Rio -  Doutora em Sociologia pela Universidade de São Paulo, Silvia Viana analisa em ‘Rituais de sofrimento’ o que há por trás dos reality shows. No livro, que será lançado esta semana, logo depois do início de uma edição do ‘Big Brother’, ela critica o que classifica de cultura de dominação e violência que existe neste tipo de programa de TV.
Foto: Mariana Chama
Foto: Mariana Chama
O que leva tantas pessoas a se submeterem a provas humilhantes e dolorosas na TV? Busca de dinheiro  e fama?
— Dinheiro e fama são apenas parte da explicação. Essas pessoas são movidas pela necessidade de fazer parte de algo e, principalmente, por um instinto vazio de conquista, de superação. Como se vencer aquelas provas e eliminar os outros competidores as fizessem melhores. Sabemos que isso não é verdade.
— O que motiva o telespectador? Sadismo?
— Não. Acredito que essa motivação está mais relacionada à possibilidade de participação, de suposta ingerência sobre o que ocorre nos programas. Ele pode votar para eliminar candidatos e discutir em blogs e sites. O espectador fica tão iludido que chega a trabalhar para a emissora, fazendo ligações pagas para participar da eliminação.
— Qual a explicação para o sucesso desse tipo de programa?
— Realities refletem uma violência institucional. Uma violência estrutural, presente nas relações pessoais e no trabalho. A da concorrência desenfreada na qual alguém tem que cair para você subir. Esses programas são uma versão televisiva dessa condição.