Rio -  A namorada do modelo e promotor Rodrigo Paulo Neves Cardoso, Flávia Razan, que estava com ele havia 11 anos, ainda não contou pro filho do casal, de 3 anos, sobre a morte do pai.
“Disse a ele apenas que o pai foi fazer uma viagem”, afirmou Flávia. Relatos de amigos do modelo apontam que houve enfrentamento corporal, afirmou o tio da vítima, Ary Júnior, durante o funeral: “Teria havido uma brincadeira entre os dois, que virou uma agressão e, depois disso, um tiro no peito”. Segundo familiares, Rodrigo chegou a morar na Itália para trabalhar como modelo.
Modelo foi morto com tiro no peito | Foto: Reprodução Internet
Modelo foi morto com tiro no peito | Foto: Reprodução Internet
Soldado foi indiciado
Soldado da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros do Adeus/Baiana, no Alemão, André Felipe Aguiar Rebello, de 22 anos, foi indiciado por homicídio doloso (com intenção de matar) pela morte de Rodrigo Paulo, nesta quinta-feira, num bar no Méier. Rodrigo foi enterrado no cemitério de Irajá e faria 30 anos domingo.
Segundo o delegado Giniton Lages, da Divisão de Homicídios, o PM confessou ter atirado em Rodrigo, após supostamente o modelo tentar tirar a arma dele, e alegou legítima defesa. A bala atingiu o peito de Rodrigo, que morreu na hora. Antes do disparo, houve briga. Segundo a família dele, os dois já se conheciam.
André Felipe não fugiu do local, chamou os bombeiros para socorrer Rodrigo e se apresentou à DH. Ele estava de folga no dia do crime, e a arma usada era da PM. O soldado ficará preso administrativamente por 72 horas e foi afastado das ruas.

"Estava alcoolizados"
O Comando de Polícia Pacificadora abriu averiguação sumária para apurar o caso. Após a conclusão do procedimento, é que será decidido se a PM abrirá ou não um Inquérito Policial Militar (IPM).
“Eles já se conheciam há algum tempo, se encontravam no bairro e tinham relação amistosa. Estavam alcoolizados, e a brincadeira evoluiu para briga. O PM conseguiu se desvencilhar, e, infelizmente, meu primo morreu”, relatou Fábio Cardoso.
Foto: Carlos Trindade / Povo do Rio
Norma Moraes (à dir.) desabafou no enterro: ‘Não foi tiro acidental’ | Foto: Carlos Trindade / Povo do Rio
Mas a mãe de Rodrigo, Norma Moraes, não acredita em tiro acidental. No cemitério, ela pediu para ver o rosto do filho pela última vez. “Não estava presente na cena do crime, não sei exatamente o que aconteceu. Só peço a Deus para que a justiça seja feita. Um tiro à queima-roupa no peito não pode ter sido acidental”, desabafou ela.
Rodrigo era modelo há 12 anos e trabalhou para marcas internacionais.