Ela é a nº 1 dos bastidores do camarote dos famosos
Está aberta a temporada de caça a uma camisa de camarotes badalados da Sapucaí. E são os chamados “promoters” os seres mais bajulados do planeta por esses dias. Contratados por grandes cervejarias, são eles os responsáveis por fazer daquele espaço VIP o local mais desejado do País nos dias de folia.
Por isso, a entrevista de hoje da coluna é com a mais poderosa promoter do Brasil, Alicinha Cavalcanti. Mesmo morando em São Paulo, a carioca de 49 anos — “embora eu faça a comemoração anual dos 38”, diz ela — é a principal responsável por levar estrelas para o Camarote da Brahma, no Sambódromo do Rio. A entrevista, feita por telefone, foi marcada por ela para as 15h. Às 14h59, toca o telefone deste colunista. Do outro lado, Alicinha fala: “Vamos?”. É esta a mulher prática, pontual e objetiva que você vai conhecer um pouco mais a partir de agora.
Você é pontual sempre?
Tenho pavor de deixar as pessoas esperando, prefiro esperar.
Tenho pavor de deixar as pessoas esperando, prefiro esperar.
É difícil não se atrasar em São Paulo, né?
Mas tem que se preparar.
Mas tem que se preparar.
E a sua tolerância para o atraso dos outros?
Não gosto muito, mas espero. No meu escritório, eu trabalho até tarde, né? Então, fico trabalhando enquanto espero. Quando marco, não atraso de jeito nenhum, chego sempre antes.
Não gosto muito, mas espero. No meu escritório, eu trabalho até tarde, né? Então, fico trabalhando enquanto espero. Quando marco, não atraso de jeito nenhum, chego sempre antes.
Você nasceu em Sobral, no Ceará, né?
Não nasci em Sobral. Você não pode levar o Wikipedia em consideração. Meus avós paternos e maternos são cearenses, meus pais são cearenses. Eu fui feita no Ceará, mas nasci no Rio, depois morei em São José do Rio Preto, aí fui expulsa do colégio e terminei o ano em Sobral. Só fui a Sobral uma vez na vida.
Não nasci em Sobral. Você não pode levar o Wikipedia em consideração. Meus avós paternos e maternos são cearenses, meus pais são cearenses. Eu fui feita no Ceará, mas nasci no Rio, depois morei em São José do Rio Preto, aí fui expulsa do colégio e terminei o ano em Sobral. Só fui a Sobral uma vez na vida.
Mas você foi expulsa do colégio?!?
Fui, mas vamos fazer a entrevista com a pessoa jurídica (risos). Peraí, que vou atender a uma ligação. (‘Eu não atendo bloqueado, desculpa!’, diz Alicinha em outra linha, e desliga rapidamente).
Fui, mas vamos fazer a entrevista com a pessoa jurídica (risos). Peraí, que vou atender a uma ligação. (‘Eu não atendo bloqueado, desculpa!’, diz Alicinha em outra linha, e desliga rapidamente).
Você não atende a chamadas restritas?
Pois é, telefone celular é uma coisa muito invasiva. Até para o meu marido, quando ligo, a primeira coisa que pergunto é se ele pode falar. Chamada bloqueada pode ser gente que eu não conheço, pode ser gente pra pedir alguma coisa… Então, eu não atendo.
Pois é, telefone celular é uma coisa muito invasiva. Até para o meu marido, quando ligo, a primeira coisa que pergunto é se ele pode falar. Chamada bloqueada pode ser gente que eu não conheço, pode ser gente pra pedir alguma coisa… Então, eu não atendo.
Você atende e diz que não atende bloqueado?
Isso. Às vezes, acontece também de alguma secretária de alguma pessoa me ligar e falar: “Oi, Alicinha, tudo bem?”. Aí, me dá vontade de falar: “Se eu disser que não está tudo bem, você vai resolver?” (risos). Eu não tenho mais rádio por isso. As pessoas, de repente, começam a falar no viva voz e você se assusta com aquilo. Eu tinha dois celulares paulistanos, dois cariocas e dois rádios. Agora, eu só tenho o celular de São Paulo.
