Xerém enfrenta agora os exploradores da dor alheia
Comércio local inflaciona preço de tudo, da água para beber até o pano de chão. Quem teve as casas atingidas na enxurrada faz vigília para evitar saques a imóveis
POR FERNANDA ALVES
Foto: Severino Silva / Agência O Dia
VIGÍLIA CONTRA SAQUE
A família do promotor de vendas Carlos da Silva, 34 anos, que viu parte de sua casa arrastada pela força do Rio Capivari, acampou à beira do rio, em barraca improvisada de madeira e plástico. “Estão saqueando as casas vazias, então vim cuidar do pouco que me sobrou”, disse. Ele dorme com mais cinco pessoas no espaço, com chão de terra, sem luz e só come quando voluntários doam quentinhas. O grupo montou protesto no local: instalaram uma ‘sala de estar’ no meio do rio, com móveis que restaram do desastre, e colocaram uma boneca inflável sentada tomando café. Num cartaz, pedido de ajuda ao estado.
Prefeito promete uma ‘nova Xerém’
Ontem, o prefeito de Caxias, Alexandre Cardoso, prometeu começar a construção de “uma nova Xerém”. Ele afirmou que esta semana ainda irá a Brasília falar com o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, sobre os R$ 30 milhões que seriam necessários para ajudar as vítimas e reconstruir parte do distrito. Segundo ele, em dois meses, começarão a ser construídas novas casas, em áreas seguras. Mais oito casas foram demolidas ontem na margem do Rio Capivari. Ao todo, 150 serão removidas.
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