Rio -  No comando da bateria do Império da Tijuca há sete anos, Mestre Capoeira vem realizando um forte trabalho de renovação e desenvolvimento dentro da escola. Ao assumir o cargo após o acesso da agremiação para a atual Série A, em 2007, o comandante vem focando em um projeto de formação e unificação da bateria da escola, que nos dois últimos carnavais perdeu apenas dois décimos dentre os 80 pontos gerais.

Dono de um trabalho bastante elogiado diante da bateria da escola, Capoeira segue apostando na utilização da forte característica de um andamento mais acelerado e paradinhas com encaixe dentro da melodia e tempo do samba. Em conversa exclusiva com o DIA na Folia, o mestre não poupou elogios ao trabalho que vem sendo feito para o carnaval 2013 e ainda aproveitou para demonstrar um certo incômodo com uma curiosidade: O apelido "Imperinho" não agrada ao comandante da verde e branco.
Capoeira está no Império da Tijuca há sete anos | Foto: Diego Mendes / Divulgação
Mestre Capoeira está no Império da Tijuca há sete anos | Foto: Diego Mendes / Divulgação
Como é a sua relação pessoal com o Império da Tijuca?
Bom, não é minha escola de coração, mas existe uma ligação muito grande. Torço pela Estácio de Sá, desfilo lá desde 1977, e hoje só não estou tocando lá pelo fato dela e do Império estarem no mesmo grupo, complica a situação. Mas há um sentimento muito bonito e forte com o Império da Tijuca.
Qual a sensação de estar há tantos anos no comando de uma mesma bateria?
Vejo isto como consequência de um trabalho que vem sendo bem realizado. Quando assumi, a escola não tinha uma própria bateria, era oriunda do Salgueiro, o próprio mestre era de lá. Quando cheguei, preparei uma escolinha para trabalhar os garotos que temos aqui. Atualmente, eles estão dando um show. Se desenvolveram, estão sempre aprendendo mais e mostrando que nosso trabalho está cada vez mais sólido. Não tenho os melhores ritmistas, mas tenho a melhor bateria, todos dedicados, se entendendo no olhar. Uma química sem igual.

E a situação atual da escola? O apelido "Imperinho" é fundamentado?
Cara, é uma história complicada. A nossa escola é mais antiga que o próprio Império Serrano. Mas, na época que eles estavam cada vez mais consolidados no Grupo Especial, era o mesmo momento em que passávamos por uma fase complicada, o que acabou gerando este costume das pessoas, em chamar o Império da Tijuca de Imperinho. Não gosto disto, somos um "Grande Império". Acho que acima de tudo é preciso respeitar a grandiosidade de uma agremiação, ainda mais agora, que estamos em uma fase muito boa e cada vez nos fortificando mais.
Pai e filho trabalham juntos na bateria | Foto: Diego Mendes / Divulgação
Pai e filho trabalham juntos na direção de bateria | Foto: Diego Mendes / Divulgação
Como é a sensação de trabalhar ao lado do seu filho?
O Ian é o meu braço direito, uma pessoa em quem posso confiar. Está cada vez aprendendo mais coisas e mostrando que está mais do que preparado para estar ali como diretor. Começou como ritmista e agora faz parte da minha equipe, por um merecimento muito grande. É muito gratificante contar com ele junto a mim, tanto tocando junto comigo na Vila Isabel, como me auxiliando no trabalho aqui no Império da Tijuca.

E o que esperar da escola em 2013?
Uma escola muito forte, com um trabalho pronto para marcar a Marquês de Sapucaí. Temos um dos melhores sambas do nosso Grupo, e também do carnaval. Fantasias da bateria estão prontas desde julho, na verdade, o trabalho inteiro está pronto desde setembro do ano passado. Nossa comunidade querendo dar um show de canto e evolução, e a pegada forte da nossa bateria. Nós vamos para lutar pelo título.