domingo, 8 de setembro de 2013

Um mês de greve e de impasse

Um mês de greve e de impasse

Docentes cobram fixação de prazos para as propostas apresentadas pela Prefeitura do Rio, entre elas a de reajuste salarial

ALESSANDRA HORTO E STEPHANIE TONDO
Rio - A paralisação das escolas municipais do Rio completa hoje 32 dias e deixa, segundo a Secretaria de Educação (SME), 300 mil alunos sem aula (de um total de 683.449 matriculados), o que representa 43,89% da rede. Há avanços, reconhecem os sindicalistas e a Prefeitura do Rio, mas há temas, em alguns casos pontuais, que vão além da questão salarial e fazem parte do dia a dia de agentes auxiliares de creche, merendeiras, inspetores, professores e demais profissionais.
Cenários desconhecidos de parte da sociedade, como falta de material de limpeza ou higiene, infiltrações, portas caindo e que a Secretaria Municipal de Educação ainda não apresentou solução nas mesas de negociação. 
A greve é marcada por impasses como esse em torno dos 21 pontos apresentados pelo Sepe (Sindicato dos Profissionais de Educação), sendo 11 já aceitos pelo governo, como reajuste salarial de 8%, e em projetos, que os grevistas se queixam de não terem prazo para sair do papel.
Docentes cobram fixação de prazos para as propostas apresentadas pela Prefeitura do Rio, entre elas a de reajuste salarial
Foto:  Estefan Radovicz / Agência O Dia
Após um mês de greve, três reuniões com o Executivo e três acordos de fim de greve assinados, as assembleias do Sepe já não levam 25 mil pessoas às ruas. Mas o total de alunos sem aula, fornecido pela própria SME, comprova que apesar de não estar presente nas assembleias, o grupo que cruza os braços está mobilizado e continua fora das salas de aula do município. 
Apesar de já ter recebido orientação do sindicato para voltar ao trabalho nas escolas de cabeça erguida, há o grupo majoritário nas assembleias que defende o retorno só após ver alguma reivindicação aceita sair do papel.
Em nota oficial, a SME destaca seu lado do impasse e diz que não mediu esforços para atender o que pediam os professores. E que, apesar da posição dos grevistas em manter o movimento, “prejudicando diariamente quase 300 mil alunos”, a “Prefeitura do Rio sempre manteve a decisão de cumprir todos os pontos dos acordos realizados”.
Na cozinha do Ciep Samuel Wainer, na Tijuca, as tampas das panelas são antigas ou não existem. Os alimentos ficam expostos
Foto:  Divulgação
Crecheira do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Professora Raquel Kelly Lanera, em Santa Cruz, Maristela Santos, 34 anos, foi um dos braços levantados na assembleia da última sexta-feira e integra o grupo de servidores da Educação municipal que votou pela continuidade da greve: “Cuido de 25 crianças. Não há banheiro em todas as salas e temos que improvisar. O piso é escorregadio e temos que tomar cuidado para que não ocorram quedas e os estudantes se machuquem”.
A queixa pontual é exemplo dos relatos recebidos pelo DIA entre as duas últimas assembleias da semana passada. A exposição das rotinas evidencia o que os grevistas apontam como motivo para manter a paralisação que já dura 32 dias. 
A professora Gissele Luanda, 33, professora do EDI Fundação Leão XIII, no Morro de São Carlos, no Estácio, conta que não há janelas na unidade, só basculantes. Além disso, existe um portão estreito para entrada e saída. A Secretaria Municipal de Educação esclareceu que “realiza grandes investimentos nas unidades escolares para oferecer a alunos, professores e funcionários ambiente adequado”.
Na Escola Municipal Prefeito Juarez Antunes, em Bangu, um dos problemas da unidade é a ausência de ar-condicionado, mesmo com as instalações prontas, reclamou um professor que preferiu não se identificar. Segundo a secretaria, um dos acordos estabelecidos com o sindicato da categoria prevê a elaboração de um cronograma para a climatização das escolas da prefeitura, pelo qual mais 130 unidades escolares serão contempladas já em 2013.
Professora há 15 anos da rede municipal, Anna Paula Meirelles de Azevedo, 45, relata que há três anos a direção da Escola Municipal Barão de Itacurussá, na Tijuca, busca alguma empresa para fazer obras estruturais para acabar com “inúmeras infiltrações e problemas na parte elétrica”. Contudo, segundo a docente, a secretaria informa à direção que não pode fazer a obra.
“Em uma das salas, quando chove, a água escorre como cachoeira pelas paredes. É preciso colocar uma bacia para aparar a água que desce pelo ventilador de teto”, explica Anna.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que desde 2009, foram construídos 118 Espaços de Desenvolvimento Infantil e 13 escolas. Além disso, 22 acabaram reformadas e outras 17 reconstruídas. A “secretaria ressalta ainda que sempre realiza reparos e reformas, por meio do Conservando Escolas, priorizando as necessidades identificadas”. 
