Rio -  Este ficará na história! A renúncia do Papa, Renan Calheiros na Presidência do Senado e no Rio a viatura da PM cercada pela multidão em plena Cinelândia!
‘Carnaval’ vem de ‘carne’ e ‘vale’. Carne que se vai, assim como se foi o Papa na ‘Festa da Carne’ com as mais diversas explicações, pompas e circunstâncias do Vaticano, encobrindo ou não a verdadeira razão da renúncia.
Em relação ao episódio do desfile do Bola Preta, quem mesmo levou bola preta foi a PM. O ocorrido ressuscitou tempos difíceis das passeatas contra o regime então vigente. A imagem da viatura da PM cercada de foliões fez lembrar: o povo, unido, jamais será vencido! Velho grito de guerra do povo brasileiro! Pretensiosa, a PM imaginou um poder no azul e branco das temidas viaturas, mas esqueceu o poder de uma multidão desarmada, pretendeu além do que podia. Não dimensionou o tamanho do evento e a situação poderia ter proporções catastróficas. Erro de estratégia do batalhão, do comandante? Ação independente de membros da corporação? Não importa a apuração dos fatos, foi lindo ver os dois poderes se confrontando. A PM pagou o maior mico deste Carnaval. Nunca se imaginou que num desfile de bloco o povo teria a dimensão do seu poder.
Foi o Carnaval dos carnavais e o melhor pré-carnaval, em Brasília, com o Sr. Renan Calheiros, sem o menor constrangimento, fantasiado de político sério, assumindo a Presidência do Senado. Poderia aproveitar a dica do Papa e renunciar, mas não seria ele, não estaríamos no Brasil, em Brasília. A capital federal parece condenada, uma espécie de maldição dos políticos que, lá chegando, são acometidos de uma compulsão generalizada: roubar muito, mentir sempre, negar, ser julgado pelo Supremo, participar de mensalão, ser julgado e absolvido pela Comissão de Ética e vai por aí a fora. Renan normatiza algo perigoso: as regras fundamentais para se formar o bom político que, premiado pelos malfeitos, ensina como se chegar à Presidência do Senado! Novos tempos? Velhos! Shangai, diria Ibrahim Sued.
Psicanalista