Rio -  Além das dores insuportáveis causadas pela endometriose, as portadoras da doença, no Rio, sofrem com a falta de atendimento na rede pública de saúde. O Instituto Fernandes Figueira, no Flamengo, que pertence à Fiocruz, fechou o setor de endometriose em setembro. Outra unidade que oferece o tratamento, o Hospital estadual Pedro Ernesto, em Vila Isabel, tem recusado pacientes.
Foi o caso de Michele Menezes, 31 anos, que estava sendo preparada para fazer umacirurgia no IFF. Em 17 de setembro, porém, recebeu a notícia, pela equipe médica, de que o setor fora fechado, e foi encaminhada para o Hospital Pedro Ernesto.
“A médica disse que eu não seria atendida e pediu para que voltasse ao IFF; que somente as mulheres prestes a perder um órgão ou sem evacuar são tratadas. Voltei e nada foi resolvido. Continuo sem a cirurgia. A doutora mandou que eu procurasse um consultório particular. Mas a cirurgia custa R$ 30 mil e não tenho condições de pagar”, conta Michele.
A paciente já levara cerca de quatro meses para ser atendida no IFF. Depois deconseguir passar pela triagem, em que é confirmado o diagnóstico, ainda esperou pelo mesmo tempo para dar início às consultas.

DOR FORTE E DEFORMAÇÕES
A endometriose atinge 15% das mulheres dos 15 aos 45 anos, e consiste na presença de células endometriais em regiões fora do útero. O endométrio é a camada interna do útero, renovada a cada mês com a menstruação.
Os sintomas são cólicas menstruais muito fortes, dor nas relações sexuais, dificuldade de urinar e evacuar, entre outros. A doença responde por 50% dos casos de infertilidade em mulheres, como O DIA mostrou ontem, devido à deformação nos órgãos do aparelho reprodutor. O problema é de difícil diagnóstico, e a paciente pode demorar em média dez anos para descobrir que tem a doença.
Hospitais sem capacidade
O Instituto Fernandes Figueira informou que a assistência e o atendimento específicos a pacientes com endometriose eram vinculados ao curso de Pós-Graduação de Videohisteroscopia que acontecia na instituição. Por motivos internos e contratuais, o curso foi extinto. Com isso, as pacientes estão sendo encaminhadas para outras instituições. Para que isso possa ser feito, o instituto está atualizando os exames específicos que são exigidos para a entrada nestes serviços.
Já o Hospital Pedro Ernesto informa que não dispensa pacientes — apenas não tem como marcar cirurgias a curto ou médio prazos, por já existir uma lista de 13 mulheres, pacientes da própria unidade, com comprometimentos intestinal ou urinário graves. Outras 17, menos graves, também já estão na fila da cirurgia.