Rio -  O debate na Rede Record entre cinco candidatos à Prefeitura do Rio foi marcado nesta segunda-feira por ataques ao prefeito Eduardo Paes feitos com base em reportagem da Revista Veja que traz suspeita de que o PMDB teria oferecido dinheiro em troca do apoio do PTN. Mas também registrou momentos de humor involuntário e ironia, quando concorrentes se uniram para criticar proposta da prefeitura de construir campo de golpe para Olimpíadas de 2016.
Logo no início do debate, Rodrigo Maia (DEM), ao dar "boa noite", deixou claro que a denúncia da Veja seria a tônica de sua participação. "Vamos debater ideias, mas vamos também discutir denúncias, como a da revista Veja, que no último sábado colocaram lama no pé do prefeito. A essa altura, creio que a lama já está na altura da cintura", afirmou. Mas, por conta das regras do debate, Rodrigo acabou não tendo a chance de fazer perguntas ao prefeito. Nas duas vezes em que foi o primeiro sorteado, Otavio Leite escolheu Paes, mas preferiu fugir do assunto, e perguntou sobre o gasto "exagerado" da prefeitura em publicidade e sobre o "baixo investimento" em educação. O prefeito negou que gaste demais com propaganda e garantiu que gasta o que deve em educação.
Ataques a prefeito Eduardo Paes marcam debate | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Ataques a prefeito Eduardo Paes marcam debate | Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foi durante uma pergunta de Freixo a Otavio Leite que gerou o momento cômico do debate. De acordo com Freixo, o projeto da prefeitura de realizar as obras ao lado do Parque Municipal de Marapendi, na Barra da Tijuca, é uma “grande tacada que vai beneficiar a especulação imobiliária”. "Qual a sua opinião sobre o campo de golfe, Otavio?", quis saber o psolista. O tucano concordou que o projeto da prefeitura não é o ideal e sugeriu que seja construído um campo logo na chegada de Guaratiba. "Quero levar o golfe para Guaratiba. Por que não ter um golfe popular?", arriscou Otavio.
A resposta surpreendeu Freixo, que ironizou o colega: "Golfe popular é um pouco mais difícil, deputado." disse. Mas Otavio Leite voltou a defender a ideia na tréplica. "É estranho não poder ser um esporte popular. A discussão do golfe é importante", disse o tucano, atacando Freixo que, segundo ele, defende a manutenção do autódromo para preservar o automobilismo, este, sim, um esporte que é da "elite". Fora da discussão, Rodrigo Maia, ao iniciar sua pergunta, também fez questão de ironizar: "Depois da Fórmula 1 popular, agora temos o golfe", disse Maia. No Facebook, internautas não perderam tempo. Em minutos já estava lançado o "evento" "Golf Popular + Churrascão do Otávio", com dezenas de piadas sobre a conversa entre Otavio com Freixo. No início da madrugada, mais de 3 mil pessoas já tinham aderido ao "evento".
No terceiro bloco do debate, sem chance de fazer perguntas ao prefeito, Rodrigo e Freixo chegaram a fazer uma dobradinha para comentar as denúncias da Veja. "No início da eleição foi montado um latifúndio eleitoral. No sábado, começamos a ver a ponta desse iceberg", disse Rodrigo Maia. Freixo concordou com Maia e fez questão de ler parte da reportagem, enfatizando que a denúncia precisa ser investigada e que entrou com representação no Ministério Público para que tudo seja esclarecido.
A fala de Rodrigo Maia gerou desconforto em Eduardo Paes, que pediu à produção do debate e conseguiu direito de resposta. "É lamentável que a gente tenha que participar de um debate com esse tipo de acusação. Todos os partidos que fazem parte da coligação estão declarados à Justiça Eleitoral. Esse cidadão (Jorge Esch) diz respeito a uma suposta indenização depois de ter trabalhado oito anos com o pai do Rodrigo Maia", disse Paes, sobre o suposto pedido do presidente estadual da legenda, Jorge Sanfins Esch sobre uma dívida com a RioLuz no valor de R$ 800 mil. "Ele não recebeu essa indenização, foi negada. Minha aliança é limpa, de quem quer construir o melhor, sem esses encrenqueiros".
Logo em seguida, Rodrigo Maia pediu direito de resposta alegando que seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia, foi acusado injustamente. A direção negou o pedido, e Rodrigo dedicou suas considerações finais a criticar o prefeito: "Agora, o Eduardo fica um pouco nervoso. Ele sempre se refere ao ex-prefeito Cesar Maia, ele tem fixação no Cesar Maia. É uma coisa impressionante." Paes riu, e tirou o democrata do sério: "Isso aqui não é um palco, Eduardo. Você tem que respeitar as pessoas. Ele tirou minha orientação. É gargalhada toda hora, parece até que está tudo bem no Rio de Janeiro, está tudo uma maravilha. Ele desrespeita as pessoas. Ele desrespeita a pessoa que mais fez por ele na carreira política dele. Mas ele vai pagar um dia."