São Paulo -  Daniela Nogueira Oliveira, a grávida de nove meses que foi alvejada na cabeça durante uma tentativa de assalto na última terça-feira, em São Paulo, teve a morte cerebral confirmada no início da tarde de ontem pelos médicos do Hospital Municipal do Campo Limpo, onde estava internada. A família decidiu pela doação de órgãos.
A secretária, que havia sido submetida a uma cesariana de emergência para salvar a bebê Gabriela, estava em coma induzido, com a bala alojada na região da nuca. Ela não apresentou sinais vitais quando a quantidade de sedativos foi reduzida.
Foto: Reprodução Internet
Foto: Reprodução Internet
“Eles tentaram três vezes. Fizeram as baterias de exames aguardando para saber se ela reagiria, mas infelizmente ela foi mais uma vítima da violência”, lamentou Gilzemar Araújo, cunhado de Daniela e porta-voz da família no caso.
“As pessoas tem que morrer para ver se alguém faz alguma coisa. Acontece que a Dani não é a primeira que morre e não vai ser a última vítima da violência. Quantas pessoas vão ter que morrer para alguém tomar alguma atitude?”, completou Araújo.
O procedimento para a doação de órgão leva até sete horas para ser realizado e por isso o corpo da secretária só foi liberado para o serviço funerário durante a noite. A bala também foi retirada do corpo e enviada para análise da polícia. O velório e enterro devem acontecer hoje. Local e horário não foram divulgados.
Momentos antes da confirmação da morte de Daniela, a bebê havia recebido alta da UTI Neonatal do hospital. A menina nasceu com 2,52 quilos e estatura de 42 centímetros, mas apresentou um quadro de taquipneia respiratória (uma pequena dificuldade para respirar) e precisou ficar em observação.
Ainda não há previsão sobre quando a pequena Gabriela poderá ir para casa.
Polícia divulga retrato falado
Retrato falado de suspeito de balear grávida | Foto: Divulgação
Retrato falado de suspeito de balear grávida | Foto: Divulgação
Com base no depoimento de uma testemunha que alegou ter cruzado com os bandidos no momento da fuga, a Polícia Civil divulgou um retrato falado do homem que teria atirado em Daniela. Pela descrição, trata-se de um jovem com cerca de 19 anos, alto e pardo. Após a divulgação do desenho, uma denúncia anônima foi recebida pela polícia e pode ajudar as autoridades a localizá-lo.
A investigação também utiliza imagens das câmeras dos condomínios, que mostram a ação dos bandidos. O delegado responsável, Lawrence Luiz Ribeiro, do 37º DP, também submeteu o retrato falado a um banco de dados para compará-lo a outros criminosos.
Revoltados, os moradores da região fizeram uma passeata na rua onde Daniela foi assassinada. Eles alegam que não existe policiamento e que o medo está invadindo o bairro.