Rio -  O que os cariocas Djavan, o músico, e Marta, a jogadora de futebol, têm em comum? Para começar, desculpem a brincadeira, não são cariocas. Nasceram em Alagoas. Mas vieram e se apaixonaram pelo Rio, de onde alcançaram fama internacional. Assim como o ex-técnico Zagallo, a médica Nilse da Silveira e outras dezenas de personalidades cuja história atravessa os dois estados.
Antes da fama, Djavan integrava o time de futebol do Centro Sportivo Alagoano | Foto: Felipe O`Neill / Agência O Dia
Antes da fama, Djavan integrava um time de futebol | Foto: Felipe O`Neill / Agência O Dia
São estados de espírito, podemos dizer, aproximados pela prosa do jornalista Marcio Fonseca, que lança amanhã o livro ‘aLagoas que Deságua no Rio — a História da História de Alagoas com o Rio no Meio’ (ed. Litteris, 104 págs., R$ 30). O evento será no restaurante Cariocando (2557-3646), no Catete, às 17h45.
“Comecei a pesquisar e foi uma inundação de mais de 40 personagens alagoanos que fizeram a carreira no Rio. E vieram coincidências entrelaçando a história dos dois estados”, diz o alagoano Marcio, de 60 anos e no Rio há 41.
Se paralelos curiosos envolvem nomes como Zumbi dos Palmares e Princesa Isabel — a partir da luta do primeiro, em Alagoas, a princesa assinou no Rio a Lei Áurea —, a heroína das páginas é a cardiologista Rosa Celia Pimentel Barbosa, criadora do Pro Criança Cardíaca, que ganha capítulo com depoimentos como o do governador Sérgio Cabral.
“Será que ali em Alagoas tem alguma semente de sonhos? São raízes boas, com coisas que as cidades grandes perderam no consumo desenfreado. Minha mãe era uma contadora de histórias”, lembra a doutora Rosa, que veio fugindo da seca sem ter onde ficar, e acabou construindo um dos mais belos projetos de saúde do País, cuidando de crianças carentes em hospital de Primeiro Mundo. “Ela fez a diferença e se transformou numa montanha de amor, salvando vidas”, diz o autor.
Outro destaque da lista é o Marechal Deodoro da Fonseca, que ‘desceu’ para cumprir no Rio o destino de proclamar a República, passando o bastão para Floriano Peixoto, que fez o mesmo percurso. O ator Paulo Gracindo, por sua vez, nasceu no Rio, foi com um mês deidade para Maceió e se considerava alagoano. Voltou aos 20 anos com sotaque.
Djavan, filho ilustre do estado nordestino, era craque de bola no Centro Sportivo Alagoano (CSA), mas acabou fera na música. A saudade gera poesia, como canta o compositor: “Você não sabe o que é farinha boa, farinha é a que a mãe me manda lá de Alagoas...”