A próxima assembleia da categoria está marcada para terça-feira, às 14h. Ontem, professores iniciaram vigília na residência do prefeito.
Merendeiras de escolas municipais reclamam do acúmulo de funções
Foto:  Divulgação
Planos envolvem pauta pedagógica
Em meio a cobranças por atitudes concretas, a Secretaria Municipal de Educação destacou alguns planos para o futuro. Para cumprir a meta de colocar 35% dos alunos da rede em turno único até 2016, com sete horas de aula, segundo a pasta, a prefeitura prevê investir, por meio da Fábrica de Escolas, cerca de R$ 1,5 bilhão na construção de novas unidades e na reforma/ampliação de outras já existentes.
A estimativa para o período de 2015/2016 é de 99 novas construções e 80 unidades reformadas/ampliadas.
A secretaria ressalta, também, que vem aumentando o atendimento na Educação Infantil, com novas construções. Somente para este ano, estão previstas mais 30 novos EDIs.
Em recente entrevista ao DIA , a secretária municipal de Educação, Cláudia Costin, citou as resoluções que tratam da pauta pedagógica. Entre as quais, autonomia em relação ao caderno pedagógico e à garantia de que não haverá reestruturação das unidades sem passar por discussão com cada escola.
10 exemplos de queixas
1 - Falta de pessoal - A merendeira Flávia Oliveira Paes, 41, diz que na Escola Municipal David Perez, em Cordovil, trabalha com três servidoras para atender a 600 alunos. Na Escola Municipal José do Patrocínio, em Irajá, o professor Thiago Bruno Vital, 32, explica que há três inspetores para 800 alunos. A agente auxiliar de creche Maristela Santos, 34, relata que cuida sozinha de 25 crianças de 3 e 4 anos de idade no EDI (creche)Professora Raquel Kelly Lanera, em Santa Cruz.
2 - Ar condicionado - Professor que preferiu não se identificar informa que a Escola Municipal Prefeito Juarez Antunes, em Bangu, foi reformada para receber os aparelhos, mas não há previsão para instalação. Já na Escola Municipal José do Patrocínio, em Irajá, na turma do professor Thiago Bruno há um ventilador para 35 alunos. Segundo ele, o calor gera agitação na turma, o que atrapalha as aulas.
3 - Falta de material - Professora do EDI Professora Raquel Kelly Lanera, em Santa Cruz, Maristela Santos afirma que não há material de higiene para as crianças. A merendeira Ana Maria de Castro Barros, 54, por sua vez, se queixa da falta de material de limpeza. “Muitas vezes tenho que levar de casa”, diz.
4 - Infiltração - Na Escola Municipal Barão de Itacurussá, na Tijuca, a professora Anna Paula Meirelles, 45, conta que há muitas infiltrações. “Em uma das salas, quando chove, a água escorre como cachoeira pelas paredes. Professores improvisam bacia para que as crianças não escorreguem”, afirma.
5 - Higiene -  Segundo a merendeira Cristiane Souza Rodrigues, 41, no<MC1> Ciep Samuel Wainer, na Tijuca, há um ralo aberto na cozinha, de onde saem ratos e baratas. “Temos que chamar a Comlurb toda a semana”, conta.
6 - Várias funções — No Ciep Samuel Wainer, na Tijuca, a merendeira <MC1>Cristiane Souza Rodrigues, 41, se queixa do acúmulo de funções. “Temos que cozinhar, servir e limpar todo o refeitório”, diz. Merendeira na Escola Municipal David Perez, em Cordovil, Flávia Oliveira Paes, 41, afirma: “Somos cozinheiras. Nosso salário está muito aquém do trabalho. Temos até que moer carne para muita gente”, revela.
7 - Estrutura - A professora Valéria Giorno, 52, comenta que a porta da sala onde dá aula, no EDI Rocha Pombo, em Piedade, está caindo. “As crianças precisam levantar a porta para conseguir abrir, o que é perigoso”, avalia. Além disso, na Escola Municipal Santos Dumont, em Marechal Hermes, as janelas estão em péssimo estado, segundo a professora Karina Nizo, 35 anos.
8 - Equipamento - Segundo professor que não quis se identificar, na Escola Municipal Cora Coralina, em Campo Grande, as mesas foram feitas para crianças e não suportam o peso dos adolescentes, por isso quebram, e demoram a ser substituídas. Na Escola Municipal Paula Fonseca, em Colégio, a professora Viviane Meneguitte, 34, conta que chegou um aparelho de multimídia, mas não conseguiu usá-lo por falta de estrutura. “O teto não aguenta o peso do aparelho”, explica.
9 - Refeitório - Professora na EDI Fundação Leão XIII, no Morro de São Carlos, no Estácio, Gissele Luanda, 33, conta que lá não há refeitório. As crianças almoçam em um corredor com bancadas na parede. Como os bancos não têm apoio nas costas, os alunos mais novos não conseguem se equilibrar e acabam caindo.
10 - Reprovação - Professora da Escola Municipal Santos Dumont, em Marechal Hermes, Karina Nizo explica que com a meritocracia, o docente que reprova determinado número de alunos deixa de ganhar o 14º salário, por isso, o professor é obrigado a aprovar os estudantes. “Na minha turma de terceiro ano do Fundamental há 14 alunos analfabetos, que tive que reprovar, mas sou vista como vilã por isso”, diz.



