Rio -  Há 51 anos, o meu saudoso avô, Leonel Brizola, elegeu-se deputado federal pelo Rio, então Estado da Guanabara, recebendo 269 mil votos, um terço do total válido — maior percentual em relação ao número de eleitores alcançado por um candidato ao Congresso na história das eleições brasileiras. Resultado da fama que ganhou ao liderar no Sul a Campanha da Legalidade, movimento civil que resistiu ao golpe militar que queria impedir a posse de João Goulart após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961. Banido pelo golpe de 1964, viveu 15 anos no exílio. Em 1979, tomou domicílio eleitoralno Rio e elegeu-se governador em 1982, sendo reeleito em 1992.
Gaúcho apaixonado pelo Rio, Brizola foi amado e odiado por sua atuação política, mas é unânime que o tema da educação sempre o acompanhou. Pregou-a como base de governo. No Rio, construiu 500 Cieps, escolas públicas de horário integral, idealizadas por Darcy Ribeiro e projetadas por Oscar Niemeyer. Trinta anos se passaram e infelizmente o projeto foi abandonado por sucessivas administrações por falta de vontade política. Poderíamos ter agora milhares de profissionais com boa formação, evitado que inúmeros jovens caíssem no crime e ter herdado legado para durar gerações.
Mas, mesmo com todas as adversidades, os Cieps Glauber Rosa, da Pavuna, e o Pablo Neruda, da Taquara, ficaram entre as melhores escolas públicas de 1º ao 4º ano do Rio, segundo o Ideb.
Sinto falta de uma homenagem a ele nesse sentido e aqui faço um desafio aogovernador Sérgio Cabral e ao prefeito Eduardo Paes. Criem o Prêmio de Educação Leonel Brizola e incentivem as escolas públicas a melhorar o desempenho. Falta esse reconhecimento do Estado, pois, até agora, somente a sabedoria popular do carioca reconheceu esse mérito do meu avô, Leonel, apelidando carinhosamente os Cieps de ‘Brizolões’.
Deputada estadual pelo PDT-RS e presidenta da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa gaúcha