terça-feira, 8 de outubro de 2013

Premiê do Canadá se diz 'muito preocupado' com espionagem no Brasil

Premiê do Canadá se diz 'muito preocupado' com espionagem no Brasil

Documentos mostram que agência do país espionou dados do Ministério de Minas e Energia

REUTERS
São Paulo - O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, expressou preocupação nesta terça-feira com as acusações de que a agência de inteligência do Canadá espionou o Brasil e disse que autoridades do país estão em contato com colegas brasileiros para tratar do tema.
A presidente Dilma Rousseff exigiu na segunda-feira que o Canadá explicasse a denúncia feita pelo programa "Fantástico", da TV Globo, no domingo, segundo a qual o serviço de segurança do Canadá (conhecido pela sigla CSEC, órgão equivalente à Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, a NSA) havia espionado o Ministério das Minas e Energia e um ex-embaixador do Brasil no Canadá.
O embaixador do Canadá em Brasília, Jamal Khokhar, foi convocado pelo ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, na segunda-feira, para prestar esclarecimentos sobre as denúncias.
O caso é potencialmente embaraçoso para Harper, que visitou o Brasil em 2011 e se reuniu com Dilma em uma tentativa de aprofundar os laços com o Brasil, por ser um parceiro comercial e concorrente do Canadá.
"As autoridades canadenses estão em contato muito pró-ativo com seus homólogos ... Estou obviamente muito preocupado com essa história e algumas reportagens sobre isso, muito preocupado", declarou Harper a jornalistas, na Indonésia, à margem de uma reunião de cúpula da Ásia-Pacífico. "Dito isto, vocês sabem que eu não posso comentar operações de segurança nacional".
Harper não deu detalhes de quais autoridades brasileiras tinham sido contatadas. O porta-voz do ministro das Relações Exteriores canadense John Baird disse que o embaixador do Canadá no Brasil "fala com o Ministério das Relações Exteriores de modo regular e constante", mas ele se recusou a fazer mais comentários sobre o assunto.
O ministro da Defesa do Canadá, Rob Nicholson, responsável pelo CSEC, não quis tratar das acusações de espionagem ao falar com repórteres na segunda-feira.
E a situação ainda pode ficar pior para o governo canadense. O repórter norte-americano Glenn Greenwald , que obteve as informações exibidas pelo "Fantástico" com o ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden , disse à Canadian Broadcasting Corp ter provas de mais ações de espionagem do Canadá no exterior.
O CSEC faz parte da chamada Five Eyes, rede de compartilhamento de dados de inteligência, a qual inclui também os EUA, o Reino Unido, a Nova Zelândia e a Austrália.
Em setembro, Dilma cancelou uma visita de Estado que faria este mês aos EUA, depois de revelações de que a NSA havia espionado as comunicações pessoais dela e de outros brasileiros. A estatal Petrobras também teria sido espionada.
Um dos principais especialistas em inteligência do Canadá , Welsley Wark, disse à Reuters duvidar que a CSEC tenha planejado roubar segredos comerciais do Brasil e, em seguida, passá-los para empresas canadenses.
"Foi provavelmente algo que lhes foi atribuído por seus parceiros da Five Eyes, presumivelmente, a NSA, que já tinha sido implicada na coleta de dados brasileiros de inteligência", disse Wark, que é professor da Universidade de Ottawa.
"Não acho que haja muitos indícios de que o CSEC tenha dedicado recursos - particularmente depois do 11 de Setembro - à coleta de dados econômicos", afirmou ele, acrescentando ser bem possível que Harper não soubesse da operação no Brasil.
As relações bilaterais entre Brasil e Canadá melhoraram significativamente depois de um período por volta de 2001, quando os dois lados se envolveram em disputas relacionadas às exportações brasileiras de carne bovina e sobre se o governo canadense subsidiava ilegalmente vendas de aviões canadenses.

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