domingo, 21 de abril de 2013

Ex-guerrilheiro dos anos 60: ‘Lutamos por uma sociedade melhor’


Ex-guerrilheiro dos anos 60: ‘Lutamos por uma sociedade melhor’

Um dos líderes da guerrilha urbana, o jornalista Cid Benjamin está prestes a lançar o livro ‘Gracias a la Vida’. Ele diz que se pudesse voltar no tempo faria tudo de novo, mas de outra forma

POR CAIO BARBOSA
Rio -  O DIA: Por que lançar um livro só agora, tanto tempo depois da prisão?
CID: As pessoas me cobram este livro há muito tempo por uma série de motivos. E eu adiava porque não queria fazer só um relato, mas uma espécie de reflexão sobre uma série de questões. E como eu não tinha tempo nem pressa e não me sentia em condições de fazer como eu queria, o livro está saindo só agora.
Da maioria dos ex-companheiros, pelo menos os mais conhecidos, como o Fernando Gabeira e o (ex-ministro) Franklin Martins, você é um dos poucos que se mantêm em defesa do socialismo.
Mudei algumas concepções, mas no essencial eu continuo no mesmo lado onde estava. Hoje, dou um peso maior à democracia, até porque acho que ela não enfraquece o socialismo. Muito pelo contrário. Ela valoriza e enriquece a proposta socialista.
Cid voltou este ano à cela onde ficou preso, no Dops. Tão pequena que não havia espaço sequer para deitar e dormir | Foto: Divulgação
Cid voltou este ano à cela onde ficou preso, no Dops. Tão pequena que não havia espaço sequer para deitar e dormir | Foto: Divulgação
Qual foi seu principal aprendizado?
Não foi político, mas de vida. Várias vezes me vi sem nada. Levei uma vida muito espartana na clandestinidade. Fiquei preso sem roupa nenhuma. Perdi tudo várias vezes. Quando estava exilado no Chile, tive de sair do país com a roupa do corpo às vésperas do golpe contra o presidente Salvador Allende com minha mulher e minha filha recém-nascida. Tudo isso me fez aprender que, se você tem saúde e disposição, todo o restante é perfeitamente possível de ser feito.
E politicamente?
Tenho muito orgulho da minha trajetória. Apesar dos nossos erros políticos, sou de uma geração que em condições muito adversas lutou, arriscou a vida por uma sociedade melhor para todos. Isso é motivo de muito orgulho e acho que tem de ser valorizado.
E o grande erro?
Acho que a luta armada foi um erro. Não em tese, pois reafirmo a legitimidade de você pegar em armas contra um regime opressor e ilegítimo. Isso é reconhecido até pela ONU. Minha reflexão é em relação à eficácia da ação. Não tinha condição de vingar. Foi um erro político pelo qual pagamos caro. Mas falar agora é fácil. Após 1964, com a Revolução Cubana, com os EUA perdendo a Guerra no Vietnã, havia elementos fortes para que as pessoas se atraíssem e acreditassem no sucesso da luta armada. Então, não há arrependimento, mas a reflexão de que foi um erro. Costumo dizer que se pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo, mas de uma outra forma para que o objetivo fosse atingido.
Na volta ao Brasil, você fundou o PT com outros ex-companheiros. Mas hoje o partido é bem diferente. 

O PT deixou de ser um partido de transformação social, o que não quer dizer que seus integrantes, pelo menos a maioria, não têm mais essa perspectiva. Mas a direção do PT... o rumo que tomou não é transformador. E nem falo de transição para o socialismo, mas da dificuldade que o PT tem para tomar medidas republicanas mais radicais. Embora eu reconheça melhorias em relação aos governos anteriores, é muito pouco para o que eu queria do PT.

