A vida de cão de alguns dos animais que atuarão na Segurança Pública na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016 está com os dias contados. A rotina dos 69 cachorros da Polícia Militar vai melhorar muito com a inauguração do Comando de Operações Especiais (COE), em Ramos, prevista para o fim de 2013. Lá, os animais terão espaço para treinamento, tratamento veterinário de primeiro mundo e o reforço de 80 novos companheiros trazidos da Europa.
Plano é aprimorar a composição genética dos cães com </MC>os europeus, afastando a possibilidade de consanguinidade | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Plano é aprimorar a composição genética dos cães com os europeus, afastando a possibilidade de consanguinidade | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
“Vamos aprimorar a composição genética dos cães, afastando a possibilidade de consanguinidade com a chegada dos europeus. Isso evitará problemas como o que enfrentamos hoje, por exemplo com os pastores alemães, que sofrem com displasia coxo-femoral, uma doença degenerativa que afeta o encaixe do fêmur na bacia e são prematuramente aposentados”, explica o subcomandante do Batalhão de Ação com Cães (BAC), major Vitor Valles

CENTRO CIRÚRGICO E RAIOS-X
Atualmente, o treinamento dos cães precisa ser realizado, muitas vezes, em outras unidades da PM, por falta de infraestrutura do canil. Mas a sede do BAC no COE vai virar um batalhão ‘bom para cachorro’. “A obra foi projetada para termos locais de treinos diferenciados, sessão médico-veterinária completa que vai contar com centro cirúrgico e raios-x, além de canil, alimentação, enfim, tudo foi planejado para atender às necessidades dos animais”, garante Vitor Valle.
O processo de compra dos cachorros europeus está na Secretaria de Segurança para licitação e a PM pretende trazer cães da França, Bélgica e Holanda. “São os campeões emcriação e referência na questão sanitária”, informa o subcomandante.
O COE custará cerca de R$ 300 milhões ao estado. Lá — um antigo quartel do Exército, vizinho ao Complexo da Maré, comprado pelo governo do Rio — também funcionará o Bope, o Batalhão de Choque e o Grupamento Aeromarítimo. O custo com os cães europeus gira em torno de R$ 700 mil. O plano é aumentar o número de cachorros para até 160.
Recorde em apreensões
Ameaçado de morte por traficantes, conforme mostrou em primeira mão O DIA em outubro, o labrador Boss, do Batalhão de Ação com Cães (BAC), ajudou a bater um recorde: esse ano, os farejadores do BAC já apreenderam mais de duas toneladas de drogas.
Além dos farejadores (de drogas e armas, explosivos e busca e captura de pessoas), o grupo de Ações Táticas atua em casos com reféns e os cães de choque em casos de confrontos. Nesses últimos casos, a raça rottweiler é muito útil.
“O rottweiler é um cão que dificilmente se adapta, por exemplo, a trabalho de entrada em morro. Ele é peludo, grande, e cansa. Mas, em distúrbio, impõe respeito”, explicou Vitor Valle.