, de valorização da vida e de geração de esperança para o povo carioca e fluminense.
José Mariano Beltrame é secretário Estadual de Segurança do Rio de Janeiro