E o Psol?
Não acho que o Psol vá crescer, atropelar isso tudo que aí está e encampar a bandeira do socialismo. Mas é uma importante trincheira onde segue erguida a bandeira socialista. Não consigo imaginar o que seria do Congresso sem os nossos quatro parlamentares (senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, os deputados Chico Alencar e Jean Wyllys, do Rio, e Ivan Valente, de São Paulo). Eles cumprem um papel importantíssimo, são os melhores parlamentares do país e não seriam se estivessem no PT. Ficariam amordaçados.
Você é daqueles que consideram que o grande legado do PT, além do Bolsa Família, será a despolitização da sociedade após os escândalos de corrupção?
É um exagero afirmar isso. Contribuiu bastante para a desilusão. Despolitização? Penso que sim. Mas o Bolsa Família melhorou a situação de milhões de pessoas. Só que representa apenas 1/5 do lucro dos bancos. E se você quer pensar em transformação social, é preciso pensar em emprego digno e estável. A assistência social tem que ser feita muitas vezes porque há miséria, mas é preciso ter a porta de saída para não ficar vivendo eternamente da caridade do Estado.
O Bolsa Família se tornou o que há algumas décadas era um saco de cimento e um caminhão de tijolos, ou seja, é um cabresto eleitoral do século 21?
Não quero dar uma impressão pejorativa do Bolsa Família. Ele beneficia não apenas o núcleo familiar, mas faz o dinheiro circular nas cidades do interior do Nordeste, por exemplo. O padeiro vende mais pão, o comércio vende mais roupa e isso é bom. Mas é emergencial. Cada vez que se anuncia o número maior de beneficiados vejo um lado ruim. O ideal seria este número diminuir, que o governo dissesse que dá menos Bolsa Família porque o cidadão já tem um emprego decente. Mas isso não acontece.
Apesar de ter sido fundador do PT e um dos coordenadores da campanha do Lula na histórica eleição de 1989, você diz no livro que o melhor para o país teria sido a eleição de Leonel Brizola. Por quê?
Pela educação. Acho que ela tem de ser prioridade em qualquer governo, de esquerda ou direita. Isso não tem a ver com o socialismo e não necessariamente vai ameaçar as classes dominantes. Se o PT tivesse revolucionado a educação fundamental nestes 11 anos, já teria sido um legado enorme. Mas nunca fizeram isso. Aliás, não há quem cite neste governo uma única medida que tenha contrariado o interesse das classes dominantes, dos bancos, dos empreiteiros, das multinacionais e do agronegócio.
E qual a sua avaliação do governo Dilma, outra ex-guerrilheira. Vocês se conheceram na ditadura?
Não. Ela era da base. O ex-marido, Carlos Araújo, é que era dirigente. Eu acho um governo frustrante porque não é de transformação social. Se você me perguntar se não é melhor que os do Lula, Fernando Henrique e Collor, certamente direi que é, mas não me satisfaz. Não mexe com os interesses dos ricos, não faz as reformas necessárias e constrói a governabilidade montando uma geleia de partidos que o imobiliza. São tantas concessões que não permitem as transformações, apenas permitem que o o governo não seja incomodado.
E a Comissão da Verdade, criada por ela para apurar os crimes cometidos pelo Estado na ditadura? O que pensa a respeito?
Não tenho rancor contra meus torturadores, mas um país que não conhece sua história está condenado a repetir os erros. Mandela, na África do Sul, abriu mão da punição dos torturadores desde que eles fossem a público confessar tudo o que fizeram. Foi um choque na sociedade sul-africana, mas criou anticorpos para que não aconteça de novo. Por isso, é preciso que saibamos quem foram os torturadores e os mandantes. Só lamento que esta comissão tenha vindo tão tarde. O Sarney, como cúmplice da ditadura, não poderia tê-la criado. O Collor, tampouco. Mas o Fernando Henrique e o Lula, sim, poderiam ter dado um passo importante neste direção e não fizeram.
O que chama a atenção em você é que, apesar de ter sido derrotado na luta contra a ditadura, de ter criado um partido que te causa frustração, você tem uma alegria de viver incrível.
Fiz o que achei que deveria ter feito e o fato de ter perdido batalhas não me deixou amargurado. Se eu ficar preocupado com tudo o que passei, vou ser torturado continuamente. Buda dizia que guardar rancor é como pegar um carvão em brasa com a intenção de atirá-lo em alguém. Quem segura o carvão é que se queima.
E o Darcy (Ribeiro) também tinha uma ótima. Ele dizia: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras e não consegui; tentei salvar os índios, não consegui; tentei fazer uma universidade séria e fracassei; tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Detestaria estar no lugar de quem me venceu”. Penso exatamente assim. 