Isso. Às vezes, acontece também de alguma secretária de alguma pessoa me ligar e falar: “Oi, Alicinha, tudo bem?”. Aí, me dá vontade de falar: “Se eu disser que não está tudo bem, você vai resolver?” (risos). Eu não tenho mais rádio por isso. As pessoas, de repente, começam a falar no viva voz e você se assusta com aquilo. Eu tinha dois celulares paulistanos, dois cariocas e dois rádios. Agora, eu só tenho o celular de São Paulo.
Como é que você começou no mundo de festas?
Eu tinha uns 18 anos e queria fazer uma festa. O José Victor Oliva (dono da empresa Banco de Eventos) perguntou se eu tinha dinheiro. Ele disse: “Olha, eu tenho uma segunda-feira aqui, você traz a bebida e eu te dou o resto”. Peguei todas as bebidas da minha casa, da casa dos amigos, e, quando cheguei lá, me falaram: “Nã nã ni nã não, bebida aqui é com nota (fiscal). É a casa mais visada do Brasil”. Fui ao supermercado e comprei aquele uísque Passport barato. Quando cheguei com caixas e caixas daquilo, ele me falou: “Pelo amor de Deus, não posso acreditar que vou ter que servir esse uísque vagabundo nos meus copos de cristal Baccarat” (risos).
Eu tinha uns 18 anos e queria fazer uma festa. O José Victor Oliva (dono da empresa Banco de Eventos) perguntou se eu tinha dinheiro. Ele disse: “Olha, eu tenho uma segunda-feira aqui, você traz a bebida e eu te dou o resto”. Peguei todas as bebidas da minha casa, da casa dos amigos, e, quando cheguei lá, me falaram: “Nã nã ni nã não, bebida aqui é com nota (fiscal). É a casa mais visada do Brasil”. Fui ao supermercado e comprei aquele uísque Passport barato. Quando cheguei com caixas e caixas daquilo, ele me falou: “Pelo amor de Deus, não posso acreditar que vou ter que servir esse uísque vagabundo nos meus copos de cristal Baccarat” (risos).
Você vem de uma família abastada?
Nossa, mas eu não sabia que a entrevista era essa! Bom, meu avô tinha plantação de mandioca e fábrica de farinha. Os pais da minha mãe foram para São José do Rio Preto. E o que era uma fazenda enorme no Ceará virou uma chácara no interior de São Paulo.
Nossa, mas eu não sabia que a entrevista era essa! Bom, meu avô tinha plantação de mandioca e fábrica de farinha. Os pais da minha mãe foram para São José do Rio Preto. E o que era uma fazenda enorme no Ceará virou uma chácara no interior de São Paulo.
Você é muito objetiva?
Minha mãe só teve duas filhas, então eu era o filho que meu pai não teve. Me ensinou a dirigir com 9 anos, jogar sinuca, manusear armas. Eu tinha tudo pra ser uma sapatão desgovernada. Eu gosto de brinquedo de menino, de sinuca, de Playstation.
Minha mãe só teve duas filhas, então eu era o filho que meu pai não teve. Me ensinou a dirigir com 9 anos, jogar sinuca, manusear armas. Eu tinha tudo pra ser uma sapatão desgovernada. Eu gosto de brinquedo de menino, de sinuca, de Playstation.
Você ganha muitos ‘amigos’ no Carnaval?
Tenho quase 37 mil pessoas cadastradas. Não conto meus amigos verdadeiros na mão. De amigos próximos, chega a 300. E outra coisa: não tenho nenhum nome de uma pessoa que não me dê os contatos de próprio punho. Eu estava louca para ter teu e-mail, telefone, mas eu não posso pedir pra outra pessoa e depois você receber um e-mail e pensar: “Como é que essa louca conseguiu me achar?”.
Tenho quase 37 mil pessoas cadastradas. Não conto meus amigos verdadeiros na mão. De amigos próximos, chega a 300. E outra coisa: não tenho nenhum nome de uma pessoa que não me dê os contatos de próprio punho. Eu estava louca para ter teu e-mail, telefone, mas eu não posso pedir pra outra pessoa e depois você receber um e-mail e pensar: “Como é que essa louca conseguiu me achar?”.
