Sem-teto limpam prédio ocupado em São Paulo para ocupar local
Márcia Maria da Paixão limpa apartamento em prédio de três andares no Brás | Foto: Divulgação
A ocupação, que começou por volta da meia-noite, foi organizada pelo Movimento de Moradia da Cidade de São Paulo (MMC). "Esperamos que o Poder Público municipal possa reformar esses prédios, que já foram desapropriados para fins de moradia popular, o mais rápido possível. A vizinhança nos disse que ele está há mais de cinco anos vazio, sem cumprir a sua função social", explicou Luiz Gonzaga da Silva, coordenador do movimento.
Assim como Márcia, a trabalhadora doméstica Maria Aparecida de Oliveira, 70 anos, espera ficar morando no prédio. "Por mim, não saio mais", disse. Ela chegou ao local durante a madrugada com os dois filhos e desde então trabalhava na limpeza para tornar habitável um dos apartamentos. "Com muita luta, esse esforço deve valer a pena", declarou.
De acordo com Silva, o prédio será desocupado se a prefeitura se comprometer a fazer a reforma para aquelas famílias. "Não temos prazo pra sair. Se eles disserem que vão fazer, a gente retira as famílias, que vão para os lugares de origem, e depois a gente retorna, já com condições melhores", esclareceu. Além desta, o MMC fez duas ocupações na região central, uma iniciada em setembro do ano passado e outra que começou em outubro de 2011.
Na madrugada, outro grupo que reivindica moradia em São Paulo também ocupou um prédio no centro da capital. Integrantes do Movimento de Moradia da Região Central (MMRC) chegaram ao prédio de quatro andares na Rua General Couto Magalhães, no bairro Santa Efigênia, também por volta de meia-noite. De acordo com Nelson de Cruz Souza, coordenador do movimento, o prédio público, que era sede do Programa Consórcio Nova Luz, foi desativado no ano passado.
Apesar de terem ocorrido no mesmo dia e horário, as ocupações não fazem parte de uma ação articulada dos dois movimentos, segundo o coordenador do MMC.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Habitação informou que não recebeu nenhum pedido de audiência por parte dos movimentos que fizeram as ocupações na madrugada de hoje. Destacou ainda que a nova gestão municipal está comprometida em construir 55 mil moradias ao longo dos próximos quatro anos.
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