Rio -  As medidas de incentivo ao crédito do governo surtiram efeito em 2012. Após sucessivos cortes na taxa básica de juros, a Selic, e das tarifas cobradas pelos bancos do governo, Banco do Brasil e Caixa Econômica, os juros bancários caíram durante o ano, facilitando o acesso ao crédito.
Foto: Banco de imagens
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De acordo com pesquisa divulgada ontem pelo Procon-SP, está mais barato usar serviços bancários, como empréstimo pessoal e cheque especial. Ao contrário de 2011, houve queda das taxas cobradas nos dois sistemas de crédito direto aos clientes.
Os levantamentos apontaram que a taxa média do crédito pessoal foi de 5,54% ao mês, com queda de 0,12 ponto percentual em relação à taxa média de 2011, que era de 5,66% ao mês. Em relação ao cheque especial, a taxa mensal em 2012 foi de 8,59%, e indicou decréscimo de 0,86 ponto percentual em relação à taxa média do ano anterior, que foi de 9,45% no mês.
A Caixa Econômica Federal foi a instituição financeira que registrou a menor taxa e fechou 2012 em 5,60%. Já no Banco do Brasil, desde abril do ano passado, as reduções nas taxas de juros chegaram a 79% no rotativo do cartão de crédito. Entre as instituições privadas, o Banco Itaú registrou a taxa média mais alta e terminou o ano com taxa de 6,66%.

TENDÊNCIA SERÁ MANTIDA
Até porque a expectativa de crescimento para este ano não é muito animadora, especialistas acreditam que os juros devem continuar baixos, para incentivar o consumo. “A princípio, a expectativa é que as taxas continuem baixas em 2013”, diz André Braz, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre).
Cortes na Selic devem ser menores em 2013
Segundo a diretora de estudos e pesquisas do Procon-SP, Valéria Garcia, durante o ano de 2012 o consumidor foi alertado sobre a necessidade de planejar o orçamento familiar com critério e recorrer ao crédito bancário apenas em casos de emergência. Para este ano, fica o alerta. “O consumidor deverá manter a cautela na hora de buscar crédito”, ressalta Valéria.
O economista Carlos Luz, diretor de risco da Lecca, lembra que as instituições federais iniciaram o movimento de corte para impulsionar o crescimento, mas não foram seguidos pelos bancos privados. Ele ressalta que em 2013, a política de corte na Selic não vai continuar.
Ele espera cortes nas taxas de juros cada vez mais tímidos. “O mercado está com grande expectativa. A taxa básica de juros deve subir para acompanhar o ritmo da inflação, que, neste ano, deve aumentar aos níveis de 2011”, afirma.
Taxa reduzida atrai, mas clientes devem manter cautela
Para pagar o carro que comprou em 2007, o militar Thiago Oliveira recorreu a um empréstimo para levar o carro à vista. Ele conta que preferiu o crédito bancário porque conseguiu taxas menores que as dos financiamentos de veículos.
Oliveira explica que verificou que seria melhor pagar os juros do empréstimo do que as taxas embutidas nas parcelas. Mesmo assim, lembra que, apesar dos cortes, os juros do banco são muito caros. “Seria ótimo se caíssem mais”.
Usuária do cheque especial, a auxiliar de serviços gerais Maria Conceição de Sousa destaca que os juros assustam. “Faço de tudo para não usar o cheque especial, mas tem momentos que a situação aperta. Aí, tenho que recorrer ao crédito. Eu sou controlada. Então, consigo lidar com os juros, mesmo sendo tão altos”, garante Maria da Conceição.
Para Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), evitar o uso destes serviços é a melhor maneira para não se endividar. “Com juros ainda altos, o crédito bancário se transforma numa bola de neve e traz dor de cabeça se não for usado com cuidado”.
Reportagem de Bruno Dutra