'Mestres do Salgueiro', pai e filho revelam a felicidade de trabalhar juntos
Marcão está no comando da Furiosa há oito anos, enquanto seu filho é o mestre da bateria mirim da escola desde 2011
POR Rafael Arantes
Rio -
Marco Antônio da Silva, mais conhecido como Mestre Marcão. É este
o responsável por todo o trabalho feito pela bateria Furiosa,
do Salgueiro. Homenageado pelo Troféu Jorge Laffond, em 2011, Marcão
já conquistou outros diversos prêmios comandando os ritmistas
da agremiação. O maior deles foi o título de campeão do carnaval em
2009. Ao fazer um balanço do trabalho realizado, o mestre exalta a
união de todos os envolvidos como o maior diferencial.
"A gente começou bem cedo, gostamos de trabalhar bastante para quando a escola já tiver escolhido o samba oficial, conseguirmos desenvolver um trabalho legal. Aqui, o que mais se destaca é a união de todo mundo. Buscamos estar sempre transmitindo algo bom para os nossos músicos, e graças a deus temos uma relação intensa de respeito e dedicação mútua entre todos", declara Marcão ao DIA na Folia.
Detentor de um vasto currículo dentro da escola, Marcão tem o Salgueiro como uma segunda casa. Há oito anos no posto, o comandante da vermelho e branco faz parte da agremiação desde 1984, quando fez seu primeiro desfile, tocando tarol, sob o comando de mestre Louro.
Reverência a Mestre Louro
"Meu primeiro desfile foi em 1984, tocando tarol, com o mestre Louro. No carnaval de 2000 ele me colocou como diretor, me desenvolvi muito, desde meu primeiro ano, a cada dia eu aprendia um detalhe a mais, desde o método de encourar os instrumentos até a afinação, que é algo primordial. Hoje vejo o quanto me desenvolvi até chegar nesta função que estou exercendo, espero poder aprender cada vez mais", revela.
Filho
de mestre Bira, comandante da bateria da escola em 1964, Marcão admite
que não teve a oportunidade de ver de perto o trabalho do pai, mas diz
que espera poder servir de espelho para seu filho Marquinhos, que é o
atual diretor de chocalho da Furiosa, além de mestre de bateria da
Aprendizes do Salgueiro, escola mirim da vermelho e branco.
"Quando meu pai foi mestre eu era muito pequeno, não tive a oportunidade de vê-lo realizando seu trabalho, mas algumas pessoas da velha guarda dizem que somos muito parecidos, que o jeito de comandar é praticamente o mesmo. Isso me orgulha muito, sem dúvidas. Hoje, o Marquinhos tem a chance de estar sempre junto comigo, espero que ele aprenda cada vez mais, e que eu possa sempre ajudar no seu desenvolvimento ", diz o comandante.
Filho segue os passos do pai
Há um ano no posto de diretor, Marquinhos respira o ar salgueirense desde 2002. Atualmente com 17, um dos herdeiros de Marcão, pai de seis filhos, começou na escola aos sete anos, desfilando em uma ala da escola mirim, curiosamente, com o braço quebrado, como contou."Comecei na aprendizes, no carnaval de 2003. Meu primeiro desfile foi em ala, já que estava com o braço quebrado. Só no ano seguinte consegui estrear na bateria, e apenas três anos depois passar a ensaiar no Salgueiro", conta Marquinhos.
Mesmo com seu pai sendo o líder dos ritmistas, Marquinhos não contou com a ajuda do patriarca para integrar a bateria da escola. Apenas após muita insistência das antigas diretoras de chocalho, Vivian e Joana, o comandante acabou cedendo e autorizando o filho a entrar na Avenida tocando pela escola tijucana.
"Não foi fácil, ele (Marcão) não fez corpo mole, cheguei até a fazer teste, mas só depois da insistência das diretoras eu consegui integrar a bateria. Foi difícil, mas graças a Deus, estou lá até hoje", diz o atual diretor.
Após batalhar muito por uma vaga, Marquinhos acabou covencendo a
todos que realmente merecia estar ali. Após a saída das antigas
diretoras, Marcão e os ritmistas do "Showcalho Furioso", como é chamada a
ala de chocalho da bateria, decidiram escolhê-lo como o novo diretor
para o carnaval de 2012. A princípio, a idéia não agradava muito ao
jovem ritmista, que não queria deixar de desfilar tocando. Mas aos
poucos, o rapaz foi gostando de exercer a função.
"No início eu não queria, não pensava em parar de desfilar tocando. Mas com o tempo fui vendo de outro modo, e hoje sou muito feliz. É uma responsabilidade imensa, mas dá orgulho ver meu trabalho sendo executado. É muito bom fazer aquilo que sempre amei, é sensacional. Faço o que gosto, e isso ninguém pode tirar de mim".
