terça-feira, 3 de setembro de 2013

Frei Betto: Lei antiterror

Frei Betto: Lei antiterror

Ilude-se quem pensa que a cultura de dominação colonial é coisa do passado

O DIA
Rio - Sem base legal, a polícia britânica deteve, no Aeroporto de Heathrow, Inglaterra, o brasileiro David Miranda, no domingo, 18 de agosto.
Miranda fazia o voo Berlim-Rio, com escala em Londres. Seu crime: ser companheiro do jornalista estadunidense Glenn Greenwald. O crime de Greenwald: divulgar documentos confidenciais do governo dos EUA em poder de Edward Snowden, ora exilado na Rússia. O crime de Snowden: tornar público que os serviços de segurança dos EUA espionam milhões de pessoas, instituições e governos em qualquer ponto do planeta.
Em todo esse encadeamento, crime mesmo só há um: a espionagem do governo dos EUA, violando leis, fronteiras, acordos diplomáticos, privacidades e ética. O governo brasileiro não gostou ao saber disso, mas em agosto o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, esteve em Brasília e declarou que não faria autocrítica, nem seu país mudaria de atitude. As nações metropolitanas resolveram mandar às favas escrúpulos e Direito.
Hoje em dia, as leis nacionais e internacionais já não dão conta de abordar aspectos legais e éticos do uso da informática, dos robôs e dos drones no suposto combate ao terrorismo. As tecnologias avançam a passo de coelho; a legislação, a passo de tartaruga.
Ilude-se quem pensa que a cultura de dominação colonial é coisa do passado. Em nome de sua segurança e de seus interesses, EUA e seus aliados na Europa Ocidental continuarão a bombardear civis, torturar supostos terroristas, invadir nações, espionar cidadãos e governos, deter ao bel-prazer e atirar à menor suspeita.
O terrorismo é o grande pretexto para nos infundir a perversa ideologia de que devemos trocar liberdade por segurança e acreditar que capitalismo e democracia são sinônimos.
Frei Betto é escritor, autor de ‘Hotel Brasil – o mistério das cabeças degoladas’ (Rocco)
    Tags: Opinião

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