Vacinação contra a gripe no Rio cobre 28% do público-alvo no Dia D


Vacinação contra a gripe no Rio cobre 28% do público-alvo no Dia D

Rio -  O carioca aproveitou o sábado para tomar vacina contra a gripe. Neste sábado, no Dia D da campanha de vacinação, o município do Rio registrou 28% de cobertura do público-alvo contra a doença. Só neste sábado, foram 80 mil pessoas vacinadas. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde.
Os idosos com mais de 60 anos são um dos alvos da campanha | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Os idosos com mais de 60 anos são um dos alvos da campanha | Foto: Fernando Souza / Agência O Dia
Desde o começo da campanha (15 de abril), foram imunizadas 360 mil pessoas. A iniciativa é voltada para quem tem 60 anos ou mais, crianças de seis a 23 meses, gestantes, mulheres no período de até 45 dias após o parto, doentes crônicos e profissionais da saúde.
“Esses são os grupos com maior vulnerabilidade de ter complicações por causa da gripe. As pessoas têm que se conscientizar da importância de se vacinar”, ressaltou Cristina Lemos, coordenadora da campanha de vacinação.
No Rio, 5 mil profissionais espalhados por 1,5 mil pontos entraram em campo para vacinar a população. Restam mais três dias de campanha, que continua na quarta até sexta-feira.
“Não dói nada”, garantiu Silvia Santos, 71 anos, ao sair do Centro Municipal de Saúde Heitor Beltrão, na Tijuca. “Venho sempre que convocam, é melhor não ficar vulnerável”.

Criar dentes naturais em laboratório já é uma realidade


Criar dentes naturais em laboratório já é uma realidade

Rio -  Dente de leite, definitivo e... biodente. Pode parecer estranho, mas a terceira dentição já existe, pelo menos dentro dos laboratórios. A boa notícia é que e, em breve, poderá beneficiar quem precisa, substituindo dentaduras ou implantes artificiais. Criada a partir de células-tronco retiradas do siso do próprio paciente, a peça possui estruturas iguais às de um dente natural, como esmalte e raiz.
A dentição do futuro faz parte de pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Trata-se de uma técnica conhecida por Engenharia Tecidual, cujo objetivo é criar um dente 100% natural e implantá-lo em que sofre de perda dentária. Como o método recorre ao transplante autógeno — doador e receptor são o mesmo indivíduo —, nenhuma rejeição é esperada, de acordo com a pesquisadora Mônica Duailibi.
Clique abaixo para ampliar o infográfico:
Foto: O Dia
Arte: O Dia
Assim como na versão natural, também estão no substituto biológico: esmalte, dentina, polpa, ligamento periodontal, sementon e osso. Segundo Mônica, os dentes têm vasossanguíneos e contam com um estímulo nervoso que controla, por exemplo, a força que fazemos durante a mastigação. “Tudo indica que o dente biológico também tenha essa capacidade e estrutura”, aponta.
Ela explica que a prótese dentária tradicional, com pinos de metal, apenas repara o dano e recupera a funcionalidade do dente, diferente do dente biológico. “A nossa técnica é de regeneração total do dente, como uma terceira dentição”, disse.
O biodente é feito a partir de células-tronco retiradas do interior do siso. O material é inserido em um molde de polímero, com o formato exato do dente a ser recuperado. Para que cresça, pesquisadores o implantam no dorso de um rato. O monitoramento é feito a partir de raio-X. “As células do dente são marcadas com substância fluorescente para auxiliar a visualização”, diz.
A pesquisa, iniciada em 2001, está na fase pré-clínica e os implantes estão sendo usados em animais, com sucesso. Ainda não há previsão para o uso em humanos.
Mistura de rato com humano
No Reino Unido, pesquisadores também se dedicam à produção da terceira dentição. Cientistas do King’s College de Londres apresentaram, em março, nova técnica que combina células do tecido gengival humano adulto com células de camundongos.
Quando esta combinação foi transplantada para outras cobaias, ocorreu o crescimento dos dentes híbridos humano/camundongo. A estrutura também continha dentina, raiz e esmalte. Responsável pelo experimento, Paul Sharpe explica que as céluas embrionárias de camundongos se mostraram capazes de induzir a formação da dentição. As células humanas foram retiradas de pacientes do Instituto de Odontologia.
Perda dentária afeta o Brasil
A perda dentária é um problema que afeta todo o Brasil. Levantamento do Ministério da Saúde, feito em 250 municípios, apontou que das pessoas com idades entre 35 e 44 anos, 9% sofrem de edetulismo (não possuem nenhum dos 32 dentes). Na mesma faixa etária, 24% têm entre quatro e oito dentes perdidos. E 10%, entre 16 e 20 dentes faltando.
Segundo o levantamento, a média de dentes perdidos foi de 13,5. Moradores de zona rural apresentaram prevalência de perda dentária 15% maior que moradores de regiões urbanas.
A cárie é a principal causa de perdas dentárias, mas traumatismos na boca e doenças periodontais também contribuem. O estudo foi feito entre 2002 e 2003, com 12.811 participantes.  
Reportagem: Beatriz Salomão