Tem muito famoso que chega em você querendo um passe livre?
Já teve muito disso, mas as pessoas pararam. Meu telefone não toca tanto, as pessoas sabem como trabalho, já tomei carteirada de Brasília, mas não adianta. Eu sempre digo que a única lista que eu mesma decido é a do meu aniversário. Promoter, às vezes, pensa que é artista, né? Você não vê fotos minhas no camarote da Brahma. Pode me ver desfilando na Grande Rio. Só.
Quando te vi na Brahma, foi lá na portaria para pegar a Sabrina porque ela era contratada da Skol… Sabrina Sato ou o Zezinho da Pereira, sendo convidado, você tem que pegar no colo. Eu sou manobrista, garçonete, babá, segurança, sou qualquer coisa.
Já teve muito disso, mas as pessoas pararam. Meu telefone não toca tanto, as pessoas sabem como trabalho, já tomei carteirada de Brasília, mas não adianta. Eu sempre digo que a única lista que eu mesma decido é a do meu aniversário. Promoter, às vezes, pensa que é artista, né? Você não vê fotos minhas no camarote da Brahma. Pode me ver desfilando na Grande Rio. Só.
Quando te vi na Brahma, foi lá na portaria para pegar a Sabrina porque ela era contratada da Skol… Sabrina Sato ou o Zezinho da Pereira, sendo convidado, você tem que pegar no colo. Eu sou manobrista, garçonete, babá, segurança, sou qualquer coisa.
Qual é o segredo para ficar tanto tempo na ativa fazendo coisas bacanas?
Eu já dou uma resposta que inventei: sapatinho de concreto pra manter o pé no chão e aparelho de “humildeficador” ligado 24 horas por dia.
Eu já dou uma resposta que inventei: sapatinho de concreto pra manter o pé no chão e aparelho de “humildeficador” ligado 24 horas por dia.
“Humildeficador”?
É (risos)!
É (risos)!
E novidades para o camarote da Brahma para 2013?
Ô, meu amor. Ainda não se pode falar disso.
Ô, meu amor. Ainda não se pode falar disso.
Tem muita promoter que se acha artista. Você sabe diferenciar?
Não tenho esse problema, não. Isso foi intuitivo na minha vida, não me espelhei em ninguém. Nem sabia no que ia dar e, hoje em dia, se eu quiser fazer a minha festa em algum lugar, as pessoas me pagam por isso. Nunca namorei artista, sei o meu lugar.
Não tenho esse problema, não. Isso foi intuitivo na minha vida, não me espelhei em ninguém. Nem sabia no que ia dar e, hoje em dia, se eu quiser fazer a minha festa em algum lugar, as pessoas me pagam por isso. Nunca namorei artista, sei o meu lugar.
Quem sempre vai ter lugar na sua lista VIP?
É uma lista grande. O (José) Victor Oliva é um deles.
É uma lista grande. O (José) Victor Oliva é um deles.
E quem nunca vai ter?
Gente que briga, arruma encrenca, dá trabalho.
Gente que briga, arruma encrenca, dá trabalho.
Quem é seu sonho de consumo numa lista?
Tenho consciência de que nunca vou conseguir: Chico Buarque.
Tenho consciência de que nunca vou conseguir: Chico Buarque.
Mas você já tentou?
Tentei até contratar para show, mas me parece que ele não trabalha por dinheiro, porque a grana era muito alta.
Tentei até contratar para show, mas me parece que ele não trabalha por dinheiro, porque a grana era muito alta.
Você muda de telefone com frequência?
Não. Nunca mudei de telefone. E tenho o costume de cadastrar meus convidados para atendê-los a qualquer hora, nem que seja para explicar como se chega ao local de credenciamento. Se você convida, você tem obrigação de dar atenção.
Não. Nunca mudei de telefone. E tenho o costume de cadastrar meus convidados para atendê-los a qualquer hora, nem que seja para explicar como se chega ao local de credenciamento. Se você convida, você tem obrigação de dar atenção.
Como se diz um ‘não’ de maneira elegante?
