Rio -  Dados do INSS repassados com exclusividade à Coluna revelam que 65 das 67 cidades do estado, incluindo a capital, que contam com agências da Previdência Social, têm suas economias turbinada mais pelos benefícios pagos pelo INSS do que pelas verbas repassadas pelo governo federal por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Na lista das dez primeiras cidades, três são da Baixada: Duque de Caxias, Nova Iguaçu e São João de Meriti.
'Mesmo aposentado pelo INSS, ainda continuo trabalhando como motorista', diz Enildo dos Santos, morador de Duque de Caxias | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
'Mesmo aposentado pelo INSS, ainda continuo trabalhando como motorista', diz Enildo dos Santos, morador de Duque de Caxias | Foto: Paulo Alvadia / Agência O Dia
Com 102 mil aposentados, pensionistas e trabalhadores que recebem benefícios assistenciais, Caxias movimenta R$ 123 milhões (4.000% a mais do que toda a verba repassada pela União por meio do FPM). A cidade está no topo do ranking dos municípios que têm nos benefícios previdenciários grande fonte de geração de receitas.
No lado oposto da lista está Cardoso Moreira, na Região Norte-Fluminense. O pequeno município tem pouco mais de 12 mil habitantes, segundo o IBGE, sendo 9 mil de segurados do INSS. Só eles movimentam R$ 371 mil, 1% acima de todo o FPM, novalor de R$368 mil.
MUNICÍPIOS PEQUENOS
Para o economista do Ibmec, Nelson de Souza, o impacto das aposentadorias e pensões do INSS na economia de Cardoso Moreira e municípios pequenos revela muito mais da importância e dependência dessas receitas para a sobrevivência da cidade.
“Em Caxias se identifica peso expressivo das receitas originárias de benefícios previdenciários, mas não há uma dependência, já que a cidade conta com outras formas de agregação de riqueza, como a a Reduc. Mas quando se olha para os menores, com atividade econômica pouco diversificada, o peso é altamente expressivo”, avalia.
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Foto: O Dia
Arte: O Dia
Na capital, o volume em dinheiro movimentado por meio do INSS é 731% superior ao FPM. Em números, 1 milhão de segurados injetam na economia carioca R$103 milhões por mês, frente aos R$ 12 milhões recebidos por meio de verbas federais.
Gerente de Estudos Econômicos do Sistema Firjan, Guilherme Mercês faz ressalva aos números. "Para a Região Sudeste e Sul, o FPM tem menos importância no orçamento das prefeituras, pois os municípios têm economia mais dinâmica. Para melhor medir a contribuição das aposentadorias do INSS sobre a economia o ideal seria olhar para a renda gerada pela massa de trabalhadores”, sugere.