‘Amigos cuidadores dos royalties’, inimigos do Rio


‘Amigos cuidadores dos royalties’, inimigos do Rio

Estados não produtores querem ser ouvidos na Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF

POR AURÉLIO GIMENEZ
Rio -  Farinha pouca, meu pirão primeiro. Na disputa judicial pelos royalties de petróleo produzido na plataforma continental vale, até mesmo, ser um ‘amigo da corte’ ou ‘amigo cuidador do assunto’ perante ao Supremo Tribunal Federal (STF). Assim fizeram Rio Grande do Sul, Paraíba, Alagoas e Mato Grosso do Sul ao ingressarem com a habilitação de ‘Amicus curiae’ na Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), impetrada pelo Rio contra a lei aprovada pelo Congresso que redivide os royalties entre todos dos estados.
Ao contrário do Rio, os quatro estados querem ser ouvidos pelo STF para defender a Lei 12.734/2012, que pulveriza as finanças dos entes da federação que produzem petróleo.

“‘Amicus curiae’ ou ‘amigo cuidador do assunto’ é uma figura jurídica permitida quando alguém quer manifestar algum interesse nas ações. Por meio de petição, os ‘amigos’ defendem suas posições e, se aceitos, podem apresentar uma sustentação oral de 15 minutos no julgamento do mérito”, explica Ives Granda Martins, especialista em Direito Constitucional.
O estado e os municípios do Rio recebem royalties como uma compensação pelos efeitos nocivos provocados pela exploração de petróleo | Foto: Divulgação
O estado e os municípios do Rio recebem royalties como uma compensação pelos efeitos nocivos provocados pela exploração de petróleo | Foto: Divulgação
Para garantir a vigência da nova lei e uma maior fatia dos royalties de petróleo, os não produtores sustentam que o Artigo 20, parágrafo 1º, da Carta Magna, garante a distribuição dos recursos para todos os estados brasileiros. Eles argumentam ainda que a compensação dos royalties pela perda do ICMS do petróleo aos estados produtores, prevista na Constituição de 1988, é uma questão tributária e que não se aplicaria na manutenção dos atuais percentuais recebidos pelos mesmos estados produtores.
Um dos principais colaboradores na formulação da Constituição, Ives Granda afirma não ter dúvidas quanto a inconstitucionalidade da nova lei. O advogado cita que a expressão ‘no respectivo território’, que consta no Artigo 20, parágrafo 1º, é objetiva a favor dos produtores.
Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a nova lei está sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia. Ela concedeu liminar aos estados produtores, sustando os efeitos da medida, até que o mérito seja julgado pelo plenário do STF. A ministra decidirá se aceita ou não o pedido de ‘Amicus curiae’ dos não produtores. Antes, os ministros analisarão se a liminar continua valendo. Porém, isso só deve ocorrer após 7 de maio, pois o tema não está na pauta desta semana do Supremo.
No site do STF, cidadão pode ver o conteúdo das petições
Qualquer cidadão pode acompanhar o andamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade no site do Supremo Tribunal Federal (http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp). Basta inserir o número da Adin.
Ao abrir a página de acompanhamento processual, clicar em ‘Ver peças eletrônicas’. Uma nova página se abrirá com os links de todos os documentos do processo.
São ações contra a Lei 12.734/2012 aprovada pela maioria do Congresso: 4.916 (ES), 4.917 (RJ), 4.918 (Alerj) e 4.920 (SP).
Os parlamentares dos estados não produtores também derrubaram os vetos da presidenta Dilma, que garantiam os royalties dos contratos já assinados aos estados produtores.
Além dos quatro estados não produtores, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), que sempre defendeu a repartição dos royalties para todos os estados e cidades, e o Instituto dos Auditores Fiscais do Estado da Bahia também se habilitaram como ‘amicus curiae’ para defenderem a vigência da nova lei.
A favor dos contratos já assinados e da inconstitucionalidade da nova lei, apenas duas entidades ingressaram como ‘amigos cuidadores’: a Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) e a Associação Brasileira dos Municípios com terminais marítimos, fluviais e terrestres de embarque e desembarque de petróleo (Abramt). 

