Rio -  Barbada, no linguajar do turfe, é um páreo fácil de ganhar. Para a Beija-Flor, de Nilópolis, porém, facilidade é uma palavra riscada do mapa de apostas. Com o enredo sobre cavalos, a escola aposta no sucesso da comissão de Carnaval, formada em 1998 e que tem no diretor de Carnaval, Laíla, o maior expoente.

De lá para cá, foram sete campeonatos e cinco vices. 2013 pode dar o 13º título à Azul-e-Branco. “Para a gente, da Beija-Flor, nunca houve nada fácil. Mas uma coisa eu digo, quando a gente chega na Avenida, é a comunidade que carrega a escola”. 
Últimos retoques são dados no barracão da Beija-Flor | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Últimos retoques são dados no barracão da Beija-Flor | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
A explicação, carregada de emoção, é do intérprete Neguinho da Beija-Flor, ainda espantado com o que aconteceu no ensaio de quadra, na noite de 10 de janeiro. Houve um apagão na quadra e, mesmo às escuras e sem amplificadores, todos continuaram a ensaiar durante mais de duas horas. “Saí da quadra arrepiado e disse pra mim mesmo: ‘vamos ganhar esse título’, explica Neguinho.

Com 3.800 componentes e 43 alas, a Beija-Flor será a terceira a desfilar na segunda-feira de Carnaval. O enredo “Amigo Fiel: do Cavalo do Amanhecer ao Mangalarga” vai contar a história do cavalo mangalarga marchador. “É uma raça brasileira, fruto da raça Alter-Real, que era um cavalo da realeza”, explica André Cezari, um dos integrantes da comissão. Os demais são Fran Sérgio, Ubiratan Silva e Victor Santos, além de Laíla.
Alegoria no barracão da Beija-Flor, cujo enredo conta história do cavalo | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Alegoria no barracão da Beija-Flor cujo enredo conta história do cavalo | Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
No enredo, a Beija-Flor vai enaltecer a importância do cavalo desde a época em que foi muito útil no transporte de carga de Minas Gerais até o Rio de Janeiro, sua importância na civilização, incluindo seu uso nas guerras, até a adoração do animal pelo povo cigano.  

Comissão de frente traz inovação 

A comissão de frente da Beija-Flor terá a direção do ator Augusto Vargas. Pela primeira vez, a escola terá na direção da comissão um especialista em artes cênicas, em vez de um coreógrafo. “É mais uma inovação da Beija-Flor”, diz Vargas, ex-secretário de Cultura de Nilópolis. A comissão usará a nanotenologia (manipulação de materiais por microchips) e terá 15 integrantes, escolhidos por processo de seleção.

Confira fotos do barracão da Beija-Flor

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Com enredo que conta a história do cavalo e sua importância para a humanidade, escola busca sua 13ª vitória no Carnaval

Confira a letra do samba

“Eu vou cavalgar, pra encontrar/
A minha história nesse mundo de meu Deus!
Venho de longe de uma era milenar/
Fui coroado quando o dia amanheceu!
Brilha, estrela guia... Um viajante, a sua sede a matar!
Presente de grego, que grande ironia/
Herói das batalhas, real montaria!
Com asas surgiu do infinito, tão claro mito...
A joia rara de Alah! /
Cigano... Buscando a purificação!
Mostrando elegância e bravura,
A minha aventura se torna canção!
É o bonde que vai, carruagem que vem...
Na viagem que trás, o amor de alguém!
Indomável corcel, alazão da Coroa.../
Troféu da nobreza, estrela que voa!
Amigo do Rei, pela estrada lá vai o Barão!
Sul de Minas Gerais, galopei...
A riqueza da mineração!
Café me fez marchar... Ao Rio da corte a bailar!
Acreditar... Que fui a raça escolhida!
Sou um puro sangue azul e branco,
Um acalanto... a mais sublime criação!
Sou eu o seu cavalo de batalha,
Se a memória não me falha...
Chegou a hora de gritar é campeão!
Sou Mangalarga Marchador!
Um vencedor, meu limite é o céu!
Eu vim brilhar com a Beija-Flor...
Valente guerreiro, amigo fiel!” 

Autores: J. Veloso, Ribeirinho, Marquinho Beija-Flor, Gilberto, Silvio Romai e Dilson Marimba.
Participação: Claudio Russo e Miguel.
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor