São Paulo -  Ana Paula Mira, 32 anos, é o símbolo da ação do Governo de São Paulo na luta contra as drogas. Desesperada com o vício em crack de seu pai, Reinaldo, 62 anos, ela colocou calmante no café e o dopou para levâ-lo ao Centro de Referência em Álcool, Tabaco e outras Drogas (Cratod), no centro da capital. O primeiro dia do projeto para internação compulsória e involuntária de usuários de drogas também registrou a presença voluntária de três dependentes.
Foto: Reprodução Internet
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A parceria entre o governo, Tribunal de Justiça, Ministério Público Estadual, OAB-SP e Defensoria Pública criou um plantão para acelerar o processo jurídico de internação contra a vontade do usuário. O caso de Reinaldo vai ser analisado hoje, uma vez que ele foi examinado por médicos que constataram a necessidade da internação.
“Somos uma família de quatro irmãos, conversamos e, como todos estavam de acordo, eu tomei a iniciativa. Se eu não trouxesse ele à força para cá para ser internado, ele ia morrer na rua”, explicou Ana Paulo ao sair.
A internação involuntária de Reinaldo é possível pelo desejo dos parentes. O pedido compulsório, que é executado pela justiça, não teve registros no primeiro dia do projeto. Por outro lado, o Cratod recebeu alguns pedidos voluntários de atendimento.
Caso de Vagner Santos, morador de rua. Aos 35 anos, ele usa crack há 21. “Não aguento mais. Eu quero ser internado. Se eu sair daqui, eu vou fumar”, comentou. Uma adolescente de 16 anos, levada pela família, também se convenceu no local e foi internada
O Estado de São Paulo conta atualmente com 691 leitos na rede de saúde para dependentes. A polícia não participará das ações e o atendimento aos casos será feito por equipes médicas especializadas.

PROTESTO CONTRA INTERNAÇÃO
O primeiro dia também foi marcado por um protesto contra a internação compulsória. Um grupo levou cartazes ao Cratod: ‘Nem todos que usam crack são viciados’. O projeto também recebeu críticas do ex-ministro da Saúde do governo Lula. “Corre o risco de desrespeitar os direitos individuais”, disse José Gomes Temporão. Outro medo de quem critica a medida é a falta de leitos.