Coluna do Servidor: Consignado é maior no Rio


Coluna do Servidor: Consignado é maior no Rio

Funcionalismo municipal toma mais crédito que o estadual, revela levantamento

POR DANIEL CARMONA
Rio -  O crédito consignado têm hoje maior relevância para os servidores municipais na comparação com o funcionalismo estadual. Segundo levantamento realizado pela Coluna com as secretarias responsáveis pelas folhas de pagamento, cerca de R$ 36,2 milhões em contratos de crédito consignado foram assinados pelo funcionalismo da Prefeitura do Rio em março, que é representado por 88 mil servidores.
Já na esfera estadual, a relação é de R$ 188,4 milhões para 490 mil funcionários. Ou seja, essa modalidade de crédito apresenta proporção de R$ 383,93 para cada servidorfluminense, contra R$ 411,69 dos municipais do Rio.
Oferta de consignado: servidores devem ter cuidado com as condições | Foto: Agência O Dia
Oferta de consignado: servidores devem ter cuidado com as condições | Foto: Agência O Dia
Esse é um dos poucos cruzamentos que podem ser feitos entre a base de dados da prefeitura e os números do governo estadual. Isso porque as esferas não apenas usam metodologias bastante diferentes para lidar com a mesma informação, mas também adotam métricas distintas para ofertar o dinheiro.
Atualizada mensalmente, a tabela de consignado para quem serve a cidade do Rio informa apenas a taxa de juros cobrada pelos bancos. Na publicação de abril, as instituições financeiras credenciadas oferecem, basicamente, o crédito com o mesmo custo, com juros de 1,58% ao mês. Já no estado, as taxas extrapolam os 2% mensais, podendo chegar a 2,5%, mas são relativas ao Custo Efetivo Total (CET) do crédito.
Na avaliação de Alexandre Canalini, da professor da FGV, a diferença pode confundir. “O CET é um índice mais completo. Quando você toma um empréstimo, você paga impostos, taxas e, também, juros. É preciso tomar cuidado para não confundir”, explica.
Além do CET, vale reforçar que a instituição bancária pode ainda cobrar outras taxas que não fazem parte do índice. Assim, o servidor deve ficar atento para que o barato não saia ainda mais caro. 

Aposentados rejeitam pecúlio ou reembolso


Aposentados rejeitam pecúlio ou reembolso

As alternativas do governo para substituir a desaposentação não agradam

POR MAX LEONE
Rio -  O governo trabalha nos bastidores com duas propostas para tentar evitar que a desaposentação, mecanismo que permite o recálculo de benefícios dos aposentados do INSS que continuam trabalhando com carteira assinada. A discussão gira em torno da volta do antigo pecúlio e a criação do reembolso das contribuições previdenciárias feitas após a concessão dos benefícios pelo INSS.
Sem confirmar as propostas, o Ministério da Previdência limitou-se a informar à Coluna que há 24 mil ações originais, sem contar recursos, tramitando no judiciário pedindo o recálculo. O impacto seria de R$ 70 bilhões no longo prazo, argumenta o ministério para evitar a desaposentação. Atualmente, 703 mil aposentados continuam trabalhando e contribuindo, segundo a pasta.
O vendedor aposentado Luiz Lira da Silva trabalha há 12 anos, desde que se aposentou. “A recontagem do tempo de serviço ajudaria muito”, diz | Foto: André Mourão / Agência O Dia
O vendedor aposentado Luiz Lira da Silva trabalha há 12 anos, desde que se aposentou. “A recontagem do tempo de serviço ajudaria muito”, diz | Foto: André Mourão / Agência O Dia
Os aposentados, no entanto, não abrem mão de usar o dinheiro recolhido para aumentar os benefícios. O governo não comenta o assunto.
“O governo começou a falar em devolver as contribuições, por meio de reembolso. Mas, para o aposentado vale mais a pena a desaposentação. O benefício é recalculado”, afirma Warley Martins, presidente da Confederação Brasileira de Aposentados.
A categoria rebate os argumentos do governo de que o projeto do senador Paulo Paim (PT-RS), aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, provocará rombo de R$ 70 bilhões nos cofres da Previdência.
O senador e o presidente da Cobap defendem que os recursos para bancar a desaposentação são os que foram recolhidos pelo governo quando os aposentados pagam a contribuição, mas não usufruem do dinheiro.
Contribuição devolvida na rescisão
Extinto em 15 de abril de 1994, o pecúlio consistia em uma indenização para os aposentados do INSS que continuavam a trabalhar com carteira assinada. A devolução vinha em parcela única. Os valores eram pagos quando o aposentado parava de trabalhar definitivamente e equivaliam ao total de contribuições. No caso de morte ou invalidez, dependentes e sucessores recebiam o benefício.
Devolução de cinco em cinco anos
Pela proposta de reembolso, as contribuições feitas após a aposentadoria seriam devolvidas de cinco em cinco anos, sem qualquer tipo de correção. Por outro lado, a desaposentação eleva o valor do benefício conforme o tempo de contribuição.
“Mas há casos em que o aposentado não se beneficiaria da desaposentação. Quem continuou trabalhando e passou a contribuir com valores menores não teria aumento”, ressalta Paim, calculando que por este fato mais da metade dos 703 mil aposentados quetrabalham não teriam a aposentadoria recalculada.
Recurso será apresentado
O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), apresentará recurso esta semana para fazer o projeto da desaposentação tramitar por outras comissões da Casa. A proposta foi aprovada em caráter terminativo em comissão e, assim, seguiria à Câmara, sem passar pelo plenário do Senado.
Braga afirma não ser contra a desaposentação, mas que fará o recurso pelo fato de o governo considerar que o projeto foi aprovado a toque de caixa e precisa ser melhor discutido. 

