Rio -  Nada mais triste e até constrangedor do que apontar as mazelas de parte da população do Rio de Janeiro. Pessoas que dividem com a grande maioria o verdadeiro privilégio que é morar numa cidade “abençoada por Deus e bonita por natureza”, como tão bem cantava o inesquecível Wilson Simonal, a letra de Jorge Ben Jor.
Essa temporada deveria ser só alegria, com dezenas de milhares de visitantes, com eventos de samba diários, inclusive nas ruas e calçadas, nos bares e quiosques. Mas a falta de policiamento e a omissão da Guarda Municipal dão um clima de impunidade a atos que assustam turistas estrangeiros e envergonham os cariocas.
A falta mais malcheirosa é o uso de postes, muros e meio-fios para urinar, o que com o sol forte potencializa o odor. Logo depois, vem o uso do som de automóveis, ou mesmo de casas, abusivamente alto, perturbando o cidadão comum, que não deve ser obrigado a ter o mesmo gosto musical do responsável pela zoada.
Há a população drogada que dorme, a qualquer hora do dia, nas praças e calçadas, numa prova triste de insensibilidade de todos. Nossa cidade também não merece mostrar grupos descamisados, com o corpo para fora de ônibus e vans. E pedintes tumultuam a orla marítima e os acessos a pontos turísticos, como Pão de Açúcar e Corcovado, rodoviária e aeroportos.
Nada justifica essa demonstração de desordem, estranhamente protegida por grupos políticos de oposição, indiferentes ao conceito da cidade e sua vocação econômica para o turismo, tão gerador de bons empregos. A Lapa, hoje um ponto de euforia e confraternização, de alegria pré-carnavalesca, sofre com o assédio de drogados, pedintes e menores infratores. A violência nos assaltos choca, e as notícias correm mundo.
Sem uma ação enérgica, já tentada, mas logo recuada, a recepção a tantos turistas se tornará mais negativa do que positiva. Tolerância zero, para o bem de todos!
Jornalista