Moacyr Luz: Jogando conversa fora
Escondi os números do meu ácido úrico, uma dezena pra lá de combinada, e fiz meu desjejum etílico
No Campo de Santana, mesmo com um portão fechado por correntes, descobri a existência de buggys, carrinhos de golfe, conduzindo os passantes pelas vielas do parque. Admirado, reconheci nesse conforto uma curva de civilização.
Estou ali pra rezar na igreja de São Jorge, o enorme cavalo de pata erguida protegendo o santo com suas botas de prata.
Dois apertos de mão e um convite à dupla, claro, após as reverências religiosas, pra ouvir um samba no bar A Paulistinha, coisa de primeira.
Um milagre, e o nosso puxador aceitou a proposta. Liguei prevenindo da ilustre visita:
— Capricha nos tamborins!
O resumo foi sorumbático. Na pressa em satisfazer o recente convidado, contrataram às escuras um sambista argentino, cabelo de Mancuso, mostrando suas origens logo no primeiro verso:
— Explode corazón, na mejor felicidad...
São anônimas histórias mapeando o melhor do carioca, o convívio. O metrô, funcionando, me levou a Copacabana, Adega Pérola. Balcão reluzindo de acepipes, chega o Araújo, quinze anos na casa, ajeitando uma travessa de fígado de galinha. Escondi os números do meu ácido úrico, uma dezena pra lá de combinada, e fiz meu desjejum etílico.
As horas passam junto aos parágrafos do texto. A justificativa para as minhas biroscas: preciso escrever a crônica!
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