    Tags: Greve , Professores , Educação

    Após reunião com prefeitura, servidores mantém greve até terça-feira

    Após reunião com prefeitura, servidores mantém greve até terça-feira

    Nova assembleia será realizada para decidir os rumos do movimento

    PALOMA SAVEDRA
    Rio - A reunião realizada entre integrantes do Sindicato dos Profissionais da Educação, o chefe da Casa Civil Pedro Paulo Carvalho Teixeira e o prefeito Eduardo Paes terminou com alguns pontos acordados. A entidade que representa a categoria apresentou as novas propostas aos professores em frente à Prefeitura do Rio, mas, durante assembleia, os profissionais da rede municipal decidiram manter a greve até a próxima terça-feira. Nesta segunda, várias assembleias regionais serão realizadas para discutir as propostas alcançadas.
    Na reunião, foram acertados dois novos pontos e detalhados e aperfeiçoados outros cinco, que já constavam nos acordos anteriores. A prefeitura se comprometeu com a aplicação de 6,75% sobre o vencimento corrigido da merendeira, servente, agente auxiliar de creche, copeira, inspetor de alunos e agente educador. Essa aplicação será em cima do reajuste já acordado anteriormente. Além disso, será publicado um edital de licitação, até o próximo dia 30 de setembro, para elaboração da Carteira Funcional para os servidores da Educação. 
    Professores se revoltam com o fechamento do prédio da Prefeitura
    Foto:  Paloma Savedra / Agência O Dia
    Impedidos de entrar
    Diferente dos outros protestos que vem ocorrendo desde agosto, desta vez os portões foram fechados, impedindo a entrada dos professores e impossibilitando o acesso ao banheiro. A medida causou revolta entre os participantes. Uma barreira de guardas municipais foi formada para reforçar a segurança.
    Vários professores questionaram o fechamento dos portões. A professora Ana Cristina Landi ficou indignada com a atitude, já que o ato seguiu pacífico desde o começo. "Nos estamos questionando o porquê do portão estar fechado. Perguntamos aos guardas qual é a portaria que determina isso. Nós, professores, não fazemos mal a ninguém e todos sabem disso. Não há motivos para isso", disse.
    Protesto com bom humor
    Para levar suas reivindicações às ruas, os funcionários da rede municipal de educação usaram música. De maneira irreverente, várias paródias de marchinha de carnaval e até mesmo coreografias foram acompanhadas pelos cerca de mil servidores públicos desde às 10h desta sexta.
    Vídeo:  Coreografia durante manifestação
    Mal estar
    Os professores também expulsaram uma equipe da Rede Globo. O protesto que foi pacífico durante todos os dias, teve um ato inesperado quando professores cercaram o carro da equipe, colaram adesivos da greve e hositilizaram os profissionais da emissora.
    Segundo os manifestantes, a atitude foi tomada por conta de uma informação de que a Globo estaria noticiando apenas 500 pessoas presentes no ato, quando na verdade mil servidores estavam presentes.
    Professores expulsam equipe da Rede Globo
    Foto:  Paloma Savedra / Agência O Dia

