Rio -  A madrugada desta terça-feira foi de dor e indignação no Instituto Médico Legal (IML) do Rio para parentes e amigos de vítimas do acidente com o ônibus da Viação 1001, na Serra de Teresópolis, na altura de Guapimirim, na Baixada Fluminense, que deixou um saldo de 11 mortos e 19 feridos, na tarde desta segunda-feira. Cinco corpos de homens e cinco de mulheres permanecem no instituto aguardando a liberação pela manhã. O veículo foi retirado da ribanceira por volta das 3h30.
O técnico de ortopedia Fabiano José Rodrigues, de 38 anos, perdeu três parentes no acidente; o tio Édson da Silva Morais e a tia Lúcia Morais, seus padrinhos de casamento, além da mãe da tia, identificada apenas como Ilma. O sobrinho dele, Emerson Turques da Silva está internado em uma unidade de saúde de Teresópolis, na Região Serrana. Transtornado, ele teve que ser amparado por parentes no IML.
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
"Vieram dizer que um problema no freio do ônibus matou todo mundo e agora querem pagar as despesas do enterro. Vai pagar o que? A vida deles de volta? Eles (empresa) tem que ver isso antes. Eles trabalham com vidas humanas. Isso é uma covardia, uma falta de profissionalismo. Não tem que vir aqui querer pagar o enterro dos outros", protestou ainda alterado Fabiano. Ele se referia a um representante da 1001 que passou a madrugada no IML colocando a empresa à disposição para pagar os custos dos sepultamentos.
O técnico de ortopedia disse que os tios, moradores deVila Tiradentes, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, estavam vindo ao Rio para participar de um encontro de casais, no qual ele também participaria. O enterro, segundo a previsão da família, deve ocorrer nesta quarta-feira, no cemitério da Vila Rosali, no mesmo município.
Após a retirada do ônibus da Viação 1001 durante a madrugada, o trecho da pista da Rio-Teresópolis, na altura de Guapimirim, que estava interditado para o trabalho, foi liberado pouco depois.
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia
Assessora parlamentar grávida perde os pais
A assessora parlamentar do deputado André Correa, líder do governo na Assembléia Legistativa do Rio (Alerj), Cenária Mota Neves, de 35 anos, perdeu o pai José Neves Mota, de 59 anos, e a mãe Maria Aparecida Mota Neves, 55, no acidente desta segunda-feira. Grávida de três meses, ela se emocionou após reconhecer os corpos deles no IML do Rio.
Segundo o ex-marido de Cenária, o filósofo Paulo Barbosa, de 38 anos, o sogro veio ao Rio para um tratamento à base de botóx no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel. Morador de Miracema, no Noroeste Fluminense, ele vinha sozinho até a capital a cada três meses para se medicar. Desta vez, no entanto, sua mulher resolveu vir junto.
"Ela trouxe algumas roupinhas para a neta de três meses que está sendo gerada. A Cenária não via os pais há três meses, mas eles se falavam por telefone todos os dias", revelou Paulo Barbosa, com quem a assessora parlamentar tem um filho de cinco anos.
Segundo o filósofo, a ex-mulher possivelmente terá que largar suas funções na Alerj para se dedicar ao irmão de 32 anos, que tem problemas psiquiátricos e era cuidado pelos pais.
Foto: Arte: O Dia
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