Paraguai elege neste domingo novo presidente


Paraguai elege neste domingo novo presidente

Paraguai - Os colégios eleitorais abriram neste domingo no Paraguai às 7h local (8h, horário de Brasília) para a sexta eleição geral desde que foi instaurada a democracia e 3,5 milhões de pessoas foram convocadas. Os paraguaios elegerão o presidente e vice-presidente da República, além dos deputados e senadores de seu Parlamento bicameral, os governadores e membros de suas 17 juntas departamentais e os representantes do país no Parlasur.
As urnas permanecerão abertas até as 16h local (17h, horário de Brasília) e os resultados preliminares serão conhecidos quatro horas depois, informou à Agência Efe um porta-voz do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral (TSJE).
Dos 3.516.273 cidadãos com direito a voto, 21.981 poderão votar no exterior, em colégios habilitados na Argentina, Espanha e Estados Unidos. No pleito serão eleitos o presidente e vice-presidente da República, 80 deputados e 45 senados, 17 governadores e 228 membros dejuntas deparmentais, e os 18 legisladores representantes do Paraguai no Parlasur, o Paralmento do Mercosul. 11 candidatos aspiram o cargo de presidente do Paraguai, embora as enquetes coloque Horacio Cartes (Partido Colorado) e Efraín Alegre (Aliança Paraguai Alegre) como os favoritos.
As informações são da EFE 

Papa pede que crise política na Venezuela seja resolvida de forma pacífica


Papa pede que crise política na Venezuela seja resolvida de forma pacífica

Itália -  O papa Francisco disse neste domingo que acompanha o momento da Venezuela "com profunda preocupação, com a oração intensa e com a esperança de que vai buscar e encontrar formas justas e pacíficas para superar as sérias dificuldades que o país está atravessando". O papa falou da Venezuela, onde na sexta-feira foi celebrada a posse do novo presidente, Nicolás Maduro, após a reza do Regine Coeli na Praça de São Pedro perante milhares de pessoas.
O pontífice afirmou estar seguindo "de perto os eventos que estão acontecendo" na Venezuela, após os protestos ocorridos no país por conta do resultado das eleições de 14 de abril. "Convido o querido povo venezuelano, especialmente os que tomam as decisões e os responsáveis políticos, a rejeitar firmemente qualquer tipo de violência e a estabelecer um diálogo baseado na verdade, de reconhecimento mútuo, na busca do bem comum e o amor pela nação". O papa Francisco também pediu "aos crentes que orem e trabalhem pela reconciliação e a paz. Vamos nos unir em uma oração completa de esperança para a Venezuela, colocando o país em mãos de Nossa Senhora de Coromoto".
As informações são da EFE 

Moacyr Luz: Jorge, guerreiro!


Moacyr Luz: Jorge, guerreiro!