      Editorial: É preciso encarar as contas

      Editorial: É preciso encarar as contas

      A revogação do aumento das passagens de ônibus — este, o estopim dos grandes protestos — fez nascer um monstro que todos querem esconder, mas que um dia terão de enfrentar

      O DIA
      Rio - A revogação do aumento das passagens de ônibus — este, o estopim dos grandes protestos de junho — fez nascer um monstro que todos querem esconder, mas que um dia terão de enfrentar: a intrincada planilha de custos do transporte e o equilíbrio das finanças, vital para a manutenção do sistema e para sua expansão. O DIA publica hoje as conclusões de debate entre especialistas sobre o ônus do desconto. Todos apontaram a urgência de atacar os números, ou aquela besta crescerá mais e não será detida.
      É óbvio que a composição da tarifa sempre está aberta a ajustes. Pesa bastante a percepção dos usuários, que afirmam pagar caro por um serviço ruim. Tudo isso é justo. Mas o valor da passagem terá de subir mais cedo ou mais tarde, pois os tais 20 centavos estão se acumulando milhares de vezes ao dia, e ninguém sabe ao certo como ou se isso está sendo reposto — e quem vai pagar essa conta. O mais grave, como ponderam os especialistas, é a perda da capacidade de investimento e de manutenção — se o ônibus hoje não agrada, o que pensarão os passageiros caso a frota se deteriore ainda mais?
      É bom lembrar que no pronunciamento de sexta-feira, em alusão ao 7 de Setembro, a presidenta Dilma Rousseff tornou a falar dos projetos em mobilidade — só o PAC reservou R$ 50 bilhões, parte dos quais custeará a Linha 3 do metrô, em Niterói e São Gonçalo. Tão importante quanto erguer novos sistemas é melhorar os atuais, aí se incluindo os corredores BRTs e BRSs, monitoramento por GPS e treinamento dos motoristas. Otimizar a frota terá impacto na composição da tarifa, o que trará um valor justo para todos.
        Tags: Editorial , Opinião

        Moacyr Luz: Pela hora da morte

        Moacyr Luz: Pela hora da morte

        Subir o Rio Maracanã na altura do estádio, estender a toalha perto da murada, abrir um Sangue de Boi qualquer e gritar gol

        O DIA
        Rio - Por conta desse lado hepático da vida, venho tropeçando em botequins mais vagabundos, desde a jurubeba no barril, o chão melado na dose pro santo, o cuspe que delimita o seu lugar no balcão. Conheci na carne o agreste sabor dessas ucas em infusão — boldo, feno-grego, cobra e açafrão — bebi pura ou, tradiconal, a batida de limão.
        De comida, corajosas porções de camarão, moela, pé de porco, testítulos de peru, rã aos montes, todos de proCeDência ignorada. Essa conjunção, variando de bairro, formava o cardápio de qualquer birosca de rua, teto encardido, luz nos irmãos Cosme e Damião.
        Acontece que a televisão coloriu. O telefone, linha e aparelho, deixou de ser do vizinho de porta que recebia às dez da noite uma ligação: — Desculpe, mas posso falar com o fulano?
        Tudo mudou.
        Na busca de assunto, um parágrafo qualquer, rodei pelo Centro beliscando em pequenos bares, taças e acepipes no mesmo tamanho. Coisa pouca, mas uma reação que derruba qualquer gráfico do Banco Central brasileiro. Beber nesta cidade é coisa pra rico!
        Os banheiros melhoraram, confesso. Difícil é entender as placas que indicam os sexos, mas estão lá, limpos. Já a traiçoeira cachaça de Minas, docinha com as canas de Salinas, deixou de ser o carro-chefe de pinguços e hoje, 40 graus acima, vale o mesmo que um legítimo escocês da alta patente monárquica.
        A justificativa beira o ufanismo: — Salve o produto brasileiro! Mas, quando fui a Cuba, um rum carta ouro, vendido até em posto de gasolina, regulava em preço ao nosso cafezinho de despedidas.
        Bem, se eu for falar em vinho, hoje não vou terminar. Tintos e brancos na cotação diária de uma moeda, dessas famosas, e você a pé na Praça Paris, com o seu cartão de crédito apostando a tarja magnética que a via é francesa.
        Não arrisque antigos paladares, sardinha, carne-seca ou jiló. É capaz de a tua noite terminar na cozinha, lavando pratos, por falta de dinheiro. Os ingredientes, tratados a cifrões, ganharam status de salmão defumado, de caviar iraniano em quitandas cariocas.
        Meu avô diria que a vida está pela hora da morte e eu, nesse passeio, conheci o relógio.
        Nem sei como será na Copa do Mundo. O jeito será reviver os piqueniques. Farnel completo, subir o Rio Maracanã na altura do estádio, estender a toalha perto da murada, abrir um Sangue de Boi qualquer e, no delírio final, gritar gol na cativa de esquina. Só assim.
        E-mail: moacyrluz@ig.com.br
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          Aquiles Mosca: A importância de poupar e investir

