Rio -  Na onda dessas obras todas por que passa o Rio, capital e interior, caberia o adendo do que se poderia chamar de ‘óbvio ululante’, para ficarmos na genial expressão de Nelson Rodrigues. São os chamados problemas crônicos, raramente colocados em pauta. A ideia surge a partir de, finalmente, a Prefeitura do Rio cuidar das enchentes na Praça da Bandeira, que atormenta a região há mais de meio século. Mas existem outros, de menor visibilidade e igual importância para a circulação.
Verdadeira tragédia urbana são alguns cruzamentos, de engarrafamentos diários. Os acessos, partindo de Copacabana, para o Túnel do Leme; o Largo do Machado, que não deveria nem ter ponto de ônibus, que faz o seu contorno ter uma pista apenas de circulação; a entrada da Praça Saens Peña; a Estrada da Gávea, no cruzamento de São Conrado na altura da Estrada das Canoas, que comportariam o que os mineiros denominam de ‘barreiras’ — ou seja, passagens subterrâneas, cuja pioneira no Brasil foi no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, mais conhecido por ‘buraco do Ademar’ por ter sido uma das primeiras obras do grande estadista paulista. Helio Garcia levou a experiência para BH, na região da Savassi, e hoje a capital mineira tem vários outros pontos liberados pela iniciativa, de muito baixo custo.
Niterói luta para melhorar o acesso a São Gonçalo e Região dos Lagos, via Niterói-Manilha, e sofre ainda com a apertada Alameda São Boaventura. Itaipava está com seu comércio comprometido pelo ilhamento na estrada que a corta, em pista única e congestionada a maior parte do dia e intransitável nos fins de semana.
Na área da Saúde, urge hospitais com centros cirúrgicos ampliados no interior, para aliviar a pressão nos da capital. A Santa Casa de Barra Mansa, por exemplo, poderia ter suas salas para cirurgia oncológica e um ambulatório, desde que recebesse recursos do estado, via SUS. Muitos hospitais no interior estão fechados e poderiam ser usados. Impressiona ainda o número de vans e ambulâncias vindas do interior que chegam a instituições como o Instituto Nacional do Câncer e a Maternidade Fernandes Figueira. Bastaria criar pelo estado centros de referência em instalações já existentes.
Jornalista