Aristóteles Drummond: Espírito de Natal
Rio - Natal não é oportunidade de distribuir presentes, comer peru e castanhas, tomar vinho e sidra. É uma data cristã, religiosa; portanto, que exalta princípios éticos e morais importantes, como o sentido de família, fraternidade e caridade.
Melhor fariam empresas e pessoas que dedicassem parte da verba de compras para obras de caridade e atendimento a famílias carentes. A data marca o nascimento de Jesus Cristo, e Ele estaria muito mais satisfeito com atitudes como esta do que com o consumismo descontrolado. Nossa economia já sofre com o aumento do endividamento da população e sua baixa taxa de poupança. E costuma sair do período natalino com estes pontos agravados. Comprar a crédito, com juros que oscilam de 60% a 140%, é quase um ato de loucura.
O chamado ‘indulto de Natal’, que joga nas ruas milhares de marginais, partiu de uma boa e generosa ideia, mas que deveria ser limitada aos de bom comportamento e já com parte da pena cumprida. Cerca de 10% não regressam e outros tantos aproveitam a semana livre para retomar as atividades criminosas. A violência em nossas cidades não precisa deste reforço para tirar a paz dos pais aflitos com seus filhos na rua. É preciso acompanhar a seleção dos indultados e dos que recebem licença para sair na semana dasfestas.
O Brasil anda precisando de um choque de austeridade, e não apenas nos gastos dos governos e das famílias. Mas também no comportamento tolerante com a violência, com o desrespeito à lei, o vandalismo contra bens de uso comum nas praças. Este ano, as festas emendam o fim de semana. É preciso atenção no policiamento e nos plantões dos hospitais de emergência. Não podemos ver repetir plantões desprovidos de médicos.
Que tenhamos um Feliz Ano Novo, com segurança, ordem, generosidade e caridade. Basta liberar as qualidades reconhecidas de nossa gente!
Aristóteles Drummond é jornalista
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