          Aquiles Mosca: A importância de poupar e investir

          No Brasil, apenas 3% da população aposentada se sustenta com recursos próprios

          O DIA
          Rio - No Brasil, apenas 3% da população aposentada se sustenta com recursos próprios. Os 97% restantes dependem de suporte financeiro para viver, sobretudo da família. Tais números mostram que os recursos gerados ao longo da vida produtiva não são suficientes ou não são bem administrados para acumular patrimônio mínimo que gere excedente a ser usado na aposentadoria.
          Como mudar esse cenário? A maioria ainda vê com cautela e medo o universo dos investimentos. Mas ele é forma simples e segura de conquistar a independência financeira. Investimos para aumentar o patrimônio no futuro, que poderá ser usado na educação dos filhos e netos, na aquisição de um imóvel e, principalmente, na forma de complemento à aposentadoria oficial paga pelo governo.
          Assim, investir não é uma opção para quem tem excesso de dinheiro, mas uma necessidade comum. O investidor deve buscar proteger sua poupança dos efeitos nocivos da inflação, impostos e outros fatores que possam contribuir para perda de valor do patrimônio.
          A definição de como e quanto investir passa por um bom planejamento financeiro, que pode ser dividido em sete etapas: analisar as finanças pessoais e determinar o quanto é capaz de poupar por mês; ter disciplina e paciência; levantar os objetivos e limitações que possam influenciar no processo; analisar a propensão ao risco; entender os fatores do mercado financeiro que podem contribuir para o sucesso ou fracasso das aplicações; alocar os recursos nos ativos indicados para atingir os objetivos; e revisar periodicamente a carteira de investimentos.
          Um plano de investimentos não está completo sem disciplina. Por isso, logo que receber o salário, aplique seu potencial de poupança, antes que tenha a chance de gastá-lo.
          Caso haja uma emergência e precise usar os recursos que seriam poupados, não desanime. Basta voltar a contribuir no mês seguinte.
          Estrategista de investimentos pessoais da Santander Asset Management

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            Frei Betto: Contrapoder popular

            Frei Betto: Contrapoder popular

            Reduzidas as manifestações de rua, temos agora, em vários pontos do país, ocupações de espaços públicos

            O DIA
            Rio - Reduzidas as manifestações de rua, temos agora, em vários pontos do país, ocupações de espaços públicos: câmaras municipais, assembleias legislativas, calçadas da casa de políticos, etc. Nossas autoridades estão surpresas e assustadas. Antes, contavam com o concurso da grande mídia, que não dava importância a manifestações pontuais ou criminalizava-as, e a polícia agia com ação repressiva.
            Agora, novos atores, difíceis de serem controlados, entraram em cena. É o caso das mobilizações convocadas através de redes sociais. O que há de novo é a inversão do poder político: o contrapoder popular. Até junho, autoridades e partidos ditavam a pauta política na qual a população devia ser enquadrada.
            A classe política acreditava que só devia dar atenção ao povo de dois em dois anos, nos períodos eleitorais. Considerava a política uma roda-gigante movida pelo mecanismo de alianças e pactos partidários.
            Súbito, movimentos sociais decidiram recorrer à democracia direta e ocupar espaços que, de direito, são ‘casas do povo’, frequentemente usurpados por aqueles que deveriam nos representar, como no caso da CPI das empresas de ônibus no Rio, na qual a maioria dos vereadores que a integram foi contra a sua instalação. É a raposa investigando quem ataca o galinheiro...
            O risco político desse processo (e protesto) popular é confundir o saudável suprapartidarismo com o nefasto antipartidarismo. Partidos políticos são, como o Estado, um mal necessário.
            A alternativa é uma profunda reforma política, que inclua mecanismos de transparência no exercício da atividade política, de modo que a soberania popular possa exercer controle sobre o desempenho dos políticos e das instituições públicas.
            Escritor, autor de ‘Calendário do Poder’ (Rocco)