Se dividindo entre o comando da bateria mirim e a direção do chocalho da "escola-mãe", Marquinhos não esconde a felicidade e emoção de poder trabalhar ao lado do pai, e de ter a confianção dele em algo tão importante na sua vida profissional. "É incrível estar exercendo esta função ao lado do meu pai. É mais que um trabalho em equipe. Ele confiar em mim, saber que eu tenho esta capacidade ainda tão jovem me deixa muito feliz", diz.
Diretor de chocalho com moral
Muito orgulhoso do trabalho do filho, Marcão não esconde a emoção ao comentar como é realizar todo um processo tendo um de seus herdeiros como seu parceiro na diretoria. Segundo ele, o filho mostra a todo momento que está se desenvolvendo cada vez mais, e que realmente conquistou seu espaço. E o cargo de diretor de chocalho da bateria do Salgueiro já tem um dono fixo enquanto ele estiver dirigindo a Furiosa.
"Quando ele era menor eu não o queria aqui. Não foi por mim que
ele chegou onde está, foi pela dedicação dele. Em casa, ele pegava arroz
e feijão colocava em uma garrafa e ficava treinando, tudo que ele
aprendeu foi pela sua própria vontade. Eu não o ensinei, o que eu sempre
disse foi que se era realmente isto que ele queria, era necessário que
se dedicasse ao máximo para estar sempre melhorando. Hoje ele está
aí, fazendo o que gosta e muito bem. Enquanto eu estiver aqui ele
sempre será o diretor do chocalho", exalta o pai "coruja".
Além de Marquinhos, o mestre da Furiosa também contou que um de seus outros filhos já está mostrando que tem vocação para o samba. Segundo Marcão, é muito bom ver os garotos gostando de fazer uma coisa que ele também adora. E que se sente muito feliz ao saber que pode ser sucedido por um de seus herdeiros.
"Além dele ainda tem o Cauã, meu filho menor, que chega na quadra querendo tocar tudo. Em casa, ele não pára um segundo, às vezes eu chego e ele está com meu tamborim na mão, tocando sem parar. Dá para ver que ele tem noção, é um dom. Quem sabe daqui a alguns anos ele e o irmão não estejam dando continuidade ao trabalho que faço aqui. Vou estar sempre olhando por eles, são o meu orgulho", declara, emocionado.
Marcão quer o título em 2013
Após dois anos seguidos conquistando a segunda colocação do carnaval carioca, o mestre da Furiosa diz que em 2013 a escola virá ainda mais forte em busca do título, e que mesmo com o enredo complicado, a agremiação estará buscando fazer um belo espetáculo, com a bateria prepararando mais uma exibição de gala para toda a sapucaí.
"É um enredo difícil, mas nós temos bons sambas concorrendo. Os compositores capricharam, e nós, da bateria, também estamos caminhando. No último ensaio fizemos uma coisa nova, e que vamos levar para a Avenida. Iniciamos o trabalho cedo, para realizar com tranquilidade, e vamos preparar algo muito interessante para o próximo ano", conclui.
Em 2013, com o enredo "Fama", o Salgueiro será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval.
"A gente começou bem cedo, gostamos de trabalhar bastante para quando a escola já tiver escolhido o samba oficial, conseguirmos desenvolver um trabalho legal. Aqui, o que mais se destaca é a união de todo mundo. Buscamos estar sempre transmitindo algo bom para os nossos músicos, e graças a deus temos uma relação intensa de respeito e dedicação mútua entre todos", declara Marcão ao DIA na Folia.
Detentor de um vasto currículo dentro da escola, Marcão tem o Salgueiro como uma segunda casa. Há oito anos no posto, o comandante da vermelho e branco faz parte da agremiação desde 1984, quando fez seu primeiro desfile, tocando tarol, sob o comando de mestre Louro.
Reverência a Mestre Louro
"Meu primeiro desfile foi em 1984, tocando tarol, com o mestre Louro. No carnaval de 2000 ele me colocou como diretor, me desenvolvi muito, desde meu primeiro ano, a cada dia eu aprendia um detalhe a mais, desde o método de encourar os instrumentos até a afinação, que é algo primordial. Hoje vejo o quanto me desenvolvi até chegar nesta função que estou exercendo, espero poder aprender cada vez mais", revela.
