quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Entidade pede adiamento da cobrança de luz mais cara em horário de pico

Entidade pede adiamento da cobrança de luz mais cara em horário de pico

Proteste diz que tarifa branca pode não reduzir consumo de energia e apenas aumentar o valor pago pelo consumidor

O DIA
A Proteste Associação de Consumidores quer que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adie a adoção de novo modelo de cobrança de energia elétrica, com tarifas diferenciadas de acordo com o horário em que ocorre o consumo. Previsto para vigorar a partir de março de 2014, a Peoteste alertou que não há elementos suficientes para garantir que sua aplicação implicará em benefícios para consumidores e distribuidoras.
Segundo a Aneel, a modalidade tarifária branca oferecerá três diferentes tarifas de energia, de acordo com os horários de consumo. De segunda a sexta-feira, uma tarifa mais barata será empregada na maioria das horas do dia; outra mais cara, no horário em que o consumo de energia atinge o pico máximo, no início da noite; e a terceira, intermediária, será entre esses dois horários. Nos finais de semana e feriados, a tarifa mais barata será empregada para todas as horas do dia.
Em contribuição à consulta pública sobre o assunto, a Proteste propôs a realização de estudo de impacto regulatório prévio, com foco no impacto econômico e social, para que se tenha certeza sobre a eficiência e utilidade da chamada tarifa branca.
De acordo com as avaliações prévias, há o risco de um consumidor do programa de energia baixa renda, por exemplo, ter um gasto superior a 300% ao que desembolsa hoje caso opte pela tarifa branca e, por falta de orientação, acabe usando a energia entre as 18 e 21 horas, considerado horário de pico, e em que a energia será mais cara.
Troca de relógios
O temor da Proteste é que a tarifa branca não surta efeito e não resulte na economia de energia desejada e, ao contrário, acarrete aumento tarifário, por conta da garantia de equilíbrio econômico financeiro dos contratos.
Pela proposta da Aneel, o consumidor que aderir à tarifa branca pagará tarifa mais cara entre 18 e 21 horas, mas no restante do dia o custo poderá cair à metade em comparação ao modelo hoje adotado.
Para adotar a nova tarifa, as empresas terão de trocar antigos relógios contadores por medidores mais modernos. Mas até agora o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ainda não homologou os novos aparelhos medidores, como ficou claro na audiência presencial ocorrida em São Paulo, no último dia 19 de agosto.
Difícil cálculo
Isto justificaria a alteração no cronograma de implantação da medida pelas distribuidoras, pois só se saberá o real custo do novo modelo depois de finalizado o processo no Inmetro.
Na avaliação da Proteste, é difícil calcular a relação custo benefício sem saber o valor dos equipamentos, o impacto econômico para as distribuidoras e o número de consumidores que podem aderir ao novo modelo.
A tarifa diferenciada é para desobstruir as redes de transmissão de energia nos horários de maior demanda, o que exigirá menor investimento na ampliação das redes. Para realizar a troca, o cliente terá de contatar a empresa que deve realizar o serviço.
Simuladores para conveniência
Caso seja mantido o cronograma previsto, a nova modalidade tarifária coincidirá com o início da implantação das bandeiras tarifárias, que também demandará alto grau de compreensão por parte dos consumidores. Por isso, a Proteste sugere haja uma ampla campanha de esclarecimento, com antecedência de seis meses antes da implantação da nova modalidade tarifária.
Sem isso, a Proteste teme que haja graves prejuízos para o consumidor, implicando na perda dos benefícios da redução tarifária ocorrida por conta da Medida Provisória 579/2012. E propõe que os sites das operadoras disponham de sistemas simuladores, para que o usuário possa decidir com segurança sobre a conveniência e oportunidade de aderir ou não à tarifa branca.
A Proteste adverte que adesões maciças por consumidores mal informados poderá gerar efeitos econômicos danosos para o setor como um todo, decorrentes de um possível e quase inevitável crescimento da inadimplência.
    Tags: Proteste , Aneel , Conta de luz , Energia

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