              Tags: Opinião , Colunista

              Editorial: Fraquezas, liberdade e segurança

              Editorial: Fraquezas, liberdade e segurança

              É justo, neste patriótico 7 de Setembro, indignar-se com os recentes detalhes da espionagem norte-americana sobre o Brasil

              O DIA
              Rio - É justo, neste patriótico 7 de Setembro, indignar-se com os recentes detalhes da espionagem norte-americana sobre o Brasil. As paradas militares e as manifestações marcadas para hoje estimulam ainda mais o orgulho pelo país — ferido com a funesta arapongagem de Obama, com tentáculos que devassam tudo o que é eletrônico. Infelizmente, bisbilhotice não é algo inédito na história da humanidade. Algumas delas levaram a incidentes diplomáticos, mas o grosso lamentavelmente é relevado.
              O ex-presidente Lula acertadamente sugeriu que o governo brasileiro dê “um ‘guenta diplomático’ no Obama”. Mas esta não deve ser a única questão na qual o país deve empreender esforços. A vigilância virtual preocupa, mas mais urgente é testar a integridade e a segurança dos bancos de dados. Esta semana invadiram-se sem muito esforço sites e contas do Twitter de instituições públicas e privadas. Ataques semelhantes conseguem fazer estrago lá fora; aqui, que dano poderiam causar?
              O governo está certo em pedir pressa para desenvolver plataforma própria de comunicações — pois não é muito diplomático outro governo monitorar os passos virtuais de um chefe de Estado. Deve, porém, aproveitar o ensejo para checar as proteções e ferramentas de contenção.
              Basta olhar, por exemplo, para a tibieza das linhas de transmissão de energia, que põe dezenas de estados no breu na menor das ocorrências; ou a precária vigilância das fronteiras, por onde ainda passam armas e drogas. Fragilidades que não podem servir de modelo para a segurança da tecnologia da informação.
                Tags: Editorial , Opinião

                Subaru apresenta BRZ tunado

                Subaru apresenta BRZ tunado

                Divisão de preparação da marca, a STI, deixou o esportivo ainda mais nervoso

                LUIZ ALMEIDA
                Rio - A Subaru sempre foi sinônimo de esportividade. Mesmo assim, a fabricante mantém uma divisão especializada na preparação de alto desempenho — a STI — para apimentar os modelos da marca. E a mais recente novidade de ambas é oferecer kit exclusivo para o BRZ — este esportivo, aliás, é fruto de uma parceria entre a própria Subaru e a também japonesa Toyota.
                Kit de preparação para o BRZ contempla novos conjuntos de freio e suspensão
                Foto:  Divulgação

                Batizado de BRZ TS by STI, o pacote de personalização é oferecido em duas versões distintas. Porém, ambas — básica e TS — são restritas a apenas 250 unidades e somente para o Japão. O kit é composto por rodas de 18 polegadas com desenho exclusivo, sendo que na versão básica é prateada, enquanto que na TS é na cor preta — as duas utilizam pneus Michelin Pilot Super Sport 225/40.
                O pacote de personalização ainda conta com defletor dianteiro em ambas as versões, mas a TS também possui aerofólio traseiro ajustável feito em fibra de carbono. No interior do BRZ, o kit adiciona bancos esportivos com revestimento em camurça sintética — na versão TS, o assento é em couro e é fornecido pela Recaro.
                E para tornar o desempenho do BRZ mais dinâmico, o kit também adiciona freios de alta performance da Brembo e novos amortecedores, braços e molas para o conjunto da suspensão. Há ainda controle de estabilidade com nova calibração eletrônica, que, em linhas gerais, permite ao motorista ser mais responsável sobre o comportamento do carro. O pacote da STI, contudo, não destina qualquer modificação no motor do BRZ — um quatro cilindros 2.0 litros de 200 cv de potência máxima.
                No interior do BRZ, o kit adiciona bancos esportivos com revestimento em camurça sintética
                Foto:  Divulgação

                Motor 2.0 litros de 200 cv não foi modificado
                Foto:  Divulgação

                  Tags: Subaru , BRZ , Esportivos