Antiga Hospedaria de Imigrantes em ilha de São Gonçalo vira museu a céu aberto
Foto: Carlo Wrede / Agência O Dia
Em parceria com a Marinha do Brasil, a Uerj e a Fundação de Amparo à Pesquisa do estado (Faperj), foi inaugurado dia 13 de novembro o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores. “Sempre soubemos do valor histórico do local e, em 2011, surgiu a oportunidade de criar o Museu a Céu Aberto para visitantes”, explicou o almirante Paulo Zuccaro, descendente de italianos, de 53 anos, há dois à frente da Tropa de Reforço do Corpo de Fuzileiros Navais, que hoje ocupa a ilha. “Todos são bem-vindos.”
Repleta de histórias, a ilha chegou a receber cerca de 70 mil imigrantes por ano, que vinham trabalhar em fazendas de café, em São Paulo e no Sul do país, logo após a abolição, quando o Brasil viveu crise de mão de obra. “O Império fazia propaganda no exterior e oferecia a hospedagem, que era pública, onde eles ficavam por cerca de 10 dias até ir para as fazendas” explicou o professor de História e integrante do projeto Thiago Rodrigues.
ILHA RECEBEU ELKE
ILHA RECEBEU ELKE
Nascida na Rússia, Elke Maravilha foi acolhida com a família na hospedaria, aos 6 anos. O pai era prisioneiro político na Sibéria e encontrou refúgio no Brasil. “Éramos muito pobres e não tenho muitas lembranças, mas foi onde o Brasil nos recebeu e relembrar isso é reviver a história do país”, recorda Elke.
Amores de Carnaval e de fé
O visitante que passar pela capela de Sta. Therezinha vai descobrir que a construção é fruto da promessa de uma mineira que pediu emprego para o marido, médico. A graça foi recebida, e o marido tornou-se diretor da hospedaria. Em agradecimento, a capela foi erguida em 1944.
D. Zuleika Brasil, que nasceu e viveu na ilha até os 17 anos, é doadora da maior parte do acervo de fotos exposto. “Minha família viveu lá desde o meu avô. Cresci cercada de estrangeiros e idiomas. Foram os melhores anos da minha vida”, relembra.
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