domingo, 14 de julho de 2013

Oposição desafia atual presidente da Firjan

Oposição desafia atual presidente da Firjan

Candidato que vem da base da Indústria Naval quer sistema participativo de gestão

BRUNO DUTRA
Rio - Depois de 18 anos à frente da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira vai enfrentar, em agosto, forte oposição na próxima eleição para a presidência da casa. O adversário que traz na bagagem anos de experiência adquirida no Sindicato da Construção Naval (Sinaval) é Ariovaldo Rocha, atual presidente da entidade.

Às vésperas da eleição, o movimento oposicionista percorreu o Estado do Rio em busca de apoio, visando, essencialmente, atrair a atenção da base sindical para as propostas que pretendem dar novo fôlego à indústria fluminense. Segundo Rocha, a ideia é implementar em todos os setores industriais do estado a política que tirou a área naval da estagnação que vinha de um período de duas décadas, entre os anos de 1982 e 2002.
Presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha quer chegar à Firjan e retomar a importância da indústria fluminense
Foto:  Paulo Alvadia / Agência O Dia


“A Indústria Naval no estado passou por momentos ruins, mas hoje, depois de muito trabalho, geramos 72 mil empregos diretos, além de 490 mil indiretos no país. Só no Estado do Rio, 40 mil trabalhadores vivem desta renda”, destaca Rocha.

A Firjan tem uma receita anual que ultrapassa a margem de R$ 1 bilhão e, de acordo com as propostas da oposição, o objetivo é investir em projetos que retomem a força da indústria em todas as regiões do estado.

“O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio vem perdendo importância para o crescimento da economia do país. Para retomar a força da nossa produção, é preciso investir no fortalecimento do Senai e do Sesi e estimular programas de gestão com foco na qualidade”, defendeu.

Procurada pela reportagem para ouvir as propostas do atual presidente e candidato à reeleição, a Firjan preferiu não se pronunciar. A assessoria reiterou que Gouvêa Vieira só estará disponível para falar após o registro das chapas.
Base sindical é cortejada por candidatos

Aliado de Rocha na disputa pela cadeira mais importante da Firjan, Sérgio Bacci, diretor procurador do estaleiro Navship, em Navegantes, Santa Catarina, diz que a indústria fluminense demonstrou apoio à formação da chapa de oposição. “Em nossas caminhadas pelo estado, ouvimos trabalhadores que estão insatisfeitos com a gestão. Eles querem uma cara nova que conheça os problemas do setor”, explica.

Bacci destaca ainda que há potencial político e agregador no candidato oposicionista. “Rocha foi de extrema importância para a retomada da indústria naval. Ele foi um articulador fundamental entre a indústria e o governo, atitude que nos ajudou a ocupar lugar de importância na economia do país”.

Corrida pelo poder

Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira está desde 1995 à frente da Firjan e poderá completar 21 anos no cargo, caso a base sindical o escolha novamente.

O atual mandato da presidência vence em 14 de outubro deste ano, e quem ganhar assume no dia seguinte para um comando de três anos.

Gouvêa Vieira é integrante de uma das famílias que controlaram o Grupo Ipiranga. A oposição argumenta, porém, que ele não tem a experiência para liderar a indústria fluminense — situação que estaria causando desconforto dentro das fábricas.

Os candidatos têm até o fim deste mês para registrar as chapas, pelo estatuto da federação. Sem data definida, a eleição deve acontecer entre os dias 15 e 20 de agosto.
Para ser aceita, a chapa precisa de 47 nomes. Para vencer, é necessário o apoio de pelo menos 53 sindicatos.

R$ 1 Bi
É a receita anual da Firjan.De acordo com a oposição, valor poderia ser usado de maneira mais eficiente.

21 anos
Será a quantidade total de anos que Gouvêa Vieira ficará à frente da Firjan, caso vença as eleições em agosto.

103
Número total de sindicatos filiados à Firjan. Para vencer as eleições, é necessário ter o apoio de 53 deles.




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