Rio -  Nenhuma outra final de Copa do Mundo ficará tão marcada quanto a derrota brasileira por 2 a 1 para o Uruguai, no Macaranã recém-construído e com mais de 200 mil pessoas. Podendo empatar para conquistar o primeiro título, a Seleção, de camisa branca, titubeou e perdeu para os rivais Celestes. Naquele dia, de Ghiggia e de muito choro, ofutebol profissional começava e o amadorismo ficava para trás. Jogos memoráveis, finais históricas e lances geniais marcam o imaginário dos amantes do futebol a partir daquela data.

Em 54, a Hungria surpreendia o mundo com Puskás, mas foi superada em uma virada pela Alemanha. Em 58, demos o troco, mas não no Uruguai. Jogando na Suécia, mostramos aos donos da casa como é perder uma final em seus domínios. Pelé, inspirado, levou a Seleção ao título com 17 anos e um 5 a 2 incontestável.

Em 1970, no tricampeonato, aquela goleada brasileira por 4 a 1 sobre a Itália deixaria o Estádio Azteca na história das Copas. Lotado, o local foi o último a receber o ‘Rei’ Pelé em um Mundial.

Se nós, brasileiros, temos cinco motivos e locais para lembrar dos feitos dos homens de chuteira, outros sete países também se orgulham de ter conquistado o mundo, mesmo que seja o da bola. Cada um deles tem seus estádios que ficaram marcados na memória com suas respectivas conquistas. Mas é aí que nos diferenciamos dos demais. Além de ser o único país do mundo a desfilar seus craques em todas as edições do Mundial, foi o Brasil que mais levantou o tão sonhado troféu. Mesmo que os Estádios Nacional, no Chile; Rose Bowl, nos Estados Unidos, e Internacional, no Japão, não tenham ganhado notoriedade como outros, foram lá que conquistamos o bi, o tetra e o penta, respectivamente.

Será no Maracanã a final de 2014. Assim como em 50, a Seleção quer e merece estar na decisão. O povo brasileiro, agora vendo a Seleção de amarelo, merece gritar ‘é campeão!’em casa, mesmo com 64 anos de atraso.
Gustavo Teixeira é auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva