Caetano Veloso lança CD em que compara o MMA à bossa nova
Em novo trabalho, cantor diz que amor o inspirou a compor
POR KAMILLE VIOLA
“Um paralelo é que a criação do MMA foi daqui. Essa mistura dessas lutas vem dos Gracie e os brasileiros eram quase que a totalidade das grandes figuras do MMA”, explica Caetano. “Mas a outra coisa é que o João Gilberto gosta de luta. Sempre gostou e seguramente gosta de MMA.
E, quando ele voltou dos Estados Unidos para o Brasil, no início dos anos 70, em uma entrevista o (jornalista) Tárik de Souza perguntou sobre a formação do estilo dele, o modo como ele cantava e fazia aquelas canções e escolhia os acordes, e o João respondeu: ‘É como um golpe de caratê!’ (risos). Eu gosto muito dessa resposta do João a respeito da concentração na criação das canções, na escolha do tempo, do acorde mais preciso. E é uma visão da bossa nova que não tem nada a ver com ser doce, molinho. Porque foi um grande gesto combativo, histórico, estético quando o João criou aquilo e ele tinha consciência disso”, defende.

Capa do novo CD de Caetano Veloso | Foto: Divulgação
Os lutadores citados ficaram orgulhosos da homenagem. “Fiquei bastante emocionado quando soube da música. É uma grande honra ter o meu nome citado por Caetano Veloso, ícone máximo da música brasileira”, diz Rodrigo Minotauro, ex-campeão do Pride e ex-campeão interino dos pesos-pesados do UFC.
“O cara é um monstro da música mundial e um dos maiores ídolos do Brasil. Foi uma surpresa e uma alegria enorme quando ouvi a canção pela primeira vez, tive que escutar várias vezes para acreditar (risos)”, conta José Aldo, campeão dos penas do UFC. Junior Cigano, vencedor dos pesados do UFC, escreveu em seu Twitter: “Vocês viram isso? Estou assistindo ao Jô e simplesmente fiquei pasmo, meu nome em uma canção desse ícone da música brasileira. Caetano Veloso”.
‘Abraçaço’ é o terceiro CD de Caetano com a banda Cê, formada por Pedro Sá (guitarrista e produtor dos três discos ao lado de Moreno Veloso, filho mais velho de Caetano), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria) — os anteriores são ‘Cê’ (2006) e ‘Zii e Zie’ (2009) . E as histórias curiosas sobre as faixas não param por aí: ‘Parabéns’ é, na verdade, um email de aniversário que o cineasta Mauro Lima enviou a Caetano e que foi musicado pelo compositor. Mauro foi ouvir a canção num dia da gravação e levou a namorada. Pronto: a atriz Alinne Moraes acabou entrando para o coro da música, ao lado de Nina Becker, Thalma de Freitas e os meninos da banda.
Nas 11 canções de ‘Abraçaço’, no entanto, um tema se destaca: o amor. E, a julgar pelo tom das letras, um tanto melancólico: “Tudo o que não deu certo/ E sei que não tem conserto/ Meu silêncio chorou chorou”, diz a faixa-título. “É, estava na minha cabeça, eu estava tomado por esse tema”, admite Caetano, sem se estender. O amor é um tema inspirador para o compositor? “Termina até sendo inspirador, mas também é inspirador para a vida”, filosofa.
Segundo Caetano, todas as suas canções são sobre ele próprio. “Mesmo as que não são autobiográficas (risos)”, brinca. De um jeito ou de outro, pode-se dizer que esse amor deu certo, sim: contribuiu para um disco apaixonante. Um discaço.
Confira a letra
O bruxo de Juazeiro numa caverna do louro francês
(quem terá tido essa fazenda de areais?)
fitas-cassete, uma ergométrica, uns restos de rabada.
Lá fora o mundo ainda se torce para encarar a equação
pura-invenção/dança-da-moda.
A bossa nova é foda.
“O cara é um monstro da música mundial e um dos maiores ídolos do Brasil. Foi uma surpresa e uma alegria enorme quando ouvi a canção pela primeira vez, tive que escutar várias vezes para acreditar (risos)”, conta José Aldo, campeão dos penas do UFC. Junior Cigano, vencedor dos pesados do UFC, escreveu em seu Twitter: “Vocês viram isso? Estou assistindo ao Jô e simplesmente fiquei pasmo, meu nome em uma canção desse ícone da música brasileira. Caetano Veloso”.
Nas 11 canções de ‘Abraçaço’, no entanto, um tema se destaca: o amor. E, a julgar pelo tom das letras, um tanto melancólico: “Tudo o que não deu certo/ E sei que não tem conserto/ Meu silêncio chorou chorou”, diz a faixa-título. “É, estava na minha cabeça, eu estava tomado por esse tema”, admite Caetano, sem se estender. O amor é um tema inspirador para o compositor? “Termina até sendo inspirador, mas também é inspirador para a vida”, filosofa.
Segundo Caetano, todas as suas canções são sobre ele próprio. “Mesmo as que não são autobiográficas (risos)”, brinca. De um jeito ou de outro, pode-se dizer que esse amor deu certo, sim: contribuiu para um disco apaixonante. Um discaço.
Confira a letra
O bruxo de Juazeiro numa caverna do louro francês
(quem terá tido essa fazenda de areais?)
fitas-cassete, uma ergométrica, uns restos de rabada.
Lá fora o mundo ainda se torce para encarar a equação
pura-invenção/dança-da-moda.
A bossa nova é foda.
O magno instrumento grego antigo
diz que quando chegares aqui
que é um dom que muito homem não tem
que é influên-
cia do jazz
e tanto faz se o bardo judeu
romântico de Minesota,
porqueiro Eumeu
o reconhece de volta a Ítaca:
a nossa vida nunca mais será igual
Samba-de-roda, neo-carnaval, Rio São Francisco,
Rio de Janeiro,
canavial.
A bossa nova é foda.
diz que quando chegares aqui
que é um dom que muito homem não tem
que é influên-
cia do jazz
e tanto faz se o bardo judeu
romântico de Minesota,
porqueiro Eumeu
o reconhece de volta a Ítaca:
a nossa vida nunca mais será igual
Samba-de-roda, neo-carnaval, Rio São Francisco,
Rio de Janeiro,
canavial.
A bossa nova é foda.
O tom de tudo
comanda as ondas
do mar,
ondas sonoras
com que colore no espacial.
homem cruel
destruidor, de brilho intenso, monumental,
deu ao poeta, velho profeta,
a chave da casa
de munição.
O velho transformou o mito
das raças tristes
Em Minotauros, Junior Cigano,
em José Aldo, Lyoto Machida,
Vítor Belfort, Anderson Silva
e a coisa toda:
a bossa nova é foda.
comanda as ondas
ondas sonoras
com que colore no espacial.
homem cruel
destruidor, de brilho intenso, monumental,
deu ao poeta, velho profeta,
a chave da casa
de munição.
O velho transformou o mito
das raças tristes
Em Minotauros, Junior Cigano,
em José Aldo, Lyoto Machida,
Vítor Belfort, Anderson Silva
e a coisa toda:
a bossa nova é foda.
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