Mestre Marcão é o responsável pela Furiosa | Foto: Rafael Arantes / Agência O Dia
"Quando meu pai foi mestre eu era muito pequeno, não tive a oportunidade de vê-lo realizando seu trabalho, mas algumas pessoas da velha guarda dizem que somos muito parecidos, que o jeito de comandar é praticamente o mesmo. Isso me orgulha muito, sem dúvidas. Hoje, o Marquinhos tem a chance de estar sempre junto comigo, espero que ele aprenda cada vez mais, e que eu possa sempre ajudar no seu desenvolvimento ", diz o comandante.
Filho segue os passos do pai
Há um ano no posto de diretor, Marquinhos respira o ar salgueirense desde 2002. Atualmente com 17, um dos herdeiros de Marcão, pai de seis filhos, começou na escola aos sete anos, desfilando em uma ala da escola mirim, curiosamente, com o braço quebrado, como contou."Comecei na aprendizes, no carnaval de 2003. Meu primeiro desfile foi em ala, já que estava com o braço quebrado. Só no ano seguinte consegui estrear na bateria, e apenas três anos depois passar a ensaiar no Salgueiro", conta Marquinhos.
Mesmo com seu pai sendo o líder dos ritmistas, Marquinhos não contou com a ajuda do patriarca para integrar a bateria da escola. Apenas após muita insistência das antigas diretoras de chocalho, Vivian e Joana, o comandante acabou cedendo e autorizando o filho a entrar na Avenida tocando pela escola tijucana.
"Não foi fácil, ele (Marcão) não fez corpo mole, cheguei até a fazer teste, mas só depois da insistência das diretoras eu consegui integrar a bateria. Foi difícil, mas graças a Deus, estou lá até hoje", diz o atual diretor.
Marquinhos fez seu primeiro desfile como mestre de bateria da Aprendizes do Salgueiro em 2011 | Foto: Reprodução Internet
"No início eu não queria, não pensava em parar de desfilar tocando. Mas com o tempo fui vendo de outro modo, e hoje sou muito feliz. É uma responsabilidade imensa, mas dá orgulho ver meu trabalho sendo executado. É muito bom fazer aquilo que sempre amei, é sensacional. Faço o que gosto, e isso ninguém pode tirar de mim".
Se dividindo entre o comando da bateria mirim e a direção do chocalho da "escola-mãe", Marquinhos não esconde a felicidade e emoção de poder trabalhar ao lado do pai, e de ter a confianção dele em algo tão importante na sua vida profissional. "É incrível estar exercendo esta função ao lado do meu pai. É mais que um trabalho em equipe. Ele confiar em mim, saber que eu tenho esta capacidade ainda tão jovem me deixa muito feliz", diz.
Diretor de chocalho com moral
Muito orgulhoso do trabalho do filho, Marcão não esconde a emoção ao comentar como é realizar todo um processo tendo um de seus herdeiros como seu parceiro na diretoria. Segundo ele, o filho mostra a todo momento que está se desenvolvendo cada vez mais, e que realmente conquistou seu espaço. E o cargo de diretor de chocalho da bateria do Salgueiro já tem um dono fixo enquanto ele estiver dirigindo a Furiosa.
Pai e filho trabalham juntos na bateria há um ano | Divulgação
Além de Marquinhos, o mestre da Furiosa também contou que um de seus outros filhos já está mostrando que tem vocação para o samba. Segundo Marcão, é muito bom ver os garotos gostando de fazer uma coisa que ele também adora. E que se sente muito feliz ao saber que pode ser sucedido por um de seus herdeiros.
"Além dele ainda tem o Cauã, meu filho menor, que chega na quadra querendo tocar tudo. Em casa, ele não pára um segundo, às vezes eu chego e ele está com meu tamborim na mão, tocando sem parar. Dá para ver que ele tem noção, é um dom. Quem sabe daqui a alguns anos ele e o irmão não estejam dando continuidade ao trabalho que faço aqui. Vou estar sempre olhando por eles, são o meu orgulho", declara, emocionado.
Marcão quer o título em 2013
Após dois anos seguidos conquistando a segunda colocação do carnaval carioca, o mestre da Furiosa diz que em 2013 a escola virá ainda mais forte em busca do título, e que mesmo com o enredo complicado, a agremiação estará buscando fazer um belo espetáculo, com a bateria prepararando mais uma exibição de gala para toda a sapucaí.
"É um enredo difícil, mas nós temos bons sambas concorrendo. Os compositores capricharam, e nós, da bateria, também estamos caminhando. No último ensaio fizemos uma coisa nova, e que vamos levar para a Avenida. Iniciamos o trabalho cedo, para realizar com tranquilidade, e vamos preparar algo muito interessante para o próximo ano", conclui.
Em 2013, com o enredo "Fama", o Salgueiro será a segunda escola a desfilar no domingo de carnaval.
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