Rio -  Famílias brasileiras começaram o ano mais endividadas do que em 2012, indica pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O percentual de famílias que declararam ter dívidas no cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguros no primeiro mês de 2013 foi de 60,2%, enquanto em janeiro de 2012 o percentual foi de 58,8%.
Entre os principais tipos de dívidas identificados pelo estudo, liderou o cartão de crédito, com 74%, seguido dos carnês, 19,7%, e dos financiamentos de carros, 11,9%.
Apesar disso, a pesquisa mostra que as famílias estão mais confortáveis em relação ao endividamento. Enquanto, em 2012, 14,2% se declararam muito endividados, este ano o percentual caiu para 12%. Para a economista da CNC, Marianne Hanson, isso está relacionado à redução das taxas de juros e à baixa taxa de desemprego. “Com o mercado de trabalho aquecido e condições de crédito mais favoráveis, as pessoas se sentem mais otimistas e seguras em fazer empréstimos e financiamentos”, argumenta.
O professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Alexandre Canalini, porém, alerta para os riscos do otimismo dos brasileiros. “A inadimplência está aumentando e isso pode ser perigoso para a economia. Além disso, se continuar nesse ritmo, os bancos podem decidir mudar as políticas de concessão de crédito”, afirma. Para o especialista, antes de pegar um empréstimo é preciso observar se as parcelas mensais cabem no orçamento e verificar se o total da dívida com os juros ainda vale a pena.
Intenção de consumo recua
A intenção de consumo das famílias brasileiras caiu 2,1% em janeiro, em comparação ao mês anterior, e 3,3% em relação ao mesmo período de 2012, segundo pesquisa da CNC. De acordo com a confederação, os efeitos sazonais no início do ano, quando há menor disposição ao consumo, além do elevado nível de endividamento, impediram um aumento da confiança das famílias no período. Os índices, contudo, mantêm-se acima da zona de indiferença, indicando nível favorável de consumo.