Rio -  Nascido no Vidigal, o professor de música Mauro Quintanilha e um grupo deamigos foram responsáveis por transformar um lixão de 8,5 mil metros quadrados no alto do morro em um verdadeiro oásis verde. Agora, o espaço ganhou mais um upgrade, com a improvável conexão Vidigal-Harvard-asfalto do Rio. Pedro Henrique de Cristo, 30 anos, paraíbano formado em Políticas Públicas na prestigiosa universidade americana, idealizou projeto para tornar o Sitiê um parque ecológico e de educação, com arquitetura de alto nível, voltada para o aprendizado e sustentabilidade.
Fundador da entidade Cidade Unida — que recebeu prêmio do ONU-Habitat por programas de políticas públicas em favelas do Rio —, ele convocou amigos arquitetos de Harvard que viraram três noites na elaboração dos projetos em computador.
Mauro, Pedro e Caroline posam em frente a escadaria feita de pneus na área de 8, 5 mil metros quadrados, hoje com árvores do Jardim Botânico | Foto: Raphael Gomide / Agência O Dia
Mauro, Pedro e Caroline posam em frente a escadaria feita de pneus na área de 8, 5 mil metros quadrados, hoje com árvores do Jardim Botânico | Foto: Raphael Gomide / Agência O Dia
“Aqui será tudo ‘estado-da-arte’, do bom e do melhor. Aos poucos, conseguimos parceiros. Devemos ter doação de todo o material para a obra”, diz Pedro, que estima o custo total em cerca de R$ 200 mil, nada tão vultoso. Ele, porém, não quer participação da administração pública. “Basta que não nos atrapalhem”, afirmou.
O projeto prevê decks de madeira, salas interativas com computadores, lugares de aprendizados para crianças, obras de arte, oficina de “cozinha viva” da chef Graça dos Prazeres, além dos jardins e mirante já existentes.
No fim de semana passado, a primeira parte foi posta em prática: 120 voluntários do morro e do asfalto — entre os quais ativistas do “Imagina na Copa” e escoteiros — fizeram uma intervenção e completaram dezenas de metros da escadaria de pneus, com “tecnologia do Vidigal”. 
Local já faz parte de roteiros turísticos de estrangeiros
O Sitiê já faz parte de roteiros turísticos, principalmente de estrangeiros, mas muitos acabavam não conhecendo o espaço pela dificuldade de descer as encostas, sem uma escada.
Caroline Shannon, arquiteta de 26 anos de um estúdio em Boston, recebeu de Pedro uma ligação na quinta-feira para estar três dias depois no Rio e integrar o mutirão. Uma semana depois, avisou no trabalho que ficaria no Rio.
Ela foi uma das que desenharam, junto com um colega japonês e uma brasileira, o projeto para o futuro Sitiê, que esperam implementar totalmente até o fim do ano.
O local, que hoje conta com jardins, horta, escadas de pneu e bancos de pet, teve o nome criado a partir de uma fusão de “sítio”, modo como os moradores chamavam o lugar no passado, com o pássaro rubro-negro visitante frequente do local, o tiê-sangue. “Dava vontade de chorar. Parecia impossível limpar. Hoje, o lugar nos dá cada vez mais orgulho”, comemora Mauro Quintanilha.
Reportagem de Raphael Gomide, do iG