Rio -  O comerciante Alexandre Carvalho de Souza sempre levou uma vida saudável. Agora, aos 45 anos, começou a se sentir cansado, demora a pegar no sono, se irrita mais facilmente e até o seu apetite sexual já não é o mesmo de alguns anos atrás.
Na consulta ao seu urologista, e depois de exames laboratoriais, ficou sabendo que o seu nível de hormônio testosterona está abaixo do ideal para a idade, o que explica as queixas. A redução gradual do nível de testosterona a partir dos 40 anos é normal e varia de 1% a 2% ao ano.

Tanto que aos 50 anos cerca de 6% dos homens apresentam essa alteração e, aos 80, 50% têm deficiência hormonal. Mas quais são os prós e contras de recorrer à reposição hormonal masculina?
Médicos alertam que o tratamento não é para quem quer, mas para quem precisa. Manter hábitos saudáveis, com dieta balanceada e prática de atividade física regularmente, ajuda a atrasar o aparecimento da deficiência de testosterona, o principal hormônio masculino.
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Diferentemente das mulheres, os homens não têm uma fase determinada para o fim da produção de testosterona. Os médicos nem gostam de usar o termo andropausa, preferindo atribuir as queixas de desânimo, falta de desejo sexual, dificuldade de ter ou manter a ereção, queda de cabelo, pele ressecada, insônia, falha de concentração e fraqueza muscular à deficiência androgênica do envelhecimento.
Para fazer o diagnóstico, os médicos fazem consulta detalhada e pedem exames laboratoriais. Um deles indica o nível de testosterona total; dosada de manhã, em três dias consecutivos.
Ela deve estar acima de 300ng/dl (nanogramas por decilitro). A confirmação da queda hormonal ocorre com o aumento da concentração da proteína que carrega o hormônio sexual para a célula.
Além da dosagem de testosterona, o médico pedirá exame de densitometria, para avaliar a perda óssea: “Não indico a reposição hormonal em indivíduos com taxas normais de hormônio, porque há risco de o tratamento causar esterilidade e estimular ocrescimento do câncer de próstata e de mama, se o paciente já tiver esses tumores”, diz o médico Celso Dantas, responsável pelo serviço de urologia do Hospital Badim e membro da Sociedade Brasileira de Urologia.
Reposição requer rígido controle
A reposição de testosterona pode ser feita com comprimidos, hormônio injetável ou por meio de adesivos ou gel aplicados na pele, usados e receitados sob rigorosa supervisão médica. Uma das opções mais indicadas é a aplicação da droga undecanoato de testosterona por via intramuscular, diz o urologista Celso Dantas.
Em geral, o efeito dura três meses. Após esse período, é feita nova dosagem para saber a necessidade de outra aplicação. Normalmente, receita-se a cada três meses uma ampola que custa até R$ 350.
O único hormônio usado é a testosterona, diz o endocrinologista Mauricio Bungerd Forneiro, do Hospital do Rio. O efeito vem com o decorrer do tratamento, e o homem precisa seguir à risca a orientação médica e passar periodicamente por exames clínicos e laboratoriais.
Indicação em casos precisos
Com a interrupção do tratamento, as queixas relacionadas à deficiência hormonal tendem a voltar. No livro ‘Te Cuida! - Guia para uma Vida Saudável’, do cardiologista Cláudio Domênico (Casa da Palavra), o urologista Roberto Costa, do Hospital Federal dos Servidores, destaca a importância da testosterona desde cedo.
Já na adolescência, esse hormônio estimula o aparecimento das características masculinas, como aumento da massa muscular, engrossamento da voz, crescimento de pelos, desenvolvimento do pênis e amadurecimento dos espermatozoides. Ele diz que ‘os sintomas da deficiência de testosterona surgem sutilmente, sugerindo até depressão’.
A reposição somente será indicada ‘quando a redução de testosterona afetar o bem-estar e as dosagens forem comprovadamente baixas’. O objetivo é melhorar o bem-estar, físico e emocional, afirmam os médicos. Doenças de próstata são algumas das contraindicações ao tratamento de reposição hormonal depois dos 50. 
Reportagem: Antônio Marinho