Rio -  A dois dias de homenagens a São Jorge, o coração aperta por devoção. Com absurda intimidade, Jorge é um santo carioca. Anel no dedo, sapato charlote, cordão pesado no pescoço com a camisa aberta pra melhor brilhar a imagem no aro, alcançou na cidade, com seu esguio cavalo branco, o status de feriado, caldo de galo ou mocotó, birosca cheia de cor vermelha e fita apertada no pulso com três pedidos sentimentais, sempre.
Meu saudoso amigo  Cláudio Camunguelo, mão de estivador, mas sensível feito um ourives, rodava a cidade passando um caderno onde anotava as doações para essa data querida. Morador de Vista Alegre, a zona sul do Irajá, já acordava o bairro com os fogos da alvorada harmonizando o trumpete melodioso do mestre Silvério Pontes.
Uma quantidade de uca capaz de intimidar ‘Zé Pilintra’, siris desentocados na margem esquerda da Gamboa, violões e pandeiros, um cardápio servido na garagem do prédio, cômodo adaptado em sua residência oficial, e vamos festejar de peito aberto, porque facas e lanças se quebram sem o meu corpo tocar.
Botequim de subúrbio só dá movimento se, na parede carcomida, resplandecer seu perfil no salão. A mesma proteção compreende inúmeras escolas de samba, equipes de futebol, apontador de bicho e polícia de plantão.
Há praticamente um cessar fogo, bandeira branca do Vidigal a Vila Vintém, do Leme ao Pontal, Jorge Ferraz, Jorge Aragão, Jorge Ben.
A primeira missa, que hoje acompanho da Senhor dos Passos, acontece na madrugada. Rezas e sincretismo, sussurro contrito ou um solitário atabaque branco que se ouve desde a Central do Brasil emolduram esta manhã de fé.
O Glorioso é o padroeiro de Portugal e da Etiópia, a ferradura pilando uva e café, esteio de um povo, raiz de suas culturas.
Conheço dezenas de músicas inspiradas e dedicadas ao Santo Guerreiro. Eu mesmo compus uma canção com o meu parceiro Aldir Blanc, ‘Medalha de São Jorge’, cantada em feitio de oração. Nos versos finais, um aviso:
“Que a malvadeza desse mundo é grande em extensão
E muita ‘vez’ tem ar de anjo e cara de dragão...”
A rima clama por tempos melhores, longe de coréias e bombas onde manto sagrado desbota na miséria humana.
Que Pixinguinha, outra entidade do mesmo dia, nos traga solfejos de ‘Carinhoso’, notas encordoadas no terço da misericórdia, recitando pedidos de amor e paz a todos desse planeta ainda azul de esperança.

Frei Betto: Produção de sentido


Frei Betto: Produção de sentido

Rio -  Muitos pais se queixam do desinteresse dos filhos por causas solidárias, sustentáveis. Acreditam que parcela considerável da juventude busca apenas riqueza, beleza e poder. Já não se espelha em líderes como Mahatma Gandhi e Nelson Mandela.
O que falta à nova geração? Faltam instituições produtoras de sentido. Há que imprimir sentido à vida. Minha geração, a que fez 20 anos de idade na década de 1960, tinha como produtores de sentido igrejas, movimentos sociais e organizações políticas.
A Igreja Católica, renovada pelo Concílio Vaticano 2º, suscitava militantes, imbuídos de fé e idealismo, por meio da Ação Católica e da Pastoral de Juventude. Queríamos ser homens e mulheres novos. E criar uma nova sociedade, fundada na ética pessoal e na justiça social.
As novas tecnologias de comunicação provocam a explosão de redes sociais que, de fato, são virtuais. Vigora atualmente um descompasso entre o que se vê e o que se quer. Há uma multidão de jovens que deseja apenas um lugar ao sol sem, contudo, se dar conta das espessas sombras que lhes fecham o horizonte.
Quando não se quer mudar o mundo, privatiza-se o sonho modificando o cabelo, a roupa, a aparência. Quando não se ousa pichar muros, faz-se tatuagem para marcar no corpo sua escala de valores.
Não fomos criados para ser carneiros em um imenso rebanho retido no curral do mercado. Fomos criados para ser protagonistas, inventores, criadores e revolucionários. De onde beber esperanças lúcidas se as fontes de sentido parecem ressecadas?
Parecem, mas as fontes estão aí, a olhos vistos: a espiritualidade, os movimentos sociais, a luta pela preservação ambiental, a defesa dos direitos humanos, a busca de outros mundos possíveis.
Frei Betto é escritor, autor do romance ‘Minas do Ouro’ (Rocco)

