Tunísia - A tensão política na Tunísia se agravou depois que o partido governista islâmico Ennahda rejeitou nesta quinta-feira a proposta do primeiro-ministro, Hamadi Jebali, de nomear um gabinete provisório composto por tecnocratas, em substituição a ministros do seu partido, de orientação islâmica moderada.
A crise começou quarta-feira, quando milhares de tunisianos foram às ruas em dez cidades protestar contra o governo, após a morte a tiros do líder de esquerda Chokri Belaid. O crime motivou as maiores manifestações na Tunísia desde a revolução de 2011, que derrubou a ditadura de Zine al-Abidine Ben Ali, no movimento conhecido como Primavera Árabe.
Basma Belaid, viúva de Chokri Belaid, chora ao lado do caixão do líder da oposição, morto a tiros em Túnis | Foto: EFE
Basma Belaid, viúva de Chokri Belaid, chora ao lado do caixão do líder da oposição, morto a tiros em Túnis | Foto: EFE
O governo teme novos distúrbios nesta sexta-feira, dia do funeral de Belaid, secularista e adversário ferrenho do governo. Oposição e sindicatos convocaram para hoje uma greve geral, a primeira no país em 34 anos.
Ao saber da morte de Belaid, o premier anunciou que iria reformar seu gabinete e convocar eleições, assim que possível. Mas dirigentes do Ennahda ficaram contrariados. “O premier não pediu a opinião do seu partido”, disse o vice-presidente da agremiação, Abdelhamid Jelassi.
Durante os protestos, manifestantes atearam fogo a uma delegacia em Kelibia e à sede do Ennahda, em Túnis. Próximo ao Ministério do Interior, policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Pelo menos sete pessoas ficaram feridas em Gafsa e grupos saquearam lojas de eletrônicos em Sfax. Com medo da violência, lojas de Túnis fecharam as portas no início da tarde.
A oposição exige a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte (ANC), que há 15 meses discute, mas não consegue redigir uma Constituição devido à falta de consenso de deputados. “O governo já não é capaz de dirigir o país e deve renunciar pelo interesse do povo, da Tunísia e de sua estabilidade”, disse o opositor Beji Caid Essebsi.