'Ninguém saberá causa do acidente de Senna', diz projetista da Williams
'Ninguém saberá causa do acidente de Senna', diz projetista da Williams
Responsável pelo carro que acidentou brasileiro há 19 anos afirma que morte de Ayrton Senna o assombra até hoje
IG
São Paulo - Adrian Newey é um gênio quando se trata de criar carros de Fórmula 1. Atualmente na Red Bull, equipe na qual está prestes a conquistar o quarto título mundial consecutivo de pilotos e construtores, o projetista trabalhava na Williams em 1994, ano do fatídico acidente de Ayrton Senna em Ímola. E admite que até hoje a morte do brasileiro o assombra.
Ayrton Senna durante a temporada 1991
Foto: Reprodução Internet
“O que aconteceu naquele dia, o que causou o acidente, ainda me assombra até hoje”, afirmou Newey em entrevista à emissora britânica BBC. Para ele, “ninguém nunca saberá” se a batida foi causada por uma quebra na barra de direção do carro ou por um erro de Senna.
“A quebra da coluna de direção: foi a causa ou isso aconteceu com o acidente?”, questionou o projetista. “Não há dúvidas de que estava quebrada. Da mesma forma, todos os dados, todas as câmeras do circuito, a câmera do carro de Michael Schumacher que o estava seguindo, nada disso parece dar consistência a uma quebra da coluna de direção”, completou.
Newey comparou a batida de Senna na curva Tamburello com as que costumam acontecer em circuitos ovais nos Estados Unidos.
“A primeira coisa que aconteceu foi o carro sair de traseira, muito parecido com você verá nos ovais nos Estados Unidos. O carro perde a traseira, o piloto corrige e depois ele vai reto e bate no muro, o que não parece ser consistente com uma quebra na coluna de direção”, explicou o ex-projetista da Williams.
O profissional lamentou ainda que não ter conseguido dar a Senna um carro capaz de brigar por vitórias no início daquela temporada. A equipe tinha o melhor equipamento em 1992 e 1993, mas o mesmo não se repetiu no ano seguinte devido à proibição de alguns recursos eletrônicos, como controle de tração e suspensão ativa.
Apesar de ter anotado poles nas três corridas que disputou em 1994, o brasileiro abandonou todas elas. San Marino foi a terceira etapa do campeonato (Brasil e Europa, em Jerez, foram as outras).
"Havia uma aura sobre ele, algo difícil de descrever. Ele com certeza tinha presença. Acho que uma coisa que sempre vai me assombrar é que ele veio para a Williams porque tínhamos feitos carros bons nos últimos anos e ele queria estar no time que pensava ter construído o melhor carro. E, infelizmente, o carro de 1994 não era bom", falou Newey.
"Ayrton tinha talento puro e determinação. Ele tentava levar aquele carro adiante e fazer coisas que não era capaz. É uma pena, e tão injusto, que ele estivesse nessa posição. E, claro, no momento em que corrigimos o carro, ele não estava mais conosco", finalizou o projetista.
Nenhum comentário:
Postar um comentário