Pedro Pinchas e João Baptista: Rio e Brasília de Tiradentes


Pedro Pinchas e João Baptista: Rio e Brasília de Tiradentes

Rio -  O 21 de abril homenageia Tiradentes, Mártir da Inconfidência, recuperado pela República cem anos após ter sido sacrificado na capital da Colônia e cuja referência maior, no Rio, é a concorrida praça inscrita com seu nome, situada em sua Área Central. Nesta simbólica data, nos idos de 1960, ocorreu a inauguração de Brasília, com o encorajamento do Presidente JK e as assinaturas arquitetônicas dos gênios Lucio Costa e Oscar Niemeyer.
Com efeito, ao final dos anos 50, as vitórias no tênis, no futebol e no basquete, o surgimento da batida sofisticada da bossa nova e a construção de Brasília contribuíram para o reconhecimento internacional e projetaram o país, mostrando sua face moderna.
Em Brasília, o Palácio Alvorada e o Hotel Nacional, com estrutura metálica e concreto, sobressaíram inicialmente. Logo a seguir, são edificados o Congresso e a Catedral, cuja concepção evoca dedos dirigidos aos céus. Nos dias de hoje, em Brasília, consolidada com o Poder Central e uma das maiores aglomerações humanas no cenário brasileiro, gravitam municípios periféricos.
Tiradentes continua sendo reverenciado com feriado nacional e, na urbe carioca, sendo nome de praça, colégio e assim por diante, enquanto o Rio, Patrimônio da Humanidade, além de elencar a imagem do Redentor, no nicho das Sete Novas Maravilhas, tem sido consagrado com vários títulos em pesquisas internacionais, afora a honraria de sediar a Olimpíada em 2016.
A escolha do 21 de abril representa um ato de independência e interiorização, contrapondo uma ideologia passada, com o litoral abrigando a sede da colonização e passando a ser exposto ao cosmopolitismo, enquanto o interior, nos domínios do nativismo, passara a ser o guardião dos valores de brasilidade. Ideologia não mais adequada para os dias atuais quando o Brasil procura um lugar mais alto na globalização.
Pedro Pinchas Geiger é professor do Instituto de Geografia da Uerj
João Baptista Mello é coordenador do Projeto Roteiros Geográficos, da Uerj 

Muito além de outros 500


Muito além de outros 500

Preparadora sediada em Lazio, na Itália, transforma o Fiat 500 em um foguete

POR PEDRO CUADRAT
Rio -  Depois da construção de um Fiat 500 com motor 3.2 Porsche e um outro equipado com propulsor Ferrari 3.0 V8, Gianfranco e o filho Leonardo, da italiana Oemmedi Meccanica, revelaram uma versão com motor e câmbio de um Lamborghini Murciélago V12 6.2 que rende colossais 600 cv de potência. Nada mal para um carrinho que tinha um motor de dois cilindros e 479 cm³, que gerava somente 13 cv.
Imensos para lamas abrigam as rodas e as tomadas de ar | Foto: Divulgação
Imensos para lamas abrigam as rodas e as tomadas de ar | Foto: Divulgação
O Fiat 500 original foi completamente modificado para que a poderosa usina de força coubesse dentro do modelo. Todo o interior do pequenino clássico foi retirado e o novo conjunto motor e câmbio invade a cabine do Fiat 500 sem a menor parcimônia.
Para dar conta do recado, os freios e o sistema de tração integral do Murciélago também foram adotados, além de novas suspensões reguláveis e um sub-quadro sob medida para o devaneio da Oemmedi Meccanica.
A traseira do veterano da Fiat foi modificada para receber o motor V12 | Foto: Divulgação
A traseira do veterano da Fiat foi modificada para receber o motor V12 | Foto: Divulgação
O Fiat 500 V12 também recebeu rodas de 18 polegadas, que são vestidas por pneus dianteiros de 245 mm de largura e 335 mm na traseira.

Em termos estéticos, o 500 também foi alterado. Ele ganhou kit de carroceria composto por novo para-lamas (para abrigar os largos pneus), além de novos para-choques, saias laterais e uma generosa tomada de ar lateral para alimentar e refrigerar o novo propulsor.
De acordo com a equipe responsável pelo projeto, a construção do Fiat 500 V12 consumiu aproximadamente três mil horas de trabalho.
O motor 6.2 V12 e o câmbio foram emprestados do Lambo Murciélago | Foto: Divulgação
O motor 6.2 V12 e o câmbio foram emprestados do Lambo Murciélago | Foto: Divulgação