Penetras do cinema e da vida real contam como curtem festas sem ter convite
POR PRISCILLA COSTA
Rio - No dicionário, eles, os penetras, são definidos como pessoas malquistas, desprezadas. Na vida real, no entanto, nada abala a alegria e a cara de pau de um verdadeiro bicão. Inspirados pelo filme ‘Os Penetras’, protagonizado por Marcelo Adnet e Eduardo Sterblitch, já visto por 565 mil pessoas desde a estreia, dia 30, fomos atrás de personagens reais, que já foram, são e nunca deixarão de ser penetras. Até o próprio Adnet, que hoje é um artista requisitado, já bebeu, comeu e dançou em festas sem ser convidado.
Adnet já entrou na festa errada e abraçou os noivos | Foto: Divulgação
Jovem foi expulsa de festa | Foto: João Laet / Agência O Dia
“Comecei aos 13 anos. Meu pai me levou numa festa como penetra no Morumbi. Era um mundo que não era o meu, gostei da ideia e, desde então, vou sem ser convidado. De 20 anos para cá, comecei a aparecer por causa dessas ‘penetrações’. Minha primeira entrevista foi em 1992, na ‘Veja’. Eu furei eventos incríveis. Entrei na festa de 15 anos da Angélica, no Rio. Acho que sou mais querido do que odiado. Sou fino, tenho mais de dez smokings, sou sempre o mais bem-vestido dos eventos. O penetra leva alegria à festa. Nem a Dilma é convidada para todas as festas”, pondera ele, que pretende lançar um livro com seus relatos e encontros com famosos como Cindy Crawford, Maradona, a cantora mexicana Thalia e Romário, entre outros.
“Semana passada, ganhei um convite para inauguração de uma casa de shows que tinha apresentação do Roberto Carlos. O convite era muito no fundo da plateia. Sabiamente, enganei um dos seguranças e me sentei na primeira fileira. Luiza Brunet ficou atrás de mim”, tira onda.
O objetivo de um bom penetra é sempre esse, ter vantagens. A farmacêutica Thamille Palmeira, 24, chegava a simular que carregava presentes para as aniversariantes com o intuito de penetrar. “Eu era mais nova, era aquela fase de diversas festas de 15 anos das amigas. Acho que em 40% das comemorações que frequentei, eu não tinha sido convidada. Geralmente, dava o nome de alguém que eu sabia que estava na lista para entrar”, assume. Mas, entre tantas vitórias, Thamille contabiliza histórias não tão felizes. “Ia sempre com uma amiga. Uma vez, fomos barradas pelo segurança, que não permitiu a nossa entrada. Para não perder a noite, já estávamos maquiadas e fomos para uma boate. Em outra ocasião, a aniversariante não gostava dessa minha amiga e pediu para um segurança nos tirar da festa. Foi constrangedor, fiquei com raiva, gritei que a festa estava uma porcaria. Mas penetra não faz mal a ninguém. Pelo contrário, anima a festa. Ele vai sem nada a perder, tudo é lucro”, simplifica Thamille, que garante não fazer mais isso. “Agora, só vou como convidada”, diz aos risos.
O estudante de cinema Rafael Biondi, 22, não satisfeito em furar as festas, ia com um grupo de nada mais nada menos do que 20 amigos. “O pai de um amigo era responsável pelo bufê. Então, a gente sempre conseguia entrar. O prazer era ser ‘carudo’ mesmo, tirar onda. Tá errado, mas todo mundo faz. O sujeito que é ‘bicudo’ geralmente é o cara que mais faz a festa. Somos os mais animados. Para uma festa ser boa, tem que ter penetra”, defende ele.
E para ‘bicar’ uma festa, vale tudo. Até suborno, como fez o estudante Pedro Henrique Bello, 23. “Eu e um amigo queríamos ‘furar’ uma chopada, mas não podíamos, pois não éramos daquele curso. O jeito foi pagar R$ 20 para o cara da distribuidora da bebida e entrar. Jogamos muito na cara da nossa amiga, que duvidou que conseguiríamos. Entrar sem ser convidado e contar para os amigos depois é como conseguir aquela mulher que todos querem”, compara.
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