Rio -  Plural e democrático, o Carnaval de rua do Rio une simpáticos e rabugentos. Famosos na Zona Sul ou mais ‘discretos’ no subúrbio, os blocos fazem graça de tudo, até mesmo dessas diferenças. Não há cara amarrada que resista.
“Não consigo compreender a vida sem Carnaval, nasci num bloco e logo fui mestre-sala mirim. Com 13 anos, aprendi a tocar cavaquinho e fui para o carro de som, onde canto há dez anos”, diverte-se Tomaz Miranda, do Simpatia É Quase Amor, que este ano faz 25 anos. De idade e de carreira, já que é filho de Ary Miranda, fundador do bloco que arrasta multidões em Ipanema.
Pedro Miranda(E), Tomaz Miranda e Marina Iris estarão na escolha do samba do Simpatia, no sábado | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Pedro Miranda (E), Tomaz Miranda e Marina Iris estarão na escolha do samba do Simpatia, no sábado | Foto: Ernesto Carriço / Agência O Dia
Simpatia de um lado, galhofa de outro. Na Vila da Penha, o destaque é o hilário Bloco do Rabugento, que há 13 anos faz quase o oposto de Tomaz e companhia. Mas a rabugice suburbana está longe de mau humor. Criado por Luiz Carlos da Vila, o bloco é a síntese do antigo Carnaval de rua.
“O que vale aqui é a brincadeira. Tem velho, criança, serpentina e pouca gente. Bloco com milhares de pessoas perde a razão de ser. O folião não interage com os músicos”, explica Luiz Carlos Máximo, o Barata, compositor da Portela e cofundador do bloco, por onde costumam passar Arlindo Cruz, Monarco e outros bambas e que, neste ano, vai ironizar os grandes blocos da Zona Sul. Vai sobrar, claro, para o Simpatia. Alguém duvida?
Na Vila da Penha, o bloco Rabugento vai desfilar este ano a ironia aos blocos de multidões da Zona Sul | Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia
Na Vila da Penha, o bloco Rabugento vai desfilar este ano a ironia aos blocos de multidões da Zona Sul | Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia
Simpatia faz a festa com o Bola Preta
A celebração dos 10 anos de Tomaz Miranda à frente do Simpatia será em grandeestilo, no sábado, na sede do mais famoso bloco de rua da cidade, o Cordão da Bola Preta, com novas caras do Carnaval carioca.
“Teremos o Pedro Miranda, fundador do Boitatá, e a Marina Íris, que está arrebentando nas casas da Lapa, para a escolha do samba. E tudo no Bola, bloco orgulho de todo carioca”, diz Tomaz, que via seu pai convidar bambas como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Aldir Blanc em outros carnavais.
Vera Loyola inspirou bloco do subúrbio
O folião Alex Brasil lembra bem o dia em que Luiz Carlos da Vila fundou o Bloco dos Rabugentos. A musa inspiradora — quem diria? — foi a socialite Vera Loyola, que em 2000 dava festas para seus cachorros.
“Uma palhaçada! Para piorar, uma perua acreditou e queria imitar. O Luiz Carlos da Vila, então, fez um sopão para os submergentes na porta do salão. E criou o bloco homenageando o cachorro do boteco, Rabugento, que só comia peixe”, contou Alex, às gargalhadas.