Tem muita gente que eu ignoro porque não sei sobre o que eles estão falando. Mas tenho que explicar para muitas pessoas que eu não sou a anfitriã, não sou eu que decido. Posso sugerir, mas quem decide é o cliente. Pedir, eu não peço. E meus amigos já entendem.
Tem muita gente que eu ignoro porque não sei sobre o que eles estão falando. Mas tenho que explicar para muitas pessoas que eu não sou a anfitriã, não sou eu que decido. Posso sugerir, mas quem decide é o cliente. Pedir, eu não peço. E meus amigos já entendem.
Mas muita gente acha que você decide?
Acho que sim, porque brinco no Twitter me chamando de “Alistinha Cavalcanti”.
Acho que sim, porque brinco no Twitter me chamando de “Alistinha Cavalcanti”.
Você testemunha muito bafo?
Acho que não posso contar. Já tem uns 10 anos que editoras querem fazer meu livro. São quase 30 anos de eventos. Tenho milhares de fotos! Dão dois livros! Mas eu poderia fazer um outro livro, póstumo, para ser publicado 15 anos depois da minha morte (risos), porque muita gente vai ter morrido também. O dinheiro da venda iria para a Sociedade Viva Cazuza.
Acho que não posso contar. Já tem uns 10 anos que editoras querem fazer meu livro. São quase 30 anos de eventos. Tenho milhares de fotos! Dão dois livros! Mas eu poderia fazer um outro livro, póstumo, para ser publicado 15 anos depois da minha morte (risos), porque muita gente vai ter morrido também. O dinheiro da venda iria para a Sociedade Viva Cazuza.
O que você faz quando vê uma briga na sua frente?
Percebo muita coisa, mas não quero ser testemunha pra quando ventilar não acharem que fui eu. Só interfiro na situação quando há necessidade de suporte.
Percebo muita coisa, mas não quero ser testemunha pra quando ventilar não acharem que fui eu. Só interfiro na situação quando há necessidade de suporte.
Os bafos nos camarotes
“Na coletiva de imprensa de 2010, ninguém sabia que a Madonna vinha. Ela demorou a descer do quarto e eu acabei anunciando o nome dela antes no Twitter. As pessoas começaram a me chamar de louca, achando que era mentira. Deu no que deu. A Madonna vestiu a camiseta da Brahma”.
“Teve uma atriz que dava truque pra levar a família. Ela pegava o ônibus de convidados pra ir ao camarote e, chegando lá, já pegava outro para ir embora. Como eu sou porteira, eu via e ia atrás: ‘Vamos ali, amor, dar uma entrevista, tirar umas fotos, vamos dar uma voltinha, 40 minutos, bobagem!’”.
“A Gabi (Marília Gabriela) já fez uma crônica falando do meu excepcional preparo físico para livrá-la de um ‘embaixador de boa estirpe e mau comportamento’, como ela disse. Ela conta que seus amigos marmanjos, perplexos, nada faziam. Eu vi o sujeito de longe tentando beijar a Gabi e a tirei de lá na hora!”.
“No início, não tinha credenciamento na Brahma. A gente só entregava a camiseta. Depois, começou uma coisa de que o acompanhante só podia se credenciar após o credenciamento do titular. E lá no Sambódromo, se o titular não chegasse, a pessoa que era acompanhante não podia entrar. A família do Ronaldo (Fenômeno) teve que ficar esperando pra entrar até que ele chegasse, e eu fiquei cuidando deles”.
“Numa reunião, eu escrevi no papel ‘@pretamaria’ e, ao lado, ‘Preta Gil’. Um diretor me perguntou: ‘O que é isso’. Eu disse: ‘Show, um show! Você tem que levá-la’. Eu disse que ia bombar, que todo mundo ia adorar, e foi o que aconteceu no
camarote”.
camarote”.
“Já recebi um colar de brilhantes, meu amor. Foi enviado por uma pessoa que conheci numa festa anterior. Estávamos próximos do Carnaval. A dedicatória: ‘Para uma pessoa que brilha tanto brilhar um pouco mais. Quem sabe a gente se encontra no Rio’. Devolvi na hora!”.
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