Rio -  Em outubro do ano passado, Mestre Paulão decidiu renunciar o cargo de comandante da bateria da Renascer de Jacarepaguá. Após nove anos à frente dos ritmistas da Vermelho e Branco, Paulão deu fim à toda uma era de trabalho, onde projetou um grande desenvolvimento dentro da agremiação. Presente por 8 anos no Grupo de Acesso, o líder da bateria Explosiva conseguiu seu maior sonho em 2011, quando viu a escola garantir o acesso ao Grupo Especial, lugar que só permaneceu por um ano, último de Paulão na agremiação de Jacarepaguá.

Após deixar o cargo, o nome de Paulão foi envolvido em diversos tópicos polêmicos no carnaval carioca, desde algum possível problema com a diretoria da Renascer até uma provável nova casa já em 2013. Mas em conversa com o DIA na Folia, o ex-comandante da Explosiva garantiu que o real motivo de sua saída não foi nada além de um desgaste natural, mesmo ressaltando que sua decisão foi realmente a melhor possível. Mesmo garantido como ritmista e apoio em diversas escolas em 2013, Paulão não escondeu a existência do desejo de voltar ao comando de uma bateria no próximo carnaval.
Paulão se despediu da Renascer em outubro de 2012 | Foto: Divulgação
Paulão se despediu da Renascer de Jacarepaguá em outubro de 2012 | Foto: Divulgação
Qual foi o motivo da sua saída repentina da Renascer de Jacarepaguá?
Foram nove anos no comando da bateria da Renascer, formei um grupo com uma identidade, onde conquistei muitas amizades. Mas ocorreu o que chamamos de desgaste natural, algo que pode acontecer em qualquer lugar. Diante disso acabei achando que era o momento de dar um tempo. Com certeza, foi a melhor coisa que fiz.
 
Você tem alguma mágoa com a escola?

Não. A Renascer me deu uma grande projeção e visibilidade no carnaval. Sempre tive aconfiança do presidente Salomão, que é uma pessoa que admiro e respeito. Fico muito feliz de saber o quanto ele apostou em mim, e creio que consegui corresponder da melhor maneira.
 
Qual foi o momento que mais marcou, positivamente, sua passagem pela Renascer?
O título do Grupo de Acesso, em 2011. Naquele momento tive a maior recompensa de todo o trabalho de formação da bateria. Foram anos de luta e dedicação, e sou muito orgulhoso de ter ajudado a escola a alcançar um lugar no Grupo Especial.
Paulão ficou nove anos na Renascer | Foto: Alexandre Vidal / Divulgação
Paulão ficou nove anos no comando da Explosiva | Foto: Alexandre Vidal / Divulgação
E qual foi o mais negativo?
Com certeza foram as notas que a escola recebeu no Grupo Especial. Até hoje eu gostaria de entender o motivo pelo qual a escola que conseguiu o acesso à elite do carnaval acaba sendo julgada de maneira tão rigorosa neste ano de chegada, enquanto as agremiações de mais tradição no Especial não sofrem o mesmo tipo de julgamento. Além de alguns absurdos que aparecem nas justificativas dos julgadores.
 
Qual o sentimento de ver alguém da sua equipe - Mestre Dinho, atual comandante, era diretor na equipe de Paulão - dando sequência ao trabalho?
Esta decisão de deixar o cargo foi pessoal minha, e em seguida a escola acabou optando por manter alguém da equipe para continuar o trabalho. O que vale ressaltar é que cada um possui um estilo e um modo de executar o trabalho, não podemos contestar isto. Mas admito que é muito legal ver a continuidade do trabalho por uma pessoa que dei oportunidade de trabalhar na minha equipe. Estou na torcida!
 
Você já declarou publicamente que pretende voltar ao carnaval. Diante deste fato, existe algum projeto já em andamento?
Não é segredo que tenho o desejo de voltar a comandar alguma bateria, seja no Rio ou fora daqui. Cheguei a receber alguns convites, mas nada em definitivo. Neste ano irei desfilar como ritmista em algumas escolas, e participarei como apoio em outras, para ajudar alguns amigos. Em 2014, quem sabe...