Farc anunciam que vão manter militares capturados como prisioneiros de guerra
“Reservamo-nos o direito de capturar como prisioneiros os membros da força pública que se renderam em combate. A eles chamamos de prisioneiros de guerra. Esse fenômeno acontece em qualquer conflito que existe no mundo”, disse o comunicado das Farc.
O comunicado ocorre poucos dias depois da captura de Victor González e Cristian Camilo, policiais sequestrados pela guerrilha na semana passada, no Vale de Cauca, no sudoeste do país. Os dois oficiais são os primeiros capturados pelas Farc após a libertação de quatro militares e seis policiais, em abril do ano passado. Na ocasião, esses eram, oficialmente, os últimos reféns militares em poder da guerrilha.
Para analistas ouvidos pela Agência Brasil, o anúncio das Farc segue as regras aplicadas pelo Direito Internacional Humanitário (DIH), que deve ser obedecido em casos de guerra. O cientista político colombiano Álvaro Villarraga explica que as Farc devem ser coerentes no sentido de não sequestrar civis, conforme prometeram, mas que, no âmbito do DIH, capturar militares não é uma infração.
“Fazer prisioneiros de guerra ou capturar envolvidos de ambos os lados, sejam guerrilheiros ou militares, é aceito do ponto de vista das regras da guerra”, diz Villarraga.
Já Ariel Ávila, coordenador da organização não governamental Corporação Novo Arco-Íris, especializada no conflito colombiano, acredita que o anúncio de manter a captura de militares serve para as Farc mostrarem que têm força. “A propaganda de que a guerrilha está acuada é enfraquecida quando eles mostram que têm capacidade de capturar militares em combate”, avalia.
E apesar da demonstração de força da guerrilha, Ávila também concorda que o desgaste com a sociedade é inevitável. “Estamos, mais uma vez, tentando um acordo de paz. E, em meio a essa negociação delicada, é complicado esperar compreensão da sociedade”, acrescenta.
As informações são da Agência Brasil
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