Implacável aos 50 anos, galã Tom Cruise protagoniza 'Jack Reacher'
POR GABRIELA GERMANO
Ator brilha nas telonas | Foto: Divulgação
No filme, um atirador executa cinco pessoas em plena luz do dia e, durante o interrogatório, o suspeito insiste apenas em uma coisa: que Jack Reacher investigue o caso. Ex-militar com o paradeiro há anos desconhecido, o protagonista surge para desvendar os crimes, dando início a sequências com perseguições de carro de tirar o fôlego e incontáveis lutas corporais. O herói, é claro, sempre sai ileso.
Mas a obviedade que marca grande parte dos filmes de ação se limita às batidas, frenagens barulhentas e socos. O longa, que é baseado em livro de sucesso do autor Lee Child, best-seller nos Estados Unidos, tem um roteiro que surpreende e exige a atenção do espectador. Uma das figuras primordiais da história coube a David Oyelowo, que incorpora o antagonista Emerson e provoca uma reviravolta na trama. O ator é bastante sincero ao exaltar a qualidade do projeto. “Apesar de ser um filme de Hollywood, você tem que usar o cérebro para assistir”, ironiza. “Hoje as pessoas só querem entretenimento rápido, mas nesse caso o público precisa focar no enredo. Talvez seja um filme para ser assistido duas vezes. Adoro a complexidade dele”, complementa David.
O toque sensual da produção — sim, porque até os grandalhões que adoram filmes barulhentos não são de ferro —, fica por conta de Rosamund Pike, que interpreta a advogada Helen, parceira de Reacher nas investigações. Ela concorreu com várias outras atrizes, mas abocanhou o papel. “Acho que fui escolhida porque minha química com Tom Cruise funcionou muito bem. Temos um entrosamento fácil em cena”, argumenta ela, que estava grávida durante as filmagens. “Foi um desafio esconder a barriga de cinco meses e meio das câmeras”, destaca.
Uma infeliz coincidência fez com que o lançamento do filme nos Estados Unidos acontecesse justamente na época em que um atirador invadiu uma escola no estado de Connecticut, matando 26 crianças. O alto teor de violência do longa é justificado pelo diretor. “A violência é uma realidade em nossas vidas. Não sei se podemos fazer filmes exclusivamente sem esse teor. Nossa responsabilidade é saber qual a maneira mais adequada de mostrar isso. Na ficção, a violência sempre tem uma consequência. É importante que o público não goste da sensação de ver aquilo. Meu filme tem que gerar um certo desconforto”, defende